Passageiros denunciam que Faol não estaria cumprindo decreto municipal

Leitor enviou vídeo que mostra ônibus da linha Olaria-Conselheiro com passageiros viajando em pé nesta sexta
sexta-feira, 27 de março de 2020
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)

De acordo com decreto da Prefeitura de Nova Friburgo, publicado no último dia 20, desde segunda-feira, 23, estão suspensas as atividades da administração pública municipal, direta e indireta, além da restrição do funcionamento de diversos estabelecimentos e serviços, como hotéis e pousadas, bares e restaurantes, clubes, academias, shoppings e casas de shows, além do transporte público. Ainda segundo o decreto, “entre 6h e 9h e 16h e 20h, a circulação dos ônibus deve ser integral”. Nos demais horários a frota de veículos fica restrita a 30%. Além disso, “a lotação dos ônibus limita-se à capacidade de passageiros sentados, em todos os horários”.

E é justamente esse trecho do decreto que tem causado polêmica e inúmeras reclamações. Segundo as denúncias, a empresa Faol não estaria cumprindo o decreto. A VOZ DA SERRA recebeu nesta sexta-feira, 27, fotos e vídeos que mostram passageiros viajando em pé num coletivo da linha Olaria x Conselheiro. “Cheguei no ponto do Jardim Ouro Preto, às 7h25 e o ônibus só passou por volta das 8h”, disse uma passageira, que preferiu não ser identificada – o que sugere que a linha não estava circulando em sua integralidade de horários. O video enviado por ela mostram pelo menos 13 passageiros viajando em pé no ônibus.

Os passageiros também reclamam que algumas linhas estariam fora de operação nesse período de vigência do decreto municipal. Consultando o site da empresa, A VOZ DA SERRA constatou que a Faol está operando em esquema de “atendimento emergencial”, com apenas 14 linhas: Olaria x Conselheiro; Riograndina; Jardim Califórnia; Alto do Floresta; Amparo; Nova Suíça; Theodoro; Cascatinha; Varginha; São Pedro da Serra; Lumiar; São Geraldo; Conquista; e São Lourenço.

O que diz a Faol

Em nota, a Faol respondeu que “o número de passageiros transportados caiu 90% e hoje opera com 30% da frota, como determinado pela prefeitura, com quadro de horários emergencial, com as linhas troncais que atendem diretamente 85% da população usuária, sendo que 12% da população, que utilizaria as linhas que estão paradas, estão, em média, a 750 metros de caminhada dos eixos principais onde passam as linhas troncais. Os 3% de usuários restantes são os das linhas que, infelizmente, costumam ser suspensas regularmente por conta de buracos e/ou lama. A queda no número de passageiros transportados colocou à empresa em dificuldades para pagar os salários de funcionários e o combustível utilizado, mesmo suspendendo todos as demais despesas previstas”.

Câmara se manifesta

O vereador Zezinho do Caminhão, que preside a Comissão Permanente de Acompanhamento e Fiscalização dos Serviços Públicos e Concedidos e Apoio aos Usuários confirmou as denúncias feitas por usuários e não poupou críticas à Faol e ao Governo Municipal. “Estou há quatro dias brigando por isso. Busquei solução com o diretor da Faol, Paulo Valente. Não avançamos, então passei a cobrar da Secretaria de Ordem e Mobilidade Urbana, depois na Secretaria da Casa Civil. Há um bom tempo a Faol vem tomando decisões unilaterais prejudicando os friburguenses. Por que o faz? Não recebe nenhuma penalidade, sabe que pode contar com a impunidade e com a falta de pulso do Governo Municipal. O prefeito tem sido generoso com a empresa, que recebeu reajuste sem ter contrato formalizado, subsídio totalmente ilegal de R$ 400 mil que já ultrapassou R$ 2 milhões, mesmo a empresa estando inadimplente com ISS e Outorga. Fora outro absurdo, que é a proposta de praticamente zerar esses impostos. É muita bonança e em contra partida a empresa vira as costa para a população suspendendo parte desse serviço tão essencial à nossa população. Estamos sem transporte para vários bairros e sem nenhuma sinalização do Governo Municipal”, criticou o vereador.

O que diz a prefeitura

A prefeitura informou em nota que “A Faol deve cumprir os horários e normas previstas no decreto. No caso de descumprimento, caberá  advertência e multas por conta do previsto no regulamento da Concessão e Lei da Concessão”.

 

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