Blogs

Ponto crítico

quinta-feira, 14 de maio de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Para pensar:
"É nos momentos de decisão que o seu destino é traçado.”
Anthony Robbins

Para refletir:
“Quando surgirem os obstáculos, mude a sua direção para alcançar a sua meta, mas não a decisão de chegar lá.”
Autor desconhecido

Ponto crítico

Basta olhar com atenção aos detalhes à nossa volta para notar que estamos nos aproximando, também aqui em Nova Friburgo, de um ponto crítico dentro dos esforços de enfrentamento ao novo coronavírus.

Para pensar:
"É nos momentos de decisão que o seu destino é traçado.”
Anthony Robbins

Para refletir:
“Quando surgirem os obstáculos, mude a sua direção para alcançar a sua meta, mas não a decisão de chegar lá.”
Autor desconhecido

Ponto crítico

Basta olhar com atenção aos detalhes à nossa volta para notar que estamos nos aproximando, também aqui em Nova Friburgo, de um ponto crítico dentro dos esforços de enfrentamento ao novo coronavírus.

Zona de segurança

Por um lado, a evolução da doença atingiu um patamar no qual é imperioso que a taxa de propagação de cada contagiado seja reduzida, sob pena de saturação das redes pública e privada, com impactos mais negativos sobre a capacidade de atendimento a não apenas esta, mas qualquer outra doença ou condição que demande cuidados intensivos.

Cruzar essa fronteira significa adentrar terreno inseguro e hostil, sem distinção de grupo de risco.

Por aí

Diante da estimativa oficial de subnotificação, é razoável imaginar que aproximadamente mil friburguenses já tenham tido contato com o vírus, o que significa dizer que quem passa em frente às enormes filas de bancos ou vai ao mercado tem chances consideráveis de topar com um transmissor da Covid-19 antes de voltar para casa.

É, enfim, um momento perigoso, no qual qualquer comportamento pode gerar efeitos amplificados.

Limite

Por outro lado, são igualmente claros os sinais de que muitas reservas econômicas estratégicas - quer seja para empresas, quer seja para famílias - estão se esgotando entre os setores mais afetados pelo isolamento social.

E, da mesma forma como a realidade da saúde se altera a partir do ponto de saturação das redes de atendimento, a realidade econômica perde sustentação a partir do momento em que empregos são perdidos e compromissos deixam de ser honrados.

Enquanto há reservas, o dinheiro circula e os efeitos são brandos. Quando estas terminam, a realidade se altera rápida e drasticamente.

Exemplo

A escolas particulares parecem representar um bom exemplo desse tipo de situação.

Muitos esforços vêm sendo levados adiante no sentido de oferecer a melhor experiência de ensino a distância, e é razoável acreditar que teremos aprimoramentos grandes e rápidos nessa frente nos próximos meses.

Todavia, ninguém pode assegurar quando as aulas presenciais vão retornar, e muitos profissionais autônomos enfrentam, neste exato momento, um profundo dilema em relação ao que fazer quanto ao futuro escolar de seus filhos.

Coletivo

Naturalmente, há que florescer a consciência de que todos aqueles que não estão sendo diretamente afetados pela quarentena concentram agora uma responsabilidade histórica para com a sociedade.

Se existem meios para continuar honrando as despesas habituais, é importante que elas sejam honradas. Se existem meios de continuar pagando os profissionais que lhe prestavam serviço, então isso deve ser tratado como prioridade.

A melhor rota de superação da crise reside em todos pensarem de maneira coletiva.

Colapso

Naturalmente, quem não suporta mais a asfixia econômica tende a buscar argumentos contrários ao isolamento e, em tempos de pós-verdade, há até mesmo quem fabrique informações convenientes onde estas não brotam naturalmente.

Em meio a tudo isso, há ainda quem desrespeite deliberadamente as recomendações de segurança, fazendo sua parte para que a sociedade fique com o pior dos dois mundos: os danos econômicos sem a plenitude dos benefícios da quarentena.

Buzinaço

De forma previsível, vozes favoráveis à flexibilização da quarentena começam a se organizar, inclusive através de grupos de WhatsApp.

Um buzinaço, por exemplo, vem sendo proposto para esta sexta-feira, 15, a partir das 14h, provavelmente com deslocamento até a prefeitura.

E aí?

Razão

Bom, obviamente essas vozes precisam ser ouvidas e levadas em consideração, mas a razão nos diz que políticas públicas precisam ser erguidas com base em informações confiáveis e atualizadas, e através da análise de danos e benefícios.

Apenas a transparência absoluta e o diálogo aberto parecem capazes de evitar que atinjamos o “Paradoxo da Onipotência”, “quando uma força imparável encontra um objeto inamovível”.

Urgente

Mais do que buzinas, precisamos de uma conversa franca e pública, e para ontem.

A Secretaria de Saúde, hospitais particulares, empresários e autônomos precisam estar em contato, preferencialmente com a mediação do poder público e dando transparência a toda a população, em busca de pontos de interseção e soluções capazes de respeitar o quanto cada um pode ou precisa ceder.

Portas abertas

Diante desta necessidade tão evidenciada, a coluna abre as portas a todos estes atores para que façam uso deste espaço a fim de expor suas necessidades e possibilidades, pedindo apenas que o façam de maneira franca, honesta e respeitosa.

À Saúde, perguntamos: existe margem para flexibilização? Se sim, de que forma?

Aos empresários e trabalhadores afetados diretamente, quais as medidas que acreditam concentrar os melhores benefícios econômicos e os menores riscos de contágio?

Único caminho

O colunista acredita piamente que essa crise não será superada no grito, na politização, no “pagar para ver” ou em meio a ofensas de parte a parte, mas no diálogo maduro, na transparência, e no pensamento coletivo.

E queremos fazer a parte que nos cabe nesse esforço.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Nova Friburgo: terra de índios brabos

quinta-feira, 14 de maio de 2020
por Jornal A Voz da Serra

O município de Nova Friburgo faz aniversário no próximo sábado, 16. Este ano farei diferente. Ao invés de escrever sobre a história de sua fundação vou apresentar aqui os índios que habitavam a região no qual Nova Friburgo fazia parte. A carta geográfica elaborada em 1767, descrevia as regiões Serrana e Noroeste fluminenses como sertão ocupado por índios brabos.

O município de Nova Friburgo faz aniversário no próximo sábado, 16. Este ano farei diferente. Ao invés de escrever sobre a história de sua fundação vou apresentar aqui os índios que habitavam a região no qual Nova Friburgo fazia parte. A carta geográfica elaborada em 1767, descrevia as regiões Serrana e Noroeste fluminenses como sertão ocupado por índios brabos.

A palavra sertão significa que estavam distante da costa marítima e os índios brabos eram considerados pelo governo como não “civilizados”. Tratava-se das tribos Coroado e Puri. Iniciou-se nesses sertões a exploração do ouro de aluvião. Esgotado esse minério, os beneficiários de terras doados pelo governo, denominados de sesmeiros passaram a derrubar a mata e explorar a madeira contratando para tanto os índios. Cultivavam na clareira roças de milho, feijão, fumo, tubérculos, frutas, criaram animais e instalaram engenhocas de produção de açúcar.

Décadas depois viria a cultura do café. Havia ainda posseiros que recorriam à ocupação clandestina infiltrando-se sorrateiramente nas terras indígenas, fazendo plantações e legitimando a seguir as terras usurpadas. Os sesmeiros e posseiros eram originários da Capitania de Minas Gerais e colonos portugueses provenientes dos Açores e da Ilha da Madeira. Outro grupo que igualmente partiu em busca de terras nesses sertões foram famílias de colonos suíços que abandonaram a Vila de Nova Friburgo buscando terras mais férteis.

Tudo isso contribuiu para a perda cada vez maior das terras legitimamente ocupadas pelos índios das tribos Coroado e Puri. Para dar tranquilidade aos novos povoadores desses sertões foram instalados aldeamentos pelos frades capuchinhos italianos. O primeiro deles no final do século 18, onde hoje é o município de São Fidélis e o outro aldeamento no atual município de Itaocara. Ambos eram habitados pelos coroados e puris. No entanto, essas aldeias já se encontravam bem miscigenadas em meados do século 19.

Diferentemente dos jesuítas que excluíam qualquer homem branco junto aos indígenas, os capuchinhos admitiam a miscigenação nos aldeamentos. No ano de 1820, boa parte do território de Cantagalo é desmembrado para dar origem ao município de Nova Friburgo, criado especialmente para abrigar colonos suíços. O juiz Cansanção de Sinimbu determinou a reserva para o patrimônio da vila de Nova Friburgo um quarto de légua da fazenda do Córrego d’Anta. Segundo ele, como habitavam índios no território dessa propriedade, pelo Aviso de 3 de dezembro de 1819, foram removidos e aldeados em outro lugar a fim de se tornaram “civilizados” e não incomodarem os colonos suíços que eram esperados.

O pesquisador Carlos Jayme Jaccoud confirmou que em Córrego d’Antas foi encontrado um machado de pedra polida na propriedade de sua família. Ao realizar um documentário no terceiro distrito onde se situa a localidade de Córrego d’Antas, para minha grata surpresa encontrei em um acervo particular peças polidas de artefatos indígenas localizadas na própria região.

Na Fundação D. João VI há uma correspondência oficial de 23 de novembro de 1824, fazendo referência de que índios foram empregados para abrir picadas nos terrenos doados aos colonos suíços. Trata-se de um curioso relato envolvendo o colono suíço Joseph Hecht nos informa sobre a presença de índios na região. “Nós, os colonos suíços vimos muitos índios (...) totalmente selvagens que logo empreendiam fuga, inteiramente nus; os meio mansos ficaram parados timidamente à nossa vista e se escondiam atrás das árvores enquanto as mulheres cobertas com uma tanga sentavam-se rapidamente no chão como para esconder a sua vergonha (órgão genital).”

Hecht sugere que os indígenas faziam pequenos furtos nas fazendas e relata que matavam “os negros do fazendeiro” imaginando que tais homens, “negros como carvão”, não fossem humanos. Os escravos fugiam dos índios desesperadamente. Qual é o lugar dos índios na história do Brasil? Normalmente invisíveis enquanto sujeitos históricos. No entanto, nas últimas décadas muitos historiadores têm demonstrado o protagonismo dos indígenas na história do país principalmente na questão envolvendo conflitos de terra e resistência em relação à política assimilacionista dos governos colonial e imperial.

Nos dois últimos séculos, os índios vão passando da invisibilidade construída para o protagonismo conquistado em movimentos políticos e intelectuais nos quais eles próprios têm participação. A cada mês até o fim desse ano, me comprometo a escrever um artigo sobre os coroados e os puris para que possamos conhecer as práticas culturais e vida material dos “índios brabos” que habitavam os sertões da região serrana fluminense. 

  • Foto da galeria

    Encontrei em um acervo particular, peças polidas de artefatos indígenas em Nova-Friburgo

  • Foto da galeria

    Litografia dos índios Coroados

  • Foto da galeria

    Litografia dos índios Puri

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A dor do passado pode machucar no presente

quinta-feira, 14 de maio de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Queixa principal (QP) é o que o paciente comenta como motivo da consulta. Em psiquiatria/psicologia ela pode ser “depressão”, “pânico”, “medo excessivo (fobia)”, “pensamentos obsessivos”, “insônia”, “problemas conjugais”, “problemas com filho”, “abuso de drogas”, “delírios, alucinações, ideias de perseguição” etc.

Queixa principal (QP) é o que o paciente comenta como motivo da consulta. Em psiquiatria/psicologia ela pode ser “depressão”, “pânico”, “medo excessivo (fobia)”, “pensamentos obsessivos”, “insônia”, “problemas conjugais”, “problemas com filho”, “abuso de drogas”, “delírios, alucinações, ideias de perseguição” etc.

A queixa principal na consulta psiquiátrica/psicológica nem sempre revela o essencial do problema da pessoa. Mas é o que ela fala como sendo seu sofrimento atual. O profissional vasculhará isto e procurará formular o “diagnóstico psicodinâmico” que é a história profunda do sofrimento manifestada só pela queixa principal na primeira consulta.

A queixa principal pode ser a ponta do iceberg, a gota d’água que faltava para desencadear o sofrimento que motivou a consulta. Uma pessoa pode relatar ao médico que precisa de ajuda, por exemplo, para o estado depressivo iniciado após o término de um relacionamento. A queixa principal, neste caso, é: “Vim aqui porque estou deprimido.” A causa percebida pela pessoa é: “Estou assim desde que ele/ela me deixou.”

Entretanto, a verdade profunda que explica o sofrimento pode ser a perda afetiva ao longo da infância pela criação com uma mãe ríspida, fria, ou com um pai ausente, agressivo, que afetou o mundo emocional da pessoa. O rompimento do relacionamento foi o fator desencadeante do estado depressivo, mas não o único e talvez não o principal fator causador dele.

Muitos tiveram uma infância numa família complicada, crescendo com “má-nutrição” afetiva, que produz diferentes manifestações em pessoas diferentes. Pessoas que saíram de uma infância turbulenta, por exemplo, com um pai (ou mãe) alcoólico em que havia violência, podem ter na vida adulta problemas diferentes embora o sofrimento tenha sido causado pela mesma história, no caso, um pai/mãe alcoólico violento. Numa mesma família um filho poderá ter alcoolismo, outro pânico, outro depressão, outro nada grave.

Também diferentes histórias de sofrimento infantil produzem o mesmo tipo de transtorno emocional. Numa família pode ter ocorrido abuso sexual, em outra espancamento da criança, em outra a mãe era rejeitadora e fria, em outra ainda havia um pai irritadiço, explosivo. Filhos destas diferentes famílias com estruturas doentias comportamentais diferentes podem apresentar na vida adulta o mesmo diagnóstico, todas podendo ter, por exemplo, depressão, embora o sofrimento da infância tenha sido causado por histórias diferentes.

Uma jovem criada por um pai um tanto ausente e por uma mãe fria que não tinha paciência com ela, engravidou na adolescência e sua mãe não a ajudou e a rejeitou. O pai fez o mesmo, e a jovem foi morar com outro parente, que a acolheu. Felizmente ela não sucumbiu murchando como pessoa devido a esta estrutura emocional com negligência afetiva paterna e materna. Por razões temperamentais e razoável capacidade de lidar com a frustração, ela não se deprimiu, não ficou com alguma manifestação psicológica muito sofrida e limitante até chegar na vida adulta, após o casamento.

Durante um tempo a mente dela conseguiu lidar bem com a falta e necessidade de apoio emocional paterno e materno. Mas no casamento passou a ter ciúmes exagerados do marido. Passou a monitorar a vida dele, ficando obsessiva sobre se ele demonstrava paciência, afeto, atenção, se irritando demais ao não se sentir amada, checando sempre o celular dele. Ela se depreciava e inconscientemente buscava autovalorização num amor idealizado para com o marido. Era como se dissesse para si: “Só tenho valor se ele me amar do jeito que eu quero.”

A queixa principal dela na primeira consulta foi: “Sou muito ciumenta!” A história completa deste ciúme doentio era ligada às perdas da nutrição afetiva ao longo da vida, desde a infância, que começaram a manifestar-se no casamento através do desejo idealizado de receber afeto. Nenhum marido/esposa pode fornecer ao cônjuge todo o afeto desejado pela pessoa porque parte deste desejo geralmente tem que ver com o que faltou na infância com os pais, e/ou com necessidades exageradas da criança de receber afeto. A solução não é, portanto, procurar a pessoa ideal. É aceitar as perdas, valorizar o amor que recebe da pessoa com quem vive, resolver pendências conjugais, e lutar contra a obsessão pelo afeto, obsessão que pode gerar ciúme doentio, o qual gera crises, abusos e até violência. Nosso valor como pessoa não depende do amor de outra pessoa por nós.

Então, pense bem e procure analisar se o que você chama de “minha queixa principal” ou “meu problema mental pior” é realmente isto que você pensa que tem que ver só com o presente, ou se não pode haver raízes dele lá no seu passado e que repercute hoje ainda.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Franqueza

quarta-feira, 13 de maio de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Para pensar:

"Existe sempre uma grande demanda por novas mediocridades. Em todas as gerações, o gosto menos desenvolvido tem o maior apetite.”

Paul Gauguin

Para refletir:

“A curadoria colaborativa de dados se tornou uma atividade central desta década. Tudo aquilo que fazemos na internet tem influência na memória coletiva. Todos têm este poder, que vem junto com a responsabilidade.”

Pierre Lévy

Franqueza

Para pensar:

"Existe sempre uma grande demanda por novas mediocridades. Em todas as gerações, o gosto menos desenvolvido tem o maior apetite.”

Paul Gauguin

Para refletir:

“A curadoria colaborativa de dados se tornou uma atividade central desta década. Tudo aquilo que fazemos na internet tem influência na memória coletiva. Todos têm este poder, que vem junto com a responsabilidade.”

Pierre Lévy

Franqueza

Em nosso encontro de ontem, 12, a coluna questionou quais seriam as causas do alto percentual de contágio entre profissionais de Saúde em nossa cidade, quando comparado à média nacional.

Mais tarde, no entanto, com a edição já fechada, ocorreu que teria sido mais justo registrar, também, o fato de o governo estar divulgando habitualmente essa informação, mesmo que ela não seja positiva.

Evidentemente ações de transparência devem ser encaradas como obrigação, mas ainda assim a coluna faz questão de manifestar sua aprovação à iniciativa.

Origem

E já que a intenção é informar, parece pertinente que se levante também a provável origem entre esses contágios, uma vez que certamente as condições de segurança oferecidas aos profissionais variam de hospital para hospital, por mais que os protocolos sejam os mesmos para todos.

Os casos estão distribuídos de forma igualitária entre as redes pública e privada?

Ou será que algum hospital está oferecendo menos segurança do que deveria?

Pente fino

Naturalmente, muitos profissionais trabalham em mais de uma unidade, tornando mais difícil o rastreamento.

Mas, ainda assim, uma análise aprofundada desse quadro muito provavelmente indicaria informações valiosas para nossas estratégias de combate ao avanço da Covid-19 por aqui.

Afinal, se existe algum elo fraco na corrente, é importante que ele seja identificado e reforçado antes que ela seja exigida ao limite.

Por sinal, a atuação de órgãos como Cremerj e Coren poderia ser muito oportuna para esse levantamento.

Sugestão

Na última segunda-feira, 11, o ex-vereador Cláudio Damião solicitou, através de requerimento direcionado ao presidente do Legislativo, vereador Alexandre Cruz, que a Câmara examine a possibilidade de antecipar sua habitual devolução de recursos à prefeitura, referentes aos quatro primeiros meses de 2020.

Aspas

“Estamos vivendo uma pandemia com grave repercussão na ampliação do desemprego. Há famílias passando necessidade, sem comida na mesa. A prefeitura prometeu entregar cestas básicas, mas até agora não o fez. A fome não espera. Acredito que a Câmara possa ajudar neste momento grave antecipando ao menos a devolução de parte do orçamento para a compra de cestas básicas e gás de cozinha.”

Por que não?

A proposta do ex-vereador não é inviável, e certamente poderia ajudar a aliviar o sofrimento de alguns entre as parcelas menos favorecidas de nossa população, de maneira muito mais efetiva do que alguns factoides que andaram sendo levantados meses atrás.

Cá entre nós, se existe forma melhor de investir recursos do que matando a fome de quem não tem o que comer, este colunista desconhece...

Infelizmente, no entanto, a experiência mostra que as indicações da Câmara não são levadas em consideração pelo Palácio Barão de Nova Friburgo no momento de definir onde os recursos devolvidos serão aplicados.

A propósito...

Ainda que alguém de enorme sabedoria tenha nos ensinado a doar sem fazer alarde, a coluna tem o hábito de divulgar boas iniciativas como forma de estímulo a que sirvam de exemplo e se multipliquem.

Pois bem, o Clube do Vinil de Olaria se mobilizou recentemente para arrecadar cestas básicas e as encaminhar a famílias no próprio bairro.

Linha direta

Durante a fase de arrecadação o presidente do clube, Ronaldo Gomes Klen, popularmente conhecido como “Ronaldo Lalá”, entrou em contato com o vereador Joelson do Pote, que por sua vez ajudou a mobilizar produtores rurais em Conquista.

Muitos legumes e verduras foram doados, e o resultado foi a distribuição de 300 cestas básicas.

Uma iniciativa que, felizmente, deve se repetir nos próximos dias.

Cenas friburguenses

A querida Regina Lo Bianco continua a registrar cenas friburguenses, nesses tempos de pandemia.

A imagem de hoje mostra o trabalho de higienização dos ônibus na Estação Livre.

Fica o registro, como forma de homenagem a esses profissionais que não estão em hospitais, mas estão igualmente expondo a fim de aumentar a segurança de todos nós.

Em tempo…

A foto anterior, que mostrou a Praça Getúlio Vargas vazia, não era propriamente um desafio.

Ainda assim os fiéis colaboradores Gilberto Éboli e Manoel Pinto Faria enviaram mensagem identificando o espaço, e a coluna faz questão de registrar.

Foto da galeria
Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Produtores rurais

quarta-feira, 13 de maio de 2020
por Jornal A Voz da Serra

A agricultura familiar continua esquecida. Pelo menos 70 famílias de produtores rurais de Nova Friburgo continuam em dificuldades, desde que a merenda escolar deixou de ser ofertada por conta do fechamento das escolas. Essas famílias vendiam suas produções para as escolas. O problema é que elas poderiam estar vendendo, mesmo na pandemia. 

Merenda escolar

A agricultura familiar continua esquecida. Pelo menos 70 famílias de produtores rurais de Nova Friburgo continuam em dificuldades, desde que a merenda escolar deixou de ser ofertada por conta do fechamento das escolas. Essas famílias vendiam suas produções para as escolas. O problema é que elas poderiam estar vendendo, mesmo na pandemia. 

Merenda escolar

Uma lei federal em vigor desde o início de abril (13.987/20), garante que o dinheiro do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) continuará a ser repassado pela União para a compra de merenda escolar, mesmo com aulas suspensas. Como as escolas públicas estão fechadas por causa da pandemia, os alimentos têm que ser distribuídos imediatamente às famílias dos estudantes.

30% de produtos agrícolas

Por mês, Nova Friburgo recebe aproximadamente R$ 240 mil do programa, para atender 17.916 alunos. No mês de março, foram repassados ao município R$ 244.678. O recurso poderia estar sendo usado para a compra de cestas básicas que devem obedecer à lei 11.947/2009 que determina que 30% desse valor tem que ser na compra direta de produtos da agricultura familiar

Rede estadual X rede municipal

Isso representa, só na rede municipal e só com recursos federais, aproximadamente R$ 70 mil. Muitas vezes, o município incrementa o valor. O Governo do Estado também deve obedecer à essa regra. No entanto, desde o mês passado, as famílias dos estudantes da rede estadual deveriam estar recebendo um vale-compras, no valor de R$ 100. Inicialmente, esse benefício é apenas para os alunos das famílias do CadÚnico, do Governo Federal, e beneficiários do Bolsa Família. O Estado informou que estuda formas de que esse auxílio chegue às demais famílias.

Próximos do vencimento

Nessa semana, o município determinou que os diretores de escolas separem todos os alimentos com vencimento até setembro. Esses produtos estão sendo recolhidos para a montagem de cestas básicas. Anteriormente, por iniciativa de diretores devidamente autorizados, foram distribuídos alimentos próximos do vencimento diretamente às famílias de alunos das próprias unidades.

Arrecadação de alimentos

A ação solidária de jovens evangélicos de Nova Friburgo segue a saga para arrecadar mil cestas básicas para ajudar o projeto Amor e Fé, de Rio Grande de Cima e famílias necessitadas cadastradas. O Propulsão Project, com apoio do Cojenf (Conselho de Jovens Evangélicos de Nova Friburgo) conseguiu na primeira semana 130 cestas.

Amor e fé

Pelo menos 20% das cestas arrecadadas já foram enviadas ao projeto que cuida de dependentes químicos. As demais irão para famílias necessitadas. A demanda tem sido grande e vem de diversos lugares. Por isso, a ação agora faz uma sensibilização em condomínios de classes mais altas da cidade afim de arrecadar mais cestas.

Política pública

A solidariedade se mostra essencial na vida de muitas famílias. Essas ações e tantas outras, muitas vezes silenciosas, têm amenizado a fome de muitos. Mas, e no mês que vem e no seguinte? A ajuda privada, seja de indivíduos, coletivos ou instituições não podem e não querem isentar o papel do poder púbico. Essa ausência ou de forma mais atenuada – demorada - do poder público não pode persistir por mais tempo.   

A favor do isolamento

Não deve ser muito diferente por aqui os números revelados pela pesquisa CNT/MDA que indicam que 67,3% da população considera que o isolamento deve ser praticado por todos, independentemente de ser ou não do grupo de risco do coronavírus. 29,3% acreditam que o isolamento só deve ser praticado pelas pessoas que fazem parte do grupo de risco, e 2,6% disseram que não deveria existir isolamento social. 0,8% não soube ou não respondeu.

Debate intenso

Levantamentos recentes de nível nacional têm ficado iguais ou muito semelhantes com pesquisas, publicizadas ou não, aqui em Nova Friburgo. Assim, leva a crer que esses números representem também o sentimento local. Com a adoção de bloqueio total em cidades próximas, como Niterói e Teresópolis, nas redes sociais se observa um crescimento em torno da medida aqui em Nova Friburgo.

Palavreando

“As palavras jamais concluirão a definição de tudo em definitivo. Haverá sempre novas descobertas, novas pessoas escapulindo das velhas, rituais e clarões que edificarão novas ordens em cima de antigas estruturas.”

 

 

 

 

  • Foto da galeria

    As máscaras de barreira temáticas tem sido sucesso e uma forma divertida e na moda das pessoas se protegerem e protegerem os outros. Uma de grande sucesso tem sido a com o escudo do Friburguense, rivalizando com os quatro grandes clubes do Rio. Estampas com símbolos de Nova Friburgo também chamam a atenção. A primeira criação da “Do Bem” e a segunda, concebida pela empresa EcoModas

  • Foto da galeria

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Formas de enriquecer

quarta-feira, 13 de maio de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Querer ficar rico entre um sol e outro, é se apressar além da conta

Diz-nos Mateus, nos evangelhos, que “Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir as chuvas sobre justos e injustos” (creio ser desnecessário explicar a quem se refere o pronome Ele). Daí se conclui que qualquer pessoa pode abrir um negócio aqui neste mundo e assim ir vivendo honesta ou desonestamente, sem que Ele se meta, como se fosse um sócio ou mesmo um acionista, ainda que minoritário.

Querer ficar rico entre um sol e outro, é se apressar além da conta

Diz-nos Mateus, nos evangelhos, que “Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir as chuvas sobre justos e injustos” (creio ser desnecessário explicar a quem se refere o pronome Ele). Daí se conclui que qualquer pessoa pode abrir um negócio aqui neste mundo e assim ir vivendo honesta ou desonestamente, sem que Ele se meta, como se fosse um sócio ou mesmo um acionista, ainda que minoritário.

Disso é que se valem os maus e os injustos para passar a perna (se me permitem usar essa expressão antiga) nos bons e nos justos. É a conclusão a que se chega ao saber que várias pessoas investiram seu rico dinheirinho numa empresa de energia solar, na esperança de faturar juros superiores a dez por cento. Ao ano?, perguntará  o leitor, espantado com o alto valor dos rendimentos. Nada disso: ao mês!, o que multiplicaria por doze os ganhos dos aplicadores. Só que, na hora de receber, eles foram gentilmente informados de que o dinheiro tinha desaparecido e os juros, esses então!, nunca tinham existido.

Macaco quando vê muita banana... ou: laranja madura na beira da estrada... Em nada disso pensaram os ingênuos investidores. Acreditaram que, se o sol brilha para todos, a todos igualmente deve enriquecer. No caso da energia solar, ele não brilhou para quem botou grana no negócio e depois descobriu que havia embarcado numa canoa furada. Certamente brilhou para quem teve a feliz ideia de criar uma empresa capaz de iluminar casas, bairros e cidades inteiras, simplesmente aproveitando o calor dourado que Ele, diariamente, faz nascer para bons e maus, justos e injustos.

 Quem tudo quer, tudo perde e, em se tratando de aplicar dinheiro, toda prudência é pouca. E prudência, vocês sabem, é como caldo de galinha: nunca fez mal a ninguém. Devagar se vai ao longe, mas querer ficar rico entre um sol e outro, é se apressar além da conta e a consequência inevitável é dar com os burros n´água. No entanto, a toda hora temos notícia de que alguém caiu na conversa fiada (mas paga à vista) de gente que nos oferece vantagens ou nos pede ajuda, que ilude nossa inteligência ou comove nosso coração. Seja por ganância, seja por ingenuidade, muitas vezes nos deixamos enganar. Sim, o sol nasce para todos, mas, excetuando-se as dádivas da natureza com que Ele gratuitamente nos enriquece, tudo mais custa trabalho.  

Na Bíblia encontramos o exemplo de Jacó, que se apaixonou por Rachel, filha de Labão. Para casar-se com a amada, aceitou trabalhar sete anos para o sogro. Ao acordar, após a noite de núpcias, Jacó se viu na cama ao lado de Lia, a quem pretendia ter como cunhada, e não como esposa. Labão, que pelo visto não era dado a sentimentalismos românticos, propôs que o genro trabalhasse mais sete anos para se casar com Rachel. Trato feito, Jacó suou a camisa durante quatorze anos, sem férias, sem carteira assinada, sem 13%, ou seja, de graça, para enfim conseguir amar a mulher amada.

Muita coisa pode ter mudado do Gênesis até hoje, mas se tem uma coisa que continua a mesma é que não existe forma de enriquecer ao mesmo tempo rápida e honestamente. Salvo a loteria ou alguma herança, mas se você for contar com isso, aí mesmo é que provavelmente morrerá mais pobre do que está agora. Pois, como bem disse Einstein, “O único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Presidente do Clube Militar repudia a atitude de Celso de Mello, ministro do STF

quarta-feira, 13 de maio de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Como membro da mais alta corte do país, José Celso de Mello deveria preservar sua imagem e não se sujeitar a tomar a reprimenda que levou no último dia 7. É surpreendente que no ocaso de uma carreira, tenha atitudes não compatíveis com a sua posição, pois a convocação dos ministros generais, lotados no Palácio do Planalto, Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), para depor como testemunhas do ex-juiz Sérgio Moro, no imbróglio de sua demissão, é pura demonstração do querer aparecer.

Como membro da mais alta corte do país, José Celso de Mello deveria preservar sua imagem e não se sujeitar a tomar a reprimenda que levou no último dia 7. É surpreendente que no ocaso de uma carreira, tenha atitudes não compatíveis com a sua posição, pois a convocação dos ministros generais, lotados no Palácio do Planalto, Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), para depor como testemunhas do ex-juiz Sérgio Moro, no imbróglio de sua demissão, é pura demonstração do querer aparecer. Até uma criança sabe que militares foram treinados para cumprir ordens superiores, daí ser totalmente tola e desnecessária a ameaça feita por ele, de conduzir coercitivamente os generais, caso eles se recusassem a comparecer para depor.

Essa atitude levou o general de Divisão, Eduardo José Barbosa, presidente do Clube Militar a emitir a seguinte nota: “O Clube Militar repudia enfaticamente o despacho exarado pelo ministro Celso de Mello, do STF, no inquérito que apura denúncias do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública contra o presidente da República”.

“Em primeiro lugar, depreende-se que existe ali quase que uma defesa de tese para alunos universitários. São páginas e mais páginas de ilações e comentários completamente desnecessários, utilizados tão somente para demonstrar seu ódio pelo Governo Federal e pelos militares”.

“Quanto ao despacho em si, "parabéns" ao sr. ministro ao discorrer sobre a publicidade que deve ser dada às investigações, particularmente quando envolve autoridades públicas. Quem sabe essa afirmativa sirva, por exemplo, para tornar públicos alguns inquéritos sigilosos que tramitam no próprio Supremo? Ou aquelas investigações envolvendo os próprios ministros e seus parentes, "amigos" e congressistas?”

“No entanto, a maior falta de habilidade, educação, compostura e bom senso, desejáveis em um ministro de uma Alta Corte, é no tocante à forma como trata todas as testemunhas arroladas para depor, considerá-las como se fossem bandidos da pior espécie. Tal tratamento deveria, sim, por justiça, ser dispensado aos réus de um processo, inclusive àqueles que roubaram nosso país e que andam soltos por aí por leniência dessa própria corte! Estes, sim, merecem ser conduzidos ‘debaixo de vara’.”

“Tratar autoridades de outro poder dessa forma leviana só demonstra o nível de ministros do STF que temos em nosso país. Particularmente no tocante aos nossos generais ministros, a capacidade profissional que demonstraram ao longo de suas carreiras dispensa qualquer defesa, pois nenhum chegou ao topo da carreira militar por indicações políticas e/ou ideológicas, mas tão somente pelo mérito, caracterizado, entre outros atributos, pela dedicação à Pátria.”

“A democracia se caracteriza pela independência e harmonia entre os três poderes e o grande fiscal desse sistema é a população. Assim, quando vemos manifestações, cada vez com maior frequência, contestando a atuação de qualquer um dos poderes da República, não se pode dizer que esses movimentos são antidemocráticos. Podemos, sim, afirmar que existem engrenagens do sistema que estão atuando fora do contexto democrático. O referido despacho do ministro, bem como outras interferências indevidas e omissões entre os Poderes, bem demonstram essa afirmação”. (Gen. Div. Eduardo José Barbosa, presidente do Clube Militar, em 7 de maio de 2020)

Esse general foi muito educado, pois eu teria terminado essa nota como o brilhante advogado Saulo Ramos, em um texto do seu livro “Código da Vida” (2ª edição, 17ª reimpressão, Editora Planeta, 2009, página 179) se referiu a ele. Nesse episódio, Saulo Ramos narra o que se passou no STF, quando o ex-presidente Sarney, teve a sua candidatura a senador, pelo Estado do Amapá, contestada na Justiça e julgada numa sessão plenária da mais alta corte do país. José Celso de Mello, na véspera, lhe garantira que votaria de maneira positiva.

Um dia antes, o jornal A Folha de São Paulo publicou que Sarney teria os votos certos dos ministros e os citou nominalmente, inclusive o de Celso. Ao final da votação o resultado tinha sido dez a um, o único voto contrário sendo o dele. Segundo Saulo, logo após o término da sessão ele recebeu um telefonema de Celso de Mello, justificando o seu voto. E dizia que se o dele fosse decisivo, ele teria feito a favor, mas por ser o último, para desmentir a folha, votou contra. O diálogo que se seguiu foi o seguinte:

“- Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de São Paulo noticiou que você votaria a favor?

-Sim

- E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?

- Exatamente. O senhor entendeu?

- Entendi. Entendi que você é um juiz de m...!

Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Explicações do Mestre

quarta-feira, 13 de maio de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Em plena conversação edificante, Sara, a esposa de Benjamim, o criador de cabras, ouvindo comentários do Mestre, nos doces entendimentos do lar de Cafarnaum, perguntou, de olhos fascinados pelas revelações novas:

Em plena conversação edificante, Sara, a esposa de Benjamim, o criador de cabras, ouvindo comentários do Mestre, nos doces entendimentos do lar de Cafarnaum, perguntou, de olhos fascinados pelas revelações novas:

 — A ideia do reino de Deus, em nossas vidas, é realmente sublime; todavia, como iniciar-me nela? Temos ouvido as pregações à beira do lago e sabemos que a Boa Nova aconselha, acima de tudo, o amor e o perdão... Eu desejaria ser fiel a semelhantes princípios, mas sinto-me presa a velhas normas. Não consigo desculpar os que me ofendem, não entendo uma vida em que troquemos nossas vantagens pelos interesses dos outros, sou apegada aos meus bens e ciumenta de tudo o que aceito como sendo propriedade minha.

 A dama confessava-se com simplicidade, não obstante o sorriso desapontado de quem encontra obstáculos quase invencíveis.

— Para isso — comentou Pedro —, é indispensável a boa-vontade.

— Com a fé em nosso pai celestial — aventurou a esposa de Simão —, atravessaremos os tropeços mais duros.

 Em todos os presentes transparecia ansiosa expectativa quanto ao pronunciamento do Senhor, que falou, em seguida a longo silêncio:

— Sara, qual é o serviço fundamental de tua casa?

— É a criação de cabras — redarguiu a interpelada, curiosa.

— Como procedes para conservar o leite inalterado e puro no benefício doméstico?

— Senhor, antes de qualquer providência, é imprescindível lavar, cautelosamente, o vaso em que ele será depositado. Se qualquer detrito ficar na ânfora, em breve todo o leite se toca de franco azedume e já não servirá para os serviços mais delicados.

Jesus sorriu e explanou:

— Assim é a revelação celeste no coração humano. Se não purificamos o vaso da alma, o conhecimento, não obstante superior, se confunde com as sujidades de nosso íntimo, como que se degenerando, reduzindo a proporção dos bens que poderíamos recolher. Em verdade, Moisés e os profetas foram valorosos portadores de mensagens divinas, mas os descendentes do povo escolhido não purificaram suficientemente o receptáculo vivo do espírito para recebê-las. É por isto que os nossos contemporâneos são justos e injustos, crentes e incrédulos, bons e maus ao mesmo tempo. O leite puro dos esclarecimentos elevados penetra o coração como alimento novo, mas aí se mistura com a ferrugem do egoísmo velho. Do serviço renovador da alma restará, então, o vinagre da incompreensão, adiando o trabalho efetivo do reino de Deus.

A pequena assembleia, na sala de Pedro, recebia a lição sublime e singela, comovidamente, sem qualquer interferência verbal.

O Mestre, porém, levantando-se com discrição e humildade, afagou os cabelos da senhora que o interpelara e concluiu, generoso:

— O orvalho num lírio alvo é diamante celeste, mas, na poeira da estrada, é gota lamacenta. Não te esqueças desta verdade simples e clara da natureza.

Extraído do livro: Jesus no lar; espírito: Neio Lúcio; médium: Francisco Cândido Xavier

 

CENTRO ESPÍRITA CAMINHEIROS DO BEM – 62 ANOS
Fundado em 13/10/1957
Iluminando mentes – Consolando corações

Rua Presidente Backer, 14 – Olaria - Nova Friburgo – RJ
E-mail: [email protected]
Programa Atualidade Espírita, do 8º CEU, na TV Zoom, canal 10 – sábados, 9h.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Audiência

terça-feira, 12 de maio de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Para pensar:
"Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa lhe parece a existência.”
Arthur Schopenhauer

Para refletir:
“Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.”
Buda

Audiência

Para pensar:
"Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa lhe parece a existência.”
Arthur Schopenhauer

Para refletir:
“Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.”
Buda

Audiência

Conforme a coluna havia antecipado, a Câmara Municipal realizou uma audiência remota junto a representantes das redes municipais de saúde, pública e privada, a fim de levantar informações que possam servir de norte para a elaboração de políticas públicas e orientar a evolução do grau de quarentena sob bases reais.

Participantes

A iniciativa partiu do presidente do Legislativo, vereador Alexandre Cruz, e do 1º vice-presidente, vereador Marcio Damazio, ambos do Partido Cidadania.

O encontro contou com as participações de Armando Lemos, representando a Unimed; Egídio Alcides Bonin de Azevedo, representando o Hospital São Lucas; e Cláudio Moura Pereira, representando o Hospital Serrano, além do secretário municipal de Saúde, Marcelo Braune.

Cenário privado

De acordo com dados divulgados pela assessoria de Comunicação da Câmara Municipal, a rede particular de saúde contava até a última sexta-feira, 8, com 20 leitos de UTI exclusivos para Covid-19 ainda disponíveis, ao passo que o Hospital Raul Sertã tinha vaga para sete dos dez leitos de UTI disponibilizados para o enfrentamento ao coronavírus.

O cenário surpreende positivamente, mas é importante observar que o hospital Unimed atende a 17 municípios da rede, e o Hospital Serrano atende a aproximante 50 planos de saúde. Ou seja: os leitos em tais hospitais têm grande rotatividade e podem ser ocupados rapidamente.

Cenário público

Marcelo Braune também voltou a afirmar que a Secretaria de Saúde aguarda a chegada dos 29 novos respiradores, conforme determinação judicial que a coluna registrou há alguns dias.

Paralelamente, o município também espera pela chegada de novos 700 testes para Covid-19, que devem reduzir um pouco a subnotificação e aproximar um pouco mais os números oficiais da realidade.

Também falou-se a respeito do hospital de campanha, embora, nesse caso, as informações oficiais tenham de vir da esfera estadual. Ao que consta, agora ele deve agregar 26 leitos temporários de Tratamento Intensivo, disponibilizados aqui mas em caráter regional.

Monitoramento

Conforme a coluna havia antecipado, ficou clara a necessidade de repetir o encontro de maneira sistemática, a fim de se que seja possível monitorar a evolução da crise e, a partir disso, atualizar as estratégias de enfrentamento e as orientações à população.

Intercâmbio

Já na manhã desta segunda-feira, 11, as tecnologias de videoconferência foram aplicadas a serviço de um intercâmbio de informações com Belmonte, em Portugal, que é uma de nossas cidades irmanadas e, até o momento, não registrou nenhum caso de Covid-19.

Ao fim da manhã, aqui no Brasil, os presidentes das respectivas Câmaras Municipais trocaram informações a respeito dos quadros regionais e das estratégias que vêm sendo empregadas, aqui e além-mar.

Ainda alto

Também nesta segunda-feira, 11, foi divulgado o mais recente boletim da Covid em Nova Friburgo, agora confirmando 89 casos, 40 dos quais já recuperados, e também oito óbitos, com outros sete aguardando confirmação quanto à causa.

Também chama atenção o fato da parcela de profissionais da Saúde entre os casos confirmados ter caído de quase metade para pouco mais de um terço do total (31/89).

Ainda assim, temos por aqui um percentual bem acima da média nacional, que gira em torno de um sexto, e a coluna infelizmente não tem meios de explicar por que isso acontece.

Ordem do dia

Falamos tanto no Legislativo Municipal, e cabe registrar que hoje, 12, ele realiza mais uma sessão remota para deliberar sobre questões relacionadas ao enfrentamento da pandemia. 

Novamente, três requerimentos de informação foram protocolados.

Requerimentos

O primeiro deles, de autoria do vereador Cascão, demanda informações relativas à Casa de Acolhimento Vila Sorriso.

Já o segundo, elaborado pelo vereador Zezinho do Caminhão, traz perguntas sobre o serviço terceirizado de transporte para tratamento fora do domicílio.

Por fim, o terceiro foi protocolado pelo vereador Joelson do Pote e reúne dúvidas sobre a montagem do Hospital de Campanha em Nova Friburgo.

A coluna, como sempre espera que tais requerimentos sejam aprovados e respondidos no prazo, e de maneira satisfatória.

Próximos capítulos?

Havia ainda um projeto de lei ordinária enviado pelo Executivo, a fim de obter autorização para “a abertura de crédito adicional suplementar para os orçamentos fiscal e de seguridade social de Nova Friburgo até o percentual de 15% do montante consignado nos mesmos”.

Este projeto, contudo, aparentemente foi retirado da ordem do dia para algum ajuste final.

Emenda

Nova Friburgo continua a receber recursos de outras esferas, e é importante registrar estes fatos a fim de aumentar a fiscalização social sobre as destinações.

A pedido dos vereadores Naim Pedro (DEM) e Isaque Demani (MDB), o deputado federal Luiz Antônio Corrêa (PL) destinou R$ 500 mil para nossa rede municipal de saúde pública.

Na última sexta-feira, 8, o prefeito Renato Bravo (PP) confirmou que a emenda será usada para a compra de duas ambulâncias simples e uma UTI móvel.

A coluna congratula os envolvidos e torce para que a compra se concretize da melhor forma, e sem demora.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Feliz aniversário, feliz vida!

terça-feira, 12 de maio de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Esta coluna, que ao longo dos últimos anos tem lançado mão de um prazer especial e que é compartilhado por muitos leitores, de fazer um registro social significativo, não poderia, jamais agora e pelas recentes circunstâncias que muitos tomaram conhecimento, deixar de bater na mesma tecla.

Esta coluna, que ao longo dos últimos anos tem lançado mão de um prazer especial e que é compartilhado por muitos leitores, de fazer um registro social significativo, não poderia, jamais agora e pelas recentes circunstâncias que muitos tomaram conhecimento, deixar de bater na mesma tecla.

É que no último sábado, 9, quem recebeu parabéns especiais por conta do seu aniversário de 63 anos foi o admirado empresário Jairo Wermelinger de Araújo (foto), o Jairo da Wermar, a quem com renovada satisfação e o carinho de sempre, parabenizamos pela nova idade. Congratulações e tudo de bom ao aniversariante.

Eles merecem e muito!

 Hoje, 12, é o Dia do Enfermeiro que merecem sempre nosso maior reconhecimento e aplausos, porém nestes últimos tempos são ainda mais merecedores de nosso carinho e reconhecimento. Parabéns a todos e a todas desta área!

Êta mundo bom!

Claro está que este maldito vírus, além de preocupações, riscos e lastimáveis mortes, causou pelo menos temporariamente, outros efeitos colaterais e estes, agradáveis.

Os bancos estão tão bonzinhos e até alguns empresários graúdos e poderosos que antes eram insensíveis a tudo, agora mudaram bastante.

Vivas ao Reynaldo

Na última sexta-feira, 8, o dia não foi só de trabalho para os funcionários que estão podendo atuar na Thurlerflex. É que um dos diretores daquela indústria, Reynaldo Thurler (foto) completou 69 anos de idade e reuniu alguns colaboradores, todos portando seus EPIs (equipamentos de proteção individual) e também observando distanciamentos, cantaram parabéns, com direito a bolo e refrigerante.

Ao Rey, nossos renovados parabéns com desejos de felicidades.

Dê amor, doe calor!

A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, no distrito de Riograndina e que conta a frente com a dedicação do querido padre Roberto José Pinto, está desenvolvendo oportuna campanha do cobertor e agasalho denominada “Dê amor, doe calor”.

Que desejar fazer suas doações que serão muito bem vindas, pode agendar as entregas pelo telefone 2540-1491 ou pelo celular 9 9932-2302.

Forças, Reginaldo!

Guerreiro como é e lutador pela vida, o querido amigo deste colunista e de muitos amigos de Nova Friburgo, Reginaldo Moraes está se recuperando da Covid-19 para logo logo estar em nosso convívio.

Picos das situações

 A mesma esfera que não conseguiu, ainda, entregar todos os hospitais de campanha (alguns que já entraram em operação, começaram com reduzidas capacidades de funcionamento); também não conseguiu oferecer os testes em massa para a população e ainda enfrenta casos de fraudes na história dos respiradores comprados a peso de ouro e que mesmo assim não chegam, é a mesma que determina por seus decretos, ordens para a população se portar assim ou assado.

Só falta agora, tudo começar a funcionar certinho quando não mais precisar, devido a muitas mortes já contadas, em divulgações diárias que nos fazem lembrar daquelas ocasiões das informações de medalhas de ouro ou prata conquistadas em olimpíadas, ou ainda e quem sabe, quando todos já estejam livres por completo deste terrível coronavírus.

  • Foto da galeria

    Feliz aniversário, feliz vida! (Jairo da Wermar)

  • Foto da galeria

    Vivas ao Reynaldo

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.