Praça Getúlio Vargas: Cronograma de obras é alterado devido às chuvas

Primeiro trecho deve ficar pronto em abril. Previsão de término de todo o espaço adiado para dezembro
sexta-feira, 27 de março de 2026
por Isabella Rodrigues (*)
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro
Moradores e frequentadores da Praça Getúlio Vargas, um dos símbolos postais de Nova Friburgo, permanecem com dúvidas a respeito das obras de revitalização do espaço. Quem passa pelo local encontra a primeira etapa das intervenções ainda nos ajustes finais. Esse trecho, entre a Estação Livre e o parquinho, estava previsto para ser finalizado em 27 de fevereiro, mas, segundo a prefeitura, as chuvas constantes do início do ano impediram o avanço dos trabalho. O cronograma agora prevê o encerramento das obras desta etapa para o início de abril e a conclusão de toda a praça em dezembro deste ano e não mais em agosto como inicialmente previsto.

Ultimamente frequentadores da praça e moradores do entorno têm criticado a demora na execução da obra e a derrubada das árvores ao redor do parquinho
De acordo com a empresa responsável pela obra, a Terraplan, além das chuvas, o cronograma precisou ser alterado devido a atrasos na produção e entrega do piso de concreto em lajotas vermelhas que facilitam a absorção de água. A prefeitura informou também, em nota, que, “por tratar-se de uma obra realizada em ambiente tombado, as execuções devem cumprir as exigências de preservação como a utilização de técnicas manuais ao invés de mecanizadas, preservação dos materiais e mobiliários urbanos retirados para serem substituídos, e a aprovação criteriosa da qualidade dos serviços e materiais, em conformidade ao Memorial Descritivo.”

Obras divididas em três setores  

O cronograma inicial da obra considera a finalização dos três setores da praça, feitos em 15 etapas. Segundo a Prefeitura de Nova Friburgo, após a finalização do primeiro setor, entre a Estação Livre e o parquinho, as próximas etapas contemplarão os setores 2, próximo ao coreto, e 3, no chafariz. Essas etapas incluem a execução da infraestrutura elétrica para a implantação da nova iluminação dos próximos setores e instalação de novos equipamentos, como o chafariz.

Para os próximos setores, estão previstas a implantação do sistema hidráulico e de drenagem, recuperação e manutenção dos monumentos e elementos arquitetônicos, a troca do piso e dos tentos dos canteiros do jardim e a instalação do novo mobiliário urbano, bancos, cestos de lixo e a implantação do paisagismo.  

Questionamentos 

Ultimamente frequentadores da praça e moradores do entorno têm criticado a demora na execução da obra e a derrubada das árvores ao redor do parquinho que não integravam o projeto original. Alguns deles, classificaram a ação como um “extermínio ambiental”. Outros observam que o piso utilizado seria de baixa qualidade devido a uma grande quantidade de lajotas quebradas que foram amontoadas no canteiro de obras durante a colocação. “Um desperdício do dinheiro público”, definiu uma moradora que enviou mensagem ao jornal. Encaminhados essas reclamações à prefeitura, mas não houve manifestação.   
Sobre a obra

A revitalização da Praça Getúlio Vargas tem como principal objetivo recuperar o projeto original de 1881. As obras foram iniciadas em 9 de junho de 2025, até agora, foram feitas melhorias na infraestrutura, como a instalação de nova iluminação, sistemas de drenagem e parte do novo piso, além da organização dos canteiros onde serão plantadas novas espécies.

Em janeiro deste ano, a prefeitura informou a conclusão da segunda fase dessa etapa do primeiro setor e o início de uma fase mais focada no paisagismo. Nessa parte, algumas árvores que não fazem parte do projeto original estão sendo retiradas, como as grevíleas, para dar lugar à Eucalyptus robusta, espécie do projeto original.

Todo o trabalho é acompanhado por órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Fundação Dom João IV, garantindo que a obra respeite a história e as características da praça.

História 

Projetada no fim do século 19, a Praça Getúlio Vargas faz parte da própria formação urbana de Nova Friburgo. O espaço foi desenhado em 1881 pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, o mesmo responsável por grandes projetos no país, e surgiu a partir da necessidade de organizar e drenar uma área que antes era alagadiça. A solução veio com a criação de um eixo arborizado, marcado pelos eucaliptos que até hoje definem a paisagem da praça que, devido a isso, passou a ser conhecida também como “Catedral dos Eucaliptos”.

Ao longo das décadas, a praça se consolidou como ponto central da vida social, política e cultural da cidade, reunindo encontros, eventos e manifestações populares. Em reconhecimento à sua importância histórica e paisagística, a Praça Getúlio Vargas foi tombada pelo Iphan em 1972 e, mais recentemente, passou a ser reconhecida também como patrimônio cultural e imaterial, reforçando seu papel como símbolo da memória e da identidade friburguense.

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim 
 

  • Foto: Henrique Pinheiro

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  • Foto: Leitor via Whatsapp

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  • Foto: Henrique Pinheiro

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