Um grupo formado por mulheres atletas entre 40 e 67 anos, residentes em Nova Friburgo, se uniu e montou um time informal de voleibol durante a pandemia. A maioria foi jogadora quando jovem, algumas competiram em suas escolas e em campeonatos interestaduais. A ideia de fundar o Amigas do Vôlei não só ganhou força, como cresceu, se consolidou e buscou rumos além dos limites do município.
A história começou em 2021, quando a pandemia começou a dar sinais de enfraquecimento. Marcilenia Marques foi procurada por várias amigas que buscavam um grupo de apoio para saírem do sedentarismo. Ali estavam mulheres que desenvolveram problemas psicológicos e/ou físicos como depressão, dificuldade de mobilidade, ganho de peso e ansiedade, devido às dificuldades provenientes dos anos de semi reclusão.
Foi então que Lene, como é chamada carinhosamente, disponibilizou o campinho de sua casa, todas as sextas-feiras, para partidas de voleibol, conversas e integração. No início, eram cerca de 10 mulheres, mas, ao término da pandemia, o grupo havia crescido para 20, e o campinho não comportava mais tantas pessoas.
Teve início então a busca por quadras disponíveis na cidade. A primeira — que autorizou o grupo a jogar gratuitamente —, foi a quadra popular do bairro de Olaria. E assim, a tristeza de outrora deu lugar a momentos de alegria, e o vôlei cumpriu um dos papéis mais nobres do esporte, tornando-se uma terapia saudável.
Com a pandemia estabilizada, o Friburguense normalizou as atividades e as atletas, que já eram sócias, retornaram. O grupo que permaneceu jogando na quadra popular de Olaria — inclusive por não ter condições para custear o valor da mensalidade do clube — foi denominado Amigas do Vôlei.

“Certo dia uma jogadora do Friburguense nos convidou para um amistoso contra o time Friset. Pagamos pela primeira vez um técnico para nos acompanhar. Com muita perseverança, a Lene conseguiu, com a Prefeitura de Nova Friburgo, duas quadras para nossos treinos semanais. Uma cobrança modesta de mensalidade nos permitiu comprar rede, bolas e contratar o técnico Fernando Miranda, que também atua em Florianópolis, e é árbitro da CBV (Confederação Brasileira de Voleibol)”, recordam as fundadoras do grupo.
Voando alto
Em 2022 a equipe começou a jogar amistosos pela região serrana do estado, e as vitórias em quase todos eles animaram o grupo. Em setembro daquele ano foi disputado o primeiro campeonato municipal, organizado pela Prefeitura de Nova Friburgo. Em novembro, o desafio se tornou ainda maior: o Amigas do Vôlei participou, pela primeira vez, do Campeonato de Voleibol Master de Saquarema. A competição contou com 1.100 jogos durante oito dias, com a participação de aproximadamente 2 mil atletas de todo o Brasil.
Mesmo com jogadoras que estavam treinando por apenas alguns meses, o time friburguense chegou às oitavas de final, dentre 15 times que competiram na categoria 50+. Após o celebrado 8º lugar, os treinos continuaram em 2023 e 2024, mas muitas jogadoras com menor poder aquisitivo não puderam permanecer no time. Nesses anos, a equipe disputou novamente o Campeonato Master de Saquarema — na categoria de 50+ em 2023 e de 55+ em 2024 — com apoio de algumas empresas, comerciantes e doadores locais.
Em busca de apoio e patrocínios, o Amigas do Vôlei se prepara para competir no Campeonato Brasileiro de Voleibol Master, a ser realizado neste mês de novembro, entre os dias 15 e 22 (em períodos distintos), em Saquarema. O evento será televisionado para todo o Brasil, com abrangência também ao exterior.

Deixe o seu comentário