Renda fixa e inflação

Gabriel Alves

Educação Financeira

CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

A ideia para a semana era outra, meu planejamento contava com um texto sobre as novas medidas relacionadas ao teto de gastos e a Lei Orçamentária. A intenção era te mostrar como algumas medidas econômicas podem influenciar suas finanças pessoais e a relação com seus investimentos. Contudo, decidi deixar o tema para a próxima semana. Hoje, vamos falar um pouco sobre renda fixa e inflação. A propósito, há tempos não abordo a renda fixa por aqui e esta foi uma boa oportunidade.

Estamos vivendo num contexto cujo juros estão abaixo do índice de inflação e esta é uma grande preocupação para quem já possui mais conhecimento financeiro e percebe a corrosão do patrimônio mal alocado. Hoje, a previsão do Banco Central para o IPCA de 2021 está em 5,01% e as expectativas do mercado podem superar este valor. Enquanto isso – vale sempre observar – a caderneta de poupança está com rentabilidade anual de 1,92% e essa diferença é a desvalorização do seu dinheiro.

Mas como superar o IPCA? Existem algumas possibilidades e as mais seguras estão na renda fixa com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – que assegura o capital do investidor em até R$ 1 milhão por CPF. Portanto, é hora de “dar nome aos bois” e vou listar algumas das possibilidades: CDB, LCI, LCA, LC e LH.

Definidos os títulos, é hora de analisar a liquidez dos investimentos; o prazo de vencimento. Como o risco de crédito é anulado pelo FGC, podemos considerar a liquidez como o único risco dos investimentos em renda fixa e este é um ponto a ser analisado com cautela, pois o capital alocado só pode ser resgatado com a devida rentabilidade após a data de vencimento do título. Isso pode custar caro para investidores despreparados sem planejamento, mas é uma ótima opção para quem sabe o que está fazendo.

Para consultar os prazos de liquidez, basta olhar o prazo (antes de arregalar os olhos para qualquer oferta de rentabilidade) nos dados informativos do respectivo título e estudá-lo para ver se encaixa nos seus objetivos e planejamento financeiros.

Por fim – e muito longe de ser menos importante –, é hora de garimpar boas rentabilidades. A classe em questão pode ofertar três tipos de rentabilidade: pré-fixado, pós-fixado e híbridos. Vou detalhá-lo

  • Pré-fixados: a remuneração é definida no momento da contratação através de uma taxa anual nominal (por exemplo: 8,55% a.a.).
  • Pós-fixados: a remuneração é definida no momento da contratação através de uma taxa indexada (por exemplo: 148% do CDI)
  • Híbridos: a remuneração é definida no momento da contratação através de uma taxa indexada mais uma taxa anual nominal (por exemplo: IPCA + 4,20% a.a.).

Agora é hora de adequar o planejamento às circunstâncias. Estamos vivendo momentos de alta de juros e inflação, portanto, os títulos pós-fixados e – principalmente – híbridos atrelados ao IPCA podem receber maiores pesos na sua carteira de investimento. O que não anula o papel importantíssimo da alocação em títulos pré-fixados, você só precisa balancear os investimentos na medida certa.

Vê como pode ser simples? Basta manter seus estudos em dia e me acompanhar toda sexta-feira nesta coluna para aprender a lidar melhor com seus investimentos. Espero estar ajudando.

Publicidade
TAGS:

Gabriel Alves

Educação Financeira

CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.