Cidade trancada

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Para pensar:

"As palavras, como as abelhas, têm mel e ferrão.”

Provérbio suíço

Para refletir:

“Você pode ser homem, mulher, branco, negro, hétero ou não, etc etc, mas algumas regras parecem universais: 1) você vai ter dificuldades para entender problemas diferentes dos seus; 2) você dificilmente irá reconhecer as vantagens e privilégios que possui e raramente irá concordar quando alguém que não os possui apontá-los a você; 3) sua tendência será sempre a de reduzir a realidade a sua própria vivência e medir o mundo pela sua régua.”

Alexandre Campos

Cidade trancada

Em meio à maior crise sanitária e econômica deste século até aqui, a semana começa com mais um período de pauta trancada no Legislativo Municipal em razão dos seguidos entraves ao processo de apreciação das contas da prefeitura referentes ao exercício de 2018.

Sob todos os aspectos é uma situação vergonhosa e fragilizante, que sintetiza o que ocorre quando um governo se coloca sistematicamente na contramão das burocracias protetivas.

Evitável

Ora, todos conhecem as regras orçamentárias, e ademais os avisos contidos no parecer do TCE (Tribunal de Contas do Estado do Rio) em relação às contas de 2017 eram bastante claros e enfáticos.

Se tais recomendações tivessem sido observadas, nada disso estaria se passando.

Da mesma forma, se o compromisso fosse efetivamente com a coletividade, e ainda se houvesse convicção quanto às teses de defesa, as oportunidades de manifestação estariam sendo aproveitadas, poupando o Legislativo de atrasos com questões que nem ao menos deveriam existir, num contexto em que cada um cumprisse com o próprio dever.

Retrato

A pauta trancada desta semana, portanto, serve como uma triste metáfora de uma gestão autoimune, na qual os sistemas de defesa se veem induzidos a combater órgãos internos, num momento em que ameaças externas deveriam merecer toda a atenção e todos os esforços.

Se ao menos tudo isso servisse como lição, ao menos o prejuízo não seria totalmente inútil.

Mas será que serve?

Presença marcante

A recente tragédia ocorrida no porto de Beirute lembrou aos brasileiros que a comunidade libanesa estabelecida entre nós supera, em número de cidadãos, a própria população do Líbano.

Em Nova Friburgo, todavia, tal lembrança nem teria sido necessária, tal é a presença e o grau de engajamento de libaneses e seus descendentes ao longo de nossa história.

Canal de apoio

Por tudo isso, parece bastante pertinente registrar que o Consulado-Geral do Líbano no Rio de Janeiro está lançando a página S.O.S Beirute, através da qual empresas ou pessoas físicas podem ajudar o povo da capital libanesa.

Para tanto, basta visitar a página http://riobeirute.clickablecard.top/hI00A, e em seguida preencher e marcar os itens no formulário disponibilizado.

“As informações serão colocadas em nosso bancos de dados para entrarmos em contato assim que se disponibilizar a logística dessa ajuda.”

10% (1)

Ainda a respeito da explosão ocorrida no dia 4 de agosto, especialistas da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, apontaram que ela alcançou aproximadamente 10% do impacto da bomba nuclear de Hiroshima, lançada sobre o Japão no dia 6 de agosto de 1945.

De fato, a comunidade científica tem tratado o episódio como uma das maiores explosões não nucleares da história, ao que tudo indica causada por cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio que haviam sido confiscadas e estavam sendo armazenadas sem o devido cuidado.

10% (2)

No Brasil, o doloroso marco de 100 mil mortes causadas pela Covid-19 foi alcançado durante o fim de semana, ainda sem sinais de que os níveis de contágio e mortalidade estejam em queda acentuada.

Na prática isso significa dizer que aproximadamente um a cada dois mil brasileiros teve sua vida abreviada pelo novo coronavírus (em Friburgo felizmente os registros são um pouco melhores), o que também corresponde a aproximadamente 10% do índice de mortalidade observado mundialmente quando do segundo surto da (equivocadamente) chamada “gripe espanhola”, no fim de 1918.

Inesquecível

Naquela ocasião, estima-se que cerca de 20% da população mundial contraiu o vírus, e aproximadamente 2,5% desse contingente não resistiu.

Ainda a respeito dessa comparação, duas considerações parecem importantes: a primeira é de que infelizmente os estragos causados pela Covid ainda estão em curso, e a segunda é que de que em 1918 houve um surto muito contagioso de gripe não letal nos meses de inverno no hemisfério norte, e a população infectada nesta primeira onda foi quase que totalmente poupada na mortífera onda que se iniciou em setembro.

Ou seja, a catástrofe poderia ter sido ainda maior.

Por aqui...

Olhando especificamente para Nova Friburgo, a escalada nos índices de contágio observada a partir do início da flexibilização rapidamente elevou o número de vidas perdidas a aproximadamente 20% daquelas que nos foram ceifadas quando das chuvas de janeiro de 2011.

Não deixa de ser perturbador, portanto, que tanta gente ainda continue a desdenhar das informações oficiais, em negação aos valorosos esforços de tantas pessoas, tanto na frente sanitária quanto na econômica; aos riscos aos quais estamos expostos; e à dor de quem descobriu da pior forma que o momento é sim delicado e demanda maturidade coletiva.

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