O Ministério da Saúde deu início, no último fim de semana, à vacinação contra a dengue com o imunizante de dose única desenvolvido pelo Instituto Butantan. A aplicação começou simultaneamente em três municípios brasileiros: Maranguape, no Ceará; Nova Lima, em Minas Gerais; e Botucatu, em São Paulo.
A estratégia tem como objetivo imunizar toda a população de 15 a 59 anos desses municípios, como parte de um projeto-piloto que irá avaliar o impacto populacional da vacina na redução da transmissão da dengue.
Durante o início da vacinação em Botucatu, no domingo, 18, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância da adesão da população. “Se alcançarmos entre 40% e 50% de cobertura vacinal, além da proteção individual, a vacina pode ter um impacto significativo no controle da dengue em toda a cidade”, afirmou.
Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, que participou do lançamento do projeto em Maranguape, as cidades foram escolhidas por possuírem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada. “Isso permite implementar a vacinação e avaliar seu impacto tanto na imunização da população quanto na circulação do vírus na comunidade”, explicou.
Como funciona a vacinação
Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses da vacina do Butantan serão distribuídas entre os três municípios: 60,1 mil para Maranguape, 64 mil para Nova Lima e 80 mil para Botucatu. A quantidade é suficiente para a vacinação do público-alvo e faz parte da primeira remessa de 1,3 milhão de doses previstas para entrega.
Paralelamente, o público de 10 a 14 anos dessas cidades continua sendo vacinado com o imunizante Qdenga, da fabricante japonesa Takeda, aplicado em duas doses, conforme a estratégia já adotada em outras regiões do país.
No âmbito da campanha nacional, o Ministério da Saúde prevê ampliar, a partir de fevereiro, a vacinação com a nova vacina do Butantan para profissionais da Atenção Primária à Saúde. Conforme a chegada de novas doses, a imunização será estendida gradualmente à população geral, começando pelos adultos de 59 anos.
Expectativa de produção
A expectativa do Governo Federal é alcançar 30 milhões de doses até o fim do ano, com possibilidade de ampliação conforme a demanda nacional. Para viabilizar a produção em larga escala, o Instituto Butantan firmou um acordo com a empresa chinesa WuXi Biologics. A previsão é que até 100 milhões de doses sejam fabricadas nos próximos dois anos.
A iniciativa ocorre em meio ao cenário ainda preocupante da dengue no país. Em 2025, o Brasil registrou, pelo quarto ano consecutivo, mais de um milhão de casos da doença e cerca de mil óbitos, embora os números tenham sido inferiores aos de 2024, quando houve recorde de 6,5 milhões de diagnósticos e 6,3 mil mortes. Para este ano, especialistas projetam cerca de 1,8 milhão de casos.
Cenário epidemiológico
Apesar da queda expressiva, o Ministério da Saúde reforça que as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, causador da dengue, devem ser mantidas em todo o território nacional. Em 2025, os casos da doença caíram 74% em relação ao ano anterior, totalizando 1,7 milhão de registros prováveis, contra 6,5 milhões em 2024. O número de óbitos também apresentou redução significativa, passando de 6,3 mil para 1,7 mil, uma queda de 72%.
A principal forma de prevenção contra a dengue, chikungunya e zika continua sendo a eliminação de criadouros do mosquito. A vacinação se soma às ações de controle vetorial, uso de inseticidas, testes rápidos e adoção de tecnologias inovadoras.
Situação em Nova Friburgo
Em Nova Friburgo, a Secretaria Municipal de Saúde intensificou as ações preventivas diante do histórico de aumento de casos de dengue. Na semana passada, por exemplo, três equipes percorreram os bairros Olaria, Bela Vista e Cordoeira, considerados as áreas de maior risco.
Segundo a Secretaria de Saúde, a maioria das visitas domiciliares dos agentes de endemias têm sido bem recebida pela população, embora ainda existam recusas que dificultam o trabalho de prevenção em alguns imóveis. A expectativa é que, a partir de fevereiro, sejam realizados mutirões em bairros estratégicos, definidos a partir da análise dos indicadores e do acompanhamento das equipes de campo.
Em 2025, foram registrados 2.039 casos notificados de dengue em Nova Friburgo, sendo 206 confirmados e 1.833 descartados, considerando apenas moradores do município.
(Com informações da Agência Brasil e portal Gov)

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