O segredo do equilíbrio financeiro

Gabriel Alves

Educação Financeira

CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

sexta-feira, 04 de dezembro de 2020

Quanto menos planejamento, mais emergências surgem na sua vida financeira. Já se deu conta disso? A pior parte dessa história é saber que conforme surgem novas emergências, outras chegam sem avisar e tudo parece ser tão urgente a ponto de ser uma grande luta para voltar ao equilíbrio das suas finanças pessoais. Bom, e se eu te contar que existe um planejamento para evitar essas dores de cabeça? Pode parecer algo muito simples e básico – de fato é –, mas você vai precisar de muita dedicação para pôr esta estratégia em prática. Pois vamos a ela: estou referindo-me a reserva de emergências. Conhece? Tem? Já teve? Pensa em criar a sua? Hoje você vai aprender tudo sobre a estratégia financeira para evitar contratempos e possibilitar um estilo de vida mais leve e previsível (justamente por considerar o imprevisível).

Antes de mais nada, você sabe para quê serve a reserva de emergências? Se souber, me fala porque eu não sei! Pode parecer contraditório eu querer lhe ensinar algo cuja necessidade eu não conheça, mas – de fato – ninguém sabe quando nem por qual motivo haverão retiradas desta reserva. Contudo, posso te garantir, mais cedo ou mais tarde você vai passar por emergências (desde um roubo de celular, até problemas de saúde na família) e ter caixa para superar as adversidades é fundamental para que a emergência não te traga ainda mais problemas.

Chegou a hora de entender como montar sua reserva e o primeiro passo é conhecer a fundo suas finanças pessoais para chegar num valor médio e fidedigno (dedique um tempo ao estudo do orçamento doméstico ou recorra ao auxílio profissional) de padrão de consumo mensal. Agora, com esse valor em mãos, é hora colher outros dados: a segurança do seu emprego; acesso à auxílios de seguridade social e planos de seguro privado e a realidade pessoal de cada integrante familiar responsável pela participação da manutenção financeira doméstica. Concluída esta etapa, vamos ao segundo passo: por quantos meses você pensa em suprir suas despesas sem contar com nenhuma geração de renda? A sugestão é pensar em algo – dentro dos parâmetros definidos até aqui – entre três a nove meses.

Basicamente, reserva de emergência é isso, pensar em suprir necessidades extremas e considerar a geração nula de renda. A propósito, basta olharmos a realidade ao nosso redor e seremos capazes de entender que basta uma grande crise surgir para muitos trabalhadores se encontrarem na delicada situação de desemprego (e muitas vezes sem acesso ao auxílio social decorrente da falta de trabalho).

Somente aqui, no terceiro passo, você vai ser capaz de calcular o valor exato da sua reserva. Então vamos às contas: 1º passo - Valor médio de consumo mensal = R$ 4.000
2º passo - Tempo suprindo o consumo mensal = seis meses
3º passo - Valor da reserva de emergência: R$ 24.000

Por último, é fundamental saber onde alocar sua reserva. Opte sempre por produtos financeiros de alta liquidez (de preferência imediata ou até em D+2), com rentabilidade suficiente para suprir a inflação (rentabilidade alta não é o foco aqui) e baixa volatilidade (você não pode resgatar valores abaixo dos investimentos para esta reserva). Para facilitar a interpretação, títulos públicos e fundos referenciados DI podem ser boas opções de alocação para a sua reserva de emergência.No futuro, você pode passar por outras crises; valerá a pena ter uma reserva à sua disposição. Pense nisso com carinho.

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CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

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