O aumento da população em situação de rua no Brasil tem se consolidado como um dos principais desafios sociais da atualidade. Dados recentes indicam que o país já ultrapassa a marca de 365 mil pessoas vivendo sem moradia, em um crescimento contínuo observado sobretudo no período pós-pandemia. O cenário, que reflete o agravamento da desigualdade social, também se faz presente em cidades de médio porte como Nova Friburgo.
Presença nas ruas e perfil flutuante
No município, a concentração de pessoas em situação de rua é mais perceptível em regiões de grande circulação, como o Centro. Locais como as praças Getúlio Vargas, Dermeval Barbosa Moreira e Marcílio Dias (Paissandu), além de localidades em Olaria, nas proximidades do Shopping Roseiral, tornaram-se referências dessa presença.
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, trata-se de uma população considerada “flutuante”, que varia conforme fatores como migração, oferta de serviços e condições econômicas. Ou seja, nem todos os indivíduos em situação de rua são naturais da cidade, e muitos circulam entre municípios em busca de oportunidades ou atendimento.
Rede de apoio e atendimento
Em Nova Friburgo, o principal equipamento público voltado a esse público é o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP). O espaço funciona como porta de entrada para a assistência social no município.
Entre os serviços oferecidos estão atendimento especializado, apoio para emissão de documentos, espaço para higiene pessoal, alimentação e guarda de pertences. O objetivo é promover a reinserção social e o resgate da cidadania. Além do Centro POP, a rede de atendimento conta com os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e serviços de acolhimento institucional.
Ações recentes e abordagem social
Nesta semana, por exemplo, uma ação de abordagem social foi realizada no coreto da Praça Marcílio Dias, no Paissandu, por equipes do Centro POP, com apoio da Guarda Municipal. Segundo relato divulgado pela psicóloga Camila Pascoal em sua rede social, a iniciativa teve como foco pessoas em situação de rua que não são de Nova Friburgo.
Durante a ação, foram realizados cadastros, levantamento de informações e orientações sobre os serviços disponíveis. A abordagem integra a política pública de assistência social, que busca garantir direitos, orientar deveres e oferecer caminhos para a saída das ruas.
Apesar dos esforços, o desafio permanece. A complexidade do fenômeno exige políticas públicas contínuas e integradas, capazes de enfrentar não apenas os efeitos, mas também as causas da exclusão social. Em Nova Friburgo, a realidade nas ruas reforça a urgência de soluções que aliem acolhimento, dignidade e oportunidades.
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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