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“Não” sem culpa

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
Desde quando éramos crianças, ouvimos muitos nãos. Nãos pela nossa segurança, experimentação antecipada, descobertas do que poderia vir e acontecer. Mas, dizê-los é algo que, muitas vezes, precisamos aprender ao longo da vida.
Ter facilidade em falar essas três letras é difícil. Para cada um, este momento desperta uma sensação diferente, pois existe o medo da não aceitação, da inadequação, do desconforto.
É não dizer o não apenas pelo não. É explicitar o porquê dele, expondo realmente o motivo da nossa resposta. Perceber que o não que nós temos buscado usar, cada vez mais é essencial.
Não! Não! Não!
Uma palavra pequena, mas com um impacto grande. Mexe, inquieta, causa acerto e estrago. Dizer não requer muito mais que habilidade e vontade. Requer segurança, autoestima aflorada, aceitação de quem se é e de quem quer ser.
Desenvolver esse fio e confeccionar um tecido transparente, é um exercício diário, leva tempo. Precisa de cuidado, afago.
Isso me faz lembrar da minha infância e adolescência. Muitos nãos sufocados, não ditos, enlutados, que retornaram décadas depois, como uma marca que não se apaga.
Seguir sem falar o que precisamos é como se deixássemos um pedaço de nós se esvair a cada dia, onde a nossa essência transborda como a maré alta, trazendo ondas que vêm e vão, sem cessar. É invalidar aquilo que sentimos e validar o que outro quer que sejamos ou façamos por ele, como se não tivéssemos vontade, opinião própria, autoria, visão de mundo, vida.
Se manter firme ao dizer os nãos necessários é quebrar ciclos. É se respeitar, colocando um ponto final naquilo que era permitido e que já não cabe mais, assim como não cabia lá atrás. É dar limite, se acolher com amor, carinho, compaixão, tendo a certeza que esse momento é um presente e não um peso que convém.
O não agora aparece de forma diferente. Aparece com coragem, sem medo de julgamentos, com força e vontade, chegando para ficar e estar. Mas precisa ser cuidado, regado, entendido, lembrado, dito, senão, fica acanhado, guardado, fechado, esquecido novamente, calado.
E, para isso, não há mais espaço. Os nós que se entrelaçavam e ecoavam internamente já foram suprimidos, derrotados em uma grande e difícil batalha, travada cheia de altos e baixos.
Não desista! Continue na sua evolução e comemore suas conquistas.
Dizer não também é uma forma de autocuidado.
Até a próxima quarta!
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Contato
Site: www.camillafiorito.com.br
Instagram: @camilla.fioritoeduc

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
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