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Dar conta de tudo

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Volta e meia perguntam-me como dou conta de tudo. De tanto tentar responder a essa indagação, reparei que eu também de tempos em tempos confabulo como fulano é capaz de fazer tudo o que faz e seguir sorrindo; como beltrano tem energia para desempenhar tudo o que desempenha e ainda conseguir cozinhar pratos maravilhosos aos fins de semana; como ciclana multitarefas ainda é capaz de praticar atividades físicas diariamente e cumprir uma dieta vegana.

Volta e meia perguntam-me como dou conta de tudo. De tanto tentar responder a essa indagação, reparei que eu também de tempos em tempos confabulo como fulano é capaz de fazer tudo o que faz e seguir sorrindo; como beltrano tem energia para desempenhar tudo o que desempenha e ainda conseguir cozinhar pratos maravilhosos aos fins de semana; como ciclana multitarefas ainda é capaz de praticar atividades físicas diariamente e cumprir uma dieta vegana.

 Andamos assim. Muitos de nós no auge de nossas agendas lotadas ainda nos impressionamos como eles conseguem fazerem tanto, serem tanto e ainda prepararem um bom café da manhã. Talvez não nos damos conta de que eles somos nós e vice e versa. Para muitos de nós pouco importa se a grama do vizinho é mais verde, afinal, nem tempo temos de olhar para a cor da grama dele. Mas ainda assim, admiraremos o vizinho se percebermos no ar, assim, como quem não quer nada, que ele consegue dar conta de tudo e ainda meditar.

Em outras palavras, hoje em dia é praticamente um elogio inalcançável, um lugar no pódio, a garantia de um pedestal. Pode reparar em quando alguém infla o peito para dizer que outro alguém consegue dar conta de tudo. Tem um quê de surpresa e admiração por um feito tão impressionante, ainda mais se o interlocutor for um clássico procrastinador. Agora, definir “tudo” é que são elas. Tudo é deveras vago. Tudo pode ser t-u-d-o. E isso é muito. Tudo por si só é um conceito inalcançável. É o impossível. Ninguém consegue. Mas ainda assim, dar conta de tudo é tudo.

Temos vivido uma época em que as demandas são tantas e de todos os lados, que realmente, fazer o bastante é tarefa para poucos. Parece faltar alguma coisa, como se o copo estivesse cheio o tempo todo, mas com um furo em algum lugar, por onde gotículas escorrem de modo a caber sempre mais um pouco d´água. Um refratário insaciável. Não que isso seja ruim. Pelo contrário. Há até um certo propósito em viver pelo preenchimento, em busca da completude. É privilégio ter gana, força e condições de se fazer tanto todos os dias. Não é para qualquer um.

Da próxima vez que me perguntarem o que faço para dar conta de tanto, responderei: fazendo. E agradecerei pelo elogio. E depois, meditarei.

 

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Economês x Português

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Sabe aqueles termos técnicos utilizados no vocabulário econômico e financeiro? Nesta coluna, vou elucidar 15 dos principais termos que você precisa conhecer.

Amortização: redução gradual de uma dívida baseada em pagamentos periódicos. Além das taxas de juros, um financiamento calcula um determinado valor a ser pago para reduzir a quantia total da operação.

Sabe aqueles termos técnicos utilizados no vocabulário econômico e financeiro? Nesta coluna, vou elucidar 15 dos principais termos que você precisa conhecer.

Amortização: redução gradual de uma dívida baseada em pagamentos periódicos. Além das taxas de juros, um financiamento calcula um determinado valor a ser pago para reduzir a quantia total da operação.

Ativo e Passivo: ativos são bens ou serviços que agregam rentabilidade. Adquirido um ativo, futuramente você terá ainda mais capital do que quando o comprou (investiu); passivos, por outro lado, são bens ou serviços com carga de desvalorização e despesas com o passar do tempo.

Bolsa de Valores: é o mercado responsável pela organização das negociações em sociedades de capital aberto e outros valores mobiliários.

CDB: Certificado de Depósito Bancário são títulos emitidos por instituições financeiras. Na prática, ao adquirir um destes títulos, o investidor está emprestando dinheiro em troca de uma rentabilidade pré definida.

CDI: Certificado de Depósito Interbancário é um dos principais indexadores (taxas de reajustes) dos ativos existentes no mercado financeiro. Título emitido por instituições financeiras para a realização de operações de empréstimos interbancários.

Cofins: A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social é uma tributação federal incidente sobre a receita bruta das empresas e pessoas jurídicas (exceto quando enquadradas no Simples Nacional) destinada ao financiamento da seguridade social.

FGC: Fundo Garantidor de Crédito é uma “entidade privada, sem fins lucrativos, destinada a administrar mecanismos de proteção a titulares de créditos contra instituições financeiras". É o FGC, o garantidor investimentos de renda fixa.

IGPM: Índice Geral de Preços do Mercado é indicador de inflação e incide sobre a correção de valores contratuais (como aluguel).

IPCA: Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, é o índice oficial do Governo Federal para medição das metas inflacionarias. É usado para medir a inflação real refletida ao consumidor.

Liquidez: o período de tempo entre investimento e resgate do capital, podendo haver lucro ou não.

PIB: o Produto Interno Bruto é um indicador de valor para soma de todos os bens e serviços finais produzidos por uma região em determinado período de tempo.

O PIB per capta é este valor dividido pelo número de habitantes da região

PIS/Pasep: o Programa de Integração Social é a contribuição social recolhida por empresas cujos recursos são transformados em benefícios ao trabalhador; como abono salarial, seguro desemprego e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). O Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) funciona de forma semelhante, porém, destinados a servidores públicos.

Rentabilidade: é a capacidade de multiplicar o capital investido.

Selic: o Sistema Especial de Liquidação e Custódia representa o sistema responsável pelo controle de emissão, compra e venda de títulos públicos federais; fazendo desta taxa, a principal ferramenta de controle inflacionário.

Tesouro Direto: o Tesouro Direto é um título público emitido pelo Tesouro Nacional – órgão responsável, também, pela gestão da dívida pública. Ao comprar o título, o investidor está emprestando dinheiro para o Governo Federal em troca de recebimento de juros.

 

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A reforma agrária na Fazenda Rio Grande

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Em Campo do Coelho, terceiro distrito, a Fazenda Rio Grande vinha sendo paulatinamente alienada e suas glebas dando origem a outras propriedades rurais comumente conhecidas como sítios. No entanto, havia duas dessas glebas nessa fazenda denominadas de Serra Nova e Serra Velha onde estavam instaladas 66 famílias colonas. O proprietário colocou à venda as glebas onde estavam instaladas essas famílias. Vieram muitos interessados ver a propriedade aumentando a apreensão entre os colonos sobre o seu destino, caso a alienação se efetivasse.

Em Campo do Coelho, terceiro distrito, a Fazenda Rio Grande vinha sendo paulatinamente alienada e suas glebas dando origem a outras propriedades rurais comumente conhecidas como sítios. No entanto, havia duas dessas glebas nessa fazenda denominadas de Serra Nova e Serra Velha onde estavam instaladas 66 famílias colonas. O proprietário colocou à venda as glebas onde estavam instaladas essas famílias. Vieram muitos interessados ver a propriedade aumentando a apreensão entre os colonos sobre o seu destino, caso a alienação se efetivasse.

Porém, o fato de haver muitos colonos na propriedade dificultou a venda. Foi quando o proprietário propôs alienar as glebas de Serra Nova e de Serra Velha aos próprios colonos, com a interveniência do Fundo de Terras e da Reforma Agrária, através do Banco da Terra, que tinha um programa de linha de crédito fundiário. Para a efetivação da Reforma Agrária o CMDRS, Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, teria que aprovar a certificação de elegibilidade, ou seja, de que a propriedade teria condição necessária para ser explorada na atividade agrícola.

Como já havia colonos há muitas décadas cultivando nessa propriedade, preencheu, de imediato, essa condição. Para adquirirem a propriedade, os colonos criaram duas associações, a Associação Serra Nova dos Trabalhadores Rurais do Município de Nova Friburgo, com 22 famílias e a Associação Serra Velha de Trabalhadores Rurais do Município de Nova Friburgo, com 26 famílias. Nem todas as famílias colonas se interessaram pela compra.

O financiamento feito aos produtores rurais deveria ser integralizado no prazo de 20 anos, em parcelas anuais e sucessivas, sendo o valor das prestações pago em conjunto pelos agricultores das respectivas associações. Em 2022, está previsto o pagamento da última parcela. A gleba Serra Nova da Fazenda Rio Grande tem a dimensão de 220 hectares. Já a de Serra Velha possui 261,2 hectares. Na reforma agrária, o fracionamento da propriedade se fez respeitando a ocupação dos lotes pelos colonos alicerçado nos contratos anteriormente realizados com o proprietário. Logo, as frações não são de igual dimensão e cada um se tornou proprietário da área em que já se encontrava estabelecido.

Alguns questionaram esse modelo de divisão alegando que as áreas deveriam ser demarcadas na mesma dimensão já que pagariam valor idêntico. No entanto, mancomunou-se, entre a maioria dos associados, que cada família colona se manteria nas terras em que já cultivava, ainda que umas fossem maiores do que as outras e as prestações iguais. A aquisição estava condicionada aos produtores rurais residirem no imóvel, darem uma atividade produtiva à sua fração, explorando-a economicamente, cumprirem a legislação ambiental e não poderem vender, gravar, ceder ou transferir a terceiros.

A culminância de interesses convergiu na reforma agrária pacífica, estimulou a formação de líderes, do empoderamento local, manteve a produção agrícola de expressivo número de agricultores familiares e evitou o êxodo rural. É uma referência exitosa no Estado do Rio de Janeiro. O principal objetivo da reforma agrária é a desconcentração e o parcelamento da propriedade fundiária rural.

De todos os distritos agrícolas de Nova Friburgo é no terceiro distrito onde melhor se desenvolve o associativismo. As necessidades e os interesses comuns impulsionaram os agricultores familiares a agirem de forma coletiva através das associações para obtenção de seus objetivos. São organizações autônomas, de adesão voluntária e de gestão democrática, sem interferência de qualquer órgão governamental.

Atualmente existem, em Nova Friburgo, 30 associações rurais, sendo o município com a maior rede associativista do Brasil. Outra ação facilitadora da reforma agrária foi a existência do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável com a participação dos produtores rurais. Já o Sindaf, Sindicato de Agricultores Familiares de Nova Friburgo, o primeiro no Estado do Rio de Janeiro nessa categoria, melhorou a articulação entre os produtores rurais do município. A reforma agrária na Fazenda Rio Grande encontrou ambiente propício para se efetivar, evitando a evasão no campo com impactos sociais desastrosos.

Texto extraído do livro “Teia Serrana 2, Novos Temas, Novas Abordagens”, coordenado por João Raimundo de Araújo e Ricardo da Gama Rosa Costa.

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    Ceasa de Friburgo, onde fica a sede Sindicato de Agricultores Familiares (Acervo pessoal)

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    Fazenda Rio Grande onde ocorreu a reforma agrária (Acervo pessoal)

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    Lavoura no distrito do Campo do Coelho (Acervo pessoal)

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A ignorância é uma bênção

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

O título da coluna de hoje é uma frase de uma fala do professor da Unicamp – Universidade de Campinas, Leandro Karnal.

O título da coluna de hoje é uma frase de uma fala do professor da Unicamp – Universidade de Campinas, Leandro Karnal. Se você for no YouTube encontrará estas declarações dele com o título “A ignorância é uma benção.” Ele comenta que as pessoas que acreditam que a corrupção está ligada a um partido, e que bastaria tirar este partido do poder para ter igualdade no país, são pessoas muito felizes, e que substituíram o culto do Papai Noel e do coelhinho da Páscoa, pelo culto da corrupção isolada, o que não quer dizer, segundo o professor Karnal, que não existam partidos notáveis em corrupção.

A corrupção, diz ele, começa no dirigir pelo acostamento, em pedir ao dentista recibo acima do valor pago para abater no imposto de renda. A corrupção continua quando o pai dá ao filho um atestado para justificar a ausência na prova, quando o filho estava vagabundeando. Ela segue quando colegas que na aula de ética, política e filosofia assina a lista de presença pelo colega que faltou, estudando Spinoza e a sua ética. A corrupção está em todos os lugares.

“Se a corrupção fosse só de um grupo, eu seria muito feliz.”  . ignorância é uma bênção.ejalvesas e ter que suportar a angniras. Talvez um dilema na vida mente e cremos nela. N.. O que fazer com esta ignorância? ... Quando todos gritam na noite do dia 31 de dezembro: Feliz Ano Novo!, eu digo: Vai ser um ano igual a todos, só que mais velho e um ano mais próximo da morte. E como dizer isso sem estragar a festa dos outros, não é?”

“A ignorância é uma bênção. ... A consciência nos torna covardes. Hoje eu jamais vou a qualquer lugar sem reserva de hotel, planilha Excel com tudo anotado, não saio sem remédio para isso ou para aquilo, levo guarda-chuva, casaco, lenço, e se precisar papel higiênico escondido na maleta ... Jovens nunca saem de guarda chuva à rua, jamais. Guarda chuva é sinal de idade. Jovens jamais acreditam que vai chover sobre eles. ... Eu percebo que a vida tem riscos e que a ignorância é uma bênção.”

Quando vejo notícias nos telejornais mostrando o povo freneticamente pulando nas ruas no Carnaval, me pergunto: o que estas pessoas pensam sobre a vida quando acordarem na manhã seguinte sem efeito de qualquer droga, seja álcool, cocaína etc.? Quando também vejo as brigas de torcidas de futebol, ou aquele povo pulando histericamente nas arquibancadas de um estádio, me pergunto: o que elas pensam sobre a vida ao voltarem para casa sentadas no banco do ônibus, do metrô, no próprio carro, ao deitarem em suas camas, ou ao acordarem na manhã seguinte, seja se seu time ganhou ou perdeu?

A ignorância é uma bênção. Não pensar. Não pensar muito. As pessoas normais parece não terem muita consciência do seu inconsciente. Apresentei uma palestra recentemente falando sobre ansiedade excessiva, distorções de pensamento, crenças psicológicas doentias e como consertar isso. No final uma pessoa veio falar comigo dizendo que graças a Deus ela não ficou com nenhum trauma do seu passado infantil, o qual foi difícil, segundo me disse. Mas conheço um pouco esta pessoa e ela é muito agitada, inquieta. A ignorância é uma bênção.

Quanta coisa é jogada para o subconsciente ou para o inconsciente de nossa mente, não é? Quantas verdades são expulsas de nossa consciência por nós mesmos! Não começa aí a corrupção? Podemos rejeitar tanto, tantas vezes uma verdade que a mentira passa a ser verdade em nossa mente e cremos nela. Como exemplo disso, acho que cabe aqui citar aqueles políticos religiosos que fizeram uma oração agradecendo a Deus pela propina adquirida. A verdade repelida de nossa consciência nos faz cínicos.

Por outro lado, a verdade pode ir acabando com as nossas mentiras. Talvez um dilema na vida seja ficar ignorante para não sofrer muito, ou saber das coisas e ter que suportar a angústia do conhecimento?

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O Brasil, infelizmente, entra na lista da infecção pelo corona vírus

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Apesar de ser uma terra abençoada por Deus, na terça-feira, 25, o Brasil registrou seu primeiro caso de infecção por corona vírus. Trata-se de um brasileiro que estava na Itália, a trabalho e já desceu do avião com os sintomas característicos da doença, a saber, febre, irritação na garganta e tosse, coriza, dificuldades para respirar, aliás, em tudo semelhante a uma gripe comum. Mas, o diferencial é a frequência das infecções do trato respiratório baixo, com o aparecimento das pneumonias, casos mais graves e que podem levar à morte.

Apesar de ser uma terra abençoada por Deus, na terça-feira, 25, o Brasil registrou seu primeiro caso de infecção por corona vírus. Trata-se de um brasileiro que estava na Itália, a trabalho e já desceu do avião com os sintomas característicos da doença, a saber, febre, irritação na garganta e tosse, coriza, dificuldades para respirar, aliás, em tudo semelhante a uma gripe comum. Mas, o diferencial é a frequência das infecções do trato respiratório baixo, com o aparecimento das pneumonias, casos mais graves e que podem levar à morte.

O brasileiro em questão veio da Lombardia, região norte da Itália, país que está registrando um grande surto da doença. Com a intensificação de seus sintomas, ele procurou o hospital israelita Albert Einstein, na capital paulista e os testes foram positivos para o SARS-CoV-2 (novo corona vírus). Apesar da positividade inicial foi feita uma contra prova, no Instituto Adolf Lutz, que confirmou, na quarta feira 26, tratar-se de uma infecção pelo novo vírus.

De acordo com a nota do Ministério da Saúde, o corona vírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente, denominado SARS-CoV-2) foi descoberto em 31 de dezembro de 2019 após casos registrados na China, mais especificamente na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, considerado o foco inicial da doença chamada de novo corona vírus (COVID-19).

Eles foram isolados pela primeira vez, em humanos, em 1937, no entanto, só em 1965 surgiu a denominação atual do vírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa. A maioria das pessoas se infecta com os corona vírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a contraírem suas tipagens mais comuns, o alpha corona vírus 229E e NL63 e beta corona vírus OC43, HKU1.

As investigações sobre as formas de transmissão ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação por gotículas respiratórias ou contato, está ocorrendo. Qualquer pessoa que tenha contato próximo (cerca de um metro) com alguém com sintomas respiratórios está em risco de ser exposto à infecção.

Apesar disso, a transmissão do corona vírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como: gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão; contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

O período médio de incubação desses vírus é de cinco dias, com intervalos que podem se estender até 12 dias, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde o contato inicial.

Talvez, o fato de só agora o Brasil estar sofrendo os efeitos dessa verdadeira pandemia, seja pelas condições climáticas, pois aqui no hemisfério sul, estamos no verão e as pessoas ficam mais fora de casa. Já no hemisfério norte é inverno, com temperaturas baixas o que obriga as pessoas a ficarem confinadas em ambientes fechados, propiciando uma maior propagação da contaminação.

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o novo corona vírus. Entre elas estão: lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool. Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas. Evitar contato próximo com pessoas contaminadas. Ficar em casa quando estiver doente. Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo. Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção). Como o carnaval já terminou, onde a concentração de pessoas é muito grande em função da frequência a blocos de rua, desfiles das escolas de samba e muita gente nas arquibancadas, e não foi registrado nenhum caso da infecção, é torcer para que esse caso de São Paulo seja um fato isolado. No entanto, as autoridades devem rastrear passageiros e tripulação desse voo que chegou em Guarulhos, pois o risco de novos casos é grande. O resto é torcer para que seja mesmo um caso isolado.

Aos primeiros sintomas, a pessoa deve procurar imediatamente um serviço de saúde, pois tratamento precoce é fundamental para um pronto restabelecimento.

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Carnaval

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas.

Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas.

 É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com o título de civilização.             Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.

Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.

Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.

Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho. Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem? Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro das suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.

 É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloquente atestado de sua miséria moral.

Médium Chico Xavier; espírito Emmanuel, em julho de 1939

CENTRO ESPÍRITA CAMINHEIROS DO BEM – 62 ANOS
Fundado em 13/10/1957
Iluminando mentes – Consolando corações
Rua Presidente Backer, 14 – Olaria - Nova Friburgo – RJ
Reuniões doutrinárias: quartas-feiras, 14h; quintas-feiras, 20h e domingos, 17h.
E-mail: [email protected]
Visite a Banca do Livro Espírita na Avenida Alberto Braune.
Programa Atualidade Espírita, do 8º CEU, na TV Zoom, canal 10 – sábados, às 9h.

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Muda o tempo, muda a alegoria e o Carnaval continua nas paradas!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Na viagem de hoje nós vamos no cordão de Ana Borges: “É tempo de viver como se não houvesse amanhã, se divertir e ser feliz”, E o Caderno Z é o primeiro a puxar o cordão da felicidade, mostrando que, “através dos tempos”, a história do Carnaval passou por várias transformações, mas não perdeu o seu caráter brincalhão, crítico e satírico. De Dioniso (Baco) ao expresso 2020, o que era festa não deixou de ser, pois as comidas, as bebidas, as danças, as fantasias, os confetes e as serpentinas continuam no centro das atenções carnavalescas.

Na viagem de hoje nós vamos no cordão de Ana Borges: “É tempo de viver como se não houvesse amanhã, se divertir e ser feliz”, E o Caderno Z é o primeiro a puxar o cordão da felicidade, mostrando que, “através dos tempos”, a história do Carnaval passou por várias transformações, mas não perdeu o seu caráter brincalhão, crítico e satírico. De Dioniso (Baco) ao expresso 2020, o que era festa não deixou de ser, pois as comidas, as bebidas, as danças, as fantasias, os confetes e as serpentinas continuam no centro das atenções carnavalescas.

É certo que a exuberância do carnaval ganhou ainda mais glamour com as inovações de produtos para compor e decorar as fantasias. A friburguense Lais Jaccoud, que deixou a arquitetura para ser DJ, é a personificação do glitter. A “Glitterada”, como é chamada, nasceu no berço da folia, pois sua avó materna é uma das fundadoras do bloco Otávio e Carolina, do distrito de Amparo. Daí se vê seu DNA.

O Carnaval é também uma festa de cuidados com a saúde. Os médicos alertam sobre os perigos de se contrair doenças como herpes, mononucleose e outras mais. Para quem desconhece, a mononucleose é a doença do beijo. Mas nada que um bom repouso, boa alimentação, líquidos em quantidade e paciência não curem. As dicas das “rebordosas” são muito úteis também. A quarta-feira de cinzas é ótima para o acerto de contas com o organismo. Eu até sugiro que a página 14 do “Z” fique em local de destaque para ser consultada o ano inteiro, porque todo dia pode ser um dia de festa e de exageros.

A cultura universal tomou conta do reinado momesco. Basta observar os enredos das escolas de samba e se deliciar com aulas incríveis. A capacidade criativa humana consegue percorrer os meandros de culturas variadas, levando ao público espetáculos de primeira grandeza. O trabalho das escolas é fantástico e merece muita reverência.  Wanderson Nogueira resume tudo: “Celebro escola de samba como escola da vida. Dando seu banho de cultura, com verdadeira aula, palestra, seja qual for o enredo que traga”. Totalmente, partilho dessa ideia. Amo essa essência que anima o povo brasileiro.

E o futebol, como se compara ao carnaval? Eu penso que os dois começam no pé, seja na bola rolando ou no batuque do samba. Em  Nova Friburgo já temos uma gama de foliões que se divide entre o  Máquina Tricolor , o Urubu da Serra, o Gigantes da Serra e o mais recente, Alvinegros da Serra. É isso aí, comer e sambar é só começar!

Em “Mulheres Símbolos do Carnaval”, a simbologia friburguense está muito bem representada. Marly Pinel é presença hors-concurs em nossa cidade. Aliás, costuma-se dizer que o espaço entre uma agremiação e outra é uma pausa necessária para dar tempo de Marly Pinel trocar a fantasia. Lucimar Corrêa é outra que tem o samba na alma e quando se trata da “Alunão” , ela confessa: “A Alunos do Samba é a minha casa”.

Rosângela Cassano também é um ícone dos mais brilhantes e, recordando momentos marcantes e felizes, não perde as origens, pois começou na folia quando era “muito pequenina e fofuxa”. Saudosa de sua mãe, Eda Cassano, de quem segue os passos, Rosângela este ano é a “Rainha Elisabeth”, na Vilage no Samba, sua outra paixão.

Festejar aniversário no carnaval deve ser uma sensação mil vezes mais feliz. Essa experiência está na agenda dos aniversariantes Tony Ventura, Margô Emerick e do nosso colega Fernando Moreira, de quem tive o prazer de conhecer a mãe outro dia (minha conterrânea da Filó). Contudo, emoção maior está nos 103 anos do senhor Abdo Carim. Que beleza permear a quarta-feira de cinzas com as luzes do querido Abdinho.

Um viva para Silvério que acerta sempre em cheio, desta vez fazendo selfie  nas águas da saudade de todo nós. “Fantasia: Véu da Noiva” – Longe de ser impossível, a fantasia é sonhar com o véu jorrando água novamente. Porém, como diz um antigo samba-enredo, “sonhar não custa nada”. Dizem que o sonho é meia felicidade e a outra metade está na ação destemida. Linda semana e feliz jornal para todos nós. Um abraço especial aos leitores que amam a nossa viagem e me param nas ruas para os elogios carinhosos.

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Um momento de carnaval

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Hoje é tempo de sentir as ideias vibrarem com o ritmo de carnaval, que é levado pelos ares, explodindo nas ruas e ecoando entre os prédios de Nova Friburgo. Os ventos fazem as folhas balançarem nos galhos das árvores e caírem com leveza no chão. As imagens vagueiam pela cidade, dando tom às palavras que narram as folias de carnaval.

Eis que neste dia, cada vida tem o seu momento carnavalesco e faz a própria história acontecer. Todos se encontram na divina cena carnavalesca, movidos ou não por emoções vibrantes.

Hoje é tempo de sentir as ideias vibrarem com o ritmo de carnaval, que é levado pelos ares, explodindo nas ruas e ecoando entre os prédios de Nova Friburgo. Os ventos fazem as folhas balançarem nos galhos das árvores e caírem com leveza no chão. As imagens vagueiam pela cidade, dando tom às palavras que narram as folias de carnaval.

Eis que neste dia, cada vida tem o seu momento carnavalesco e faz a própria história acontecer. Todos se encontram na divina cena carnavalesca, movidos ou não por emoções vibrantes.

A rainha da bateria, enfeitada com plumas verdes e coberta de purpurina, esbanja beleza na avenida. O homem bate bumbo com a força do coração. O apaixonado segura o celular nas mãos. A menina, vestida de odalisca e de mãos dadas com o pai, caminha pela calçada. Diante dos jurados, com roupas nobres, o mestre-sala gentilmente se ajoelha para dar suporte à porta-bandeira, que baila com beleza. O menino, fantasiado de batman, corre atrás do Robin. Arlequins e pierrôs se enfrentam diante das colombinas na primeira ala da escola de samba. A mulher de batom vermelho e cabelos grisalhos samba e bate palmas na janela. O prefeito e seu secretariado acenam aos filões do palanque. O homem oferece um copo de cerveja à mulher na porta do bar. O cachorro anda atrás de outro sem se assustar com o batuque do carnaval. Nas alas, os foliões fazem coreografias e cantam o samba-enredo da escola que desfila na avenida. O bancário olha para o relógio e espera sua filha chegar. Os chefes das alas comandam a harmonia dos carnavalescos. O guarda sente o chão da Alberto Braune tremer. A criança chora no quarto sem conseguir dormir. O casal de namorados, encostado na parede, perde a noção do tempo num longo beijo. O gato mia na esquina. As celebridades esbanjam alegria no alto dos carros alegóricos. Os periquitos, entre uma dormitada e outra, se agitam na gaiola. Os dançarinos, com belas fantasias, vão abrindo o desfile avenida afora. O velho de cadeira de rodas toma a sopa do jantar. A vendedora oferece sacos de confetes e serpentina pela calçada. As baianas rodopiam incessantemente no meio da avenida. O paciente morre no hospital. Os espectadores, sentados nas arquibancadas, ficam entusiasmados com o esplendor das cores. Dois motoristas brigam por uma vaga na rua transversal. O malandro de camisa listrada vai empurrando o carro alegórico e tirando o suor da testa. Um casal de gêmeos nasce no hospital. O puxador do samba-enredo dá o seu melhor. O zelador limpa a portaria do prédio. O médico corre para a sala de emergência. O público aplaude. O pipoqueiro mexe a pipoca quente. As adolescentes se pintam umas às outras diante do espelho. O patrono da escola enche o peito de orgulho. Dois amantes fazem sexo à meia luz. A longeva canta marchinhas de carnaval da sua infância. A festa toma conta de cidade. E eu escrevo.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Aula de escola de samba

sábado, 22 de fevereiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Ainda muito criança, quando mal sabia adequar as cores aos desenhos, já me encantava com o colorido que pintava as avenidas no carnaval. Lembro que minha tia levava a mim e meus irmãos para a Alberto Braune para assistir aos desfiles, pequeninos, no meio da multidão. As alegorias, as fantasias, aquela gente toda me causava grande fascínio.

Ainda muito criança, quando mal sabia adequar as cores aos desenhos, já me encantava com o colorido que pintava as avenidas no carnaval. Lembro que minha tia levava a mim e meus irmãos para a Alberto Braune para assistir aos desfiles, pequeninos, no meio da multidão. As alegorias, as fantasias, aquela gente toda me causava grande fascínio.

Gostava também de folhear jornais. Meu pai acumulava muitos exemplares para forrar os tapetes do seu velho, já àquela época, Chevette 74. Vendo as fotos dos desfiles do Rio, logo me deparei com uma que me chamou a atenção mais do que as demais. No retrato, uma água azul e branco. Na pressão de torcer para um time de futebol, um partido político, uma escola de samba, logo perguntei à minha mãe: que escola é essa? 

Mesmo antes da resposta, me convenci: é para essa que eu vou torcer! Ela me respondeu: Portela. Nunca mais esse nome e aquelas cores saíram da minha mente. Desde então, acompanho a Portela e cada vez que ela entra na avenida, choro de emoção.

Aqui em Nova Friburgo, essa pressão de torcer por uma escola de samba, não me pegou. E, isso não é para fugir da raia, não! Meus primeiros anos de vida foram no Perissê, bem perto da quadra da Unidos da Saudade. Depois mudei para Olaria, com meus quatro anos... Lá, morei até a minha adolescência. Quando criança, me fascinava o carro alegórico que trazia o Zé Carioca. Mas não podia torcer para aquela escola, porque não era a do meu bairro. 

Depois, me mudei para o Floresta e a confusão se fez. Ou seja, passei pelos ninhos da Saudade, da Imperatriz e do Alunão. Mas o que me encanta é a águia da Portela, símbolo da Vilage. Então, mesmo não tendo morado perto da Verde e Branco me sinto autorizado a torcer por ela – também. 

Confesso, para não parecer que sou de ficar em cima do muro, que cada ano torço para aquela em que tenho mais amigos ou que tem o samba mais bonito. Já passei apuração com o coração batendo mais forte por cada uma das quatro.

Celebro a escola de samba como escola da vida. Dando seu banho de cultura com verdadeira aula, palestra, seja qual for o enredo que traga. Ensinamento, protesto, destaque para detalhes que muitas das vezes passam despercebidos no ensino colegial e na própria caminhada da vida. Verdadeiras teses construídas por gente muito simples, não raro até semianalfabetas. 

Na costura da saia da baiana, no adereço da comissão de frente, nas alegorias de esculturas com ou sem efeitos especiais. No samba-enredo. Na paradinha da bateria. Tudo vibra. Tudo canta. Tudo se complementa e todos são iguais, com a mesma importância. Nessa simplicidade envolta de luxúria e criatividade, antagônicos se misturam e se respeitam no sentido de ensinar no grito do povo que liberdade não tem preço e que axé e fé são a mesma coisa. 

E, como aprendemos que “mais vale um jegue que me carregue, do que um camelo que me derrube lá no Ceará”. Pois carnaval tem história para gente grande dormir, no compasso necessário da crítica social.  

 

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Alegria, alegria

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Pesquisa de campo: Quem gosta de carnaval? Levante a mão aquele que consegue não se contagiar com a energia que paira sobre nós nessa época do ano. Não há como negar, fica uma euforia no ar. Se pararmos para observar atentamente até mesmo o tal “pré carnaval”, perceberemos que mesmo esses dias que antecedem a folia são mais agitados, mais coloridos. Parece que as pessoas estão mais afobadas, o trânsito um tanto mais confuso e há até aqueles que emendam o feriadão, quando não resolvem ainda começar efetivamente o ano tão-somente após a folia.

Pesquisa de campo: Quem gosta de carnaval? Levante a mão aquele que consegue não se contagiar com a energia que paira sobre nós nessa época do ano. Não há como negar, fica uma euforia no ar. Se pararmos para observar atentamente até mesmo o tal “pré carnaval”, perceberemos que mesmo esses dias que antecedem a folia são mais agitados, mais coloridos. Parece que as pessoas estão mais afobadas, o trânsito um tanto mais confuso e há até aqueles que emendam o feriadão, quando não resolvem ainda começar efetivamente o ano tão-somente após a folia.

A arte contagia. É lindo de viver! Há pessoas que trabalham todos os seus dias em nome dela. Mas não consigo conceber que a manifestação cultural brasileira tenha vindo com o propósito de resetar o ano, como tanta gente insiste em fazer. Carnaval não é réveillon, mas ainda assim só depois dele é que muitas coisas voltam a acontecer. Ou começam. Divisor de águas, ou melhor, de ano. É isso que ele é? Contamos dias para a sua chegada, acumulamos projetos, planos, roteiros e mesmo horas de sono para quitarmos no “feriadão”. Eu mesma ando sonhando e somando quantas horas conseguirei quitar na cota do descanso por ocasião do carnaval.

Fato é que o povo se diverte, espairece, esquece por algum tempo de suas mazelas e de alguma maneira vive sua catarse existencial. É tempo em que todo mundo pode ser amigo de todo mundo, que há mais braços envolvidos em abraços, mais sorrisos largos e brilhos no olhar, músicas por toda parte, uma alergia genuína teima em brotar, quem quer se veste de palhaço ou qualquer fantasia, há oportunidade para extravasar e alguns ainda ganham seus dias de desocupação. Ô, que alegria!

Nem tudo são flores, entretanto. Nesses dias de folia, há muita gente frustrada, assistindo de posições não privilegiadas a folia alheia. Há gente sobrecarregada de trabalho. Os limites do respeito por vezes são esquecidos e infelizmente os casos de assédio contra mulheres são ainda mais frequentes. Da mesma forma, posso presumir pelo empirismo que muitos condutores dirigem dominados pelo efeito do álcool, pondo em risco suas vidas e submetendo o risco real aos outros. Sem contar a sujeira nas ruas. As brigas. A violência. O consumo de drogas. Acontece, infelizmente.

No carnaval, por vezes, refletimos também a educação que não temos. A infraestrutura que não temos. O espírito coletivo que não temos. O respeito pelo próximo que obviamente deveríamos ter, que não temos enquanto sociedade. Infelizmente. Não há como escapar. Não habitamos um planeta diferente esses dias. Continuamos sendo parte do que somos todo santo dia, ainda que inebriados pelos dons da folia.

Mas para quê pensar sobre isso? Afinal, é carnaval. Alegria, alegria...

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