Quando as vozes da ciência e da literatura se entrelaçam

Tereza Malcher

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

segunda-feira, 03 de agosto de 2020

Estava pensando, no início desta semana, que, nesta coluna, tenho abordado apenas alguns estilos, como o conto, a crônica e a poesia, ficando limitada a uma parte do universo literário. Hoje, vou me dedicar ao entrelaçamento entre as vozes da ciência e da literatura. 

A literatura oferece subsídios à atividade científica em suas diferentes áreas, como humanas, biológicas e tecnológicas, responsáveis pela construção de saberes que envolvem as relações do homem com o mundo. A ciência não é constituída pelo saber empírico, adquirido naturalmente nas experiências diárias, mesmo estando na vida quotidiana as motivações essenciais à sua estruturação. A ciência está pautada no conhecimento adquirido através de objetivos e métodos específicos, tendo a finalidade de explicar objetivamente a realidade para proteger e melhorar a qualidade de vida dos seres. 

As áreas do conhecimento possuem enfoques especiais e utilizam-se da literatura para registrar a produção e a atualização do saber, construídos através de estudos e pesquisas válidos. São conhecimentos que precisam ser difundidos para que as ciências atendam às necessidades humanas. 

Surge, então, neste aspecto, um desafio: como adequar a linguagem científica aos grupos distintos de cidadãos, inseridos em ambientes culturais próprios. É necessário que todos, sejam crianças, adultos ou idosos, tenham acesso, por exemplo, ao conhecimento produzido pela ciência odontológica. 

 Os manuais de saúde, mesmo sendo elaborados com intuitos pedagógicos, precisam recorrer à arte literária para atraírem as pessoas, envolvendo-as nos assuntos que os justificam. Ah, não é uma tarefa fácil. Jamais podem ser “ameaçadores”, nem conterem informações equivocadas. Muito menos desconsiderarem a inteligência daquele que tem facilidade de acesso a informações de pouca utilidade. Como falar sobre os cuidados dentários com citadinos e indígenas? Certamente, o escritor terá de se utilizar de padrões de linguagem especiais para cada grupo de leitores.      

Podemos considerar a transposição da linguagem científica e acadêmica, para a coloquial uma viagem estilosa e delicada, capaz de tocar o leitor a ponto de prender sua atenção, estimulá-lo a rever e modificar seus hábitos. Estou querendo dizer que as vozes da ciência estão para transformar modos de ser e fazer da população. São para evitar a estagnação do sujeito em hábitos inadequados, já enraizados.  

 

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Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

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