No último domingo, 7, mulheres de diversas cidades brasileiras foram às ruas para denunciar o crescimento dos casos de feminicídio e outras formas de violência que violam o direito fundamental das mulheres a viver com segurança, liberdade e dignidade.
Em Nova Friburgo, o ato integrou a mobilização nacional “Mulheres Vivas”, convocada por coletivos, movimentos sociais e organizações feministas após uma sequência de crimes recentes que reacendeu o debate sobre políticas públicas de proteção. No município, a manifestação foi organizada pela Mobilização Nacional Mulheres Vivas e reuniu participantes em frente ao Instituto de Educação (Ienf), na Praça Dermeval Barbosa Moreira.
Com faixas, cartazes e palavras de ordem, o grupo chamou atenção para a urgência de ações efetivas de prevenção, acolhimento e justiça. Após a concentração, as manifestantes seguiram em caminhada pela Avenida Alberto Braune, seguindo até a prefeitura.
Dados alarmantes
O ato teve como lema “Queremos as mulheres vivas”, expressão que ecoa a indignação diante do cenário nacional. Dados divulgados em novembro pela Pesquisa Nacional de Violência Contra a Mulher, do DataSenado, revelam que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar somente em 2025.
O levantamento aponta ainda que quase seis em cada dez mulheres foram vítimas de agressões nos últimos seis meses, e 21% convivem com situações violentas há mais de um ano, evidenciando um ciclo difícil de romper. Em 40% dos casos, adultos testemunharam a violência, mas não prestaram qualquer ajuda.
No Estado do Rio, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), 79 feminicídios e 242 tentativas foram registrados até novembro. A escalada da violência também se reflete em crimes recentes que ganharam repercussão nacional, como o assassinato de duas funcionárias do Cefet, no Rio de Janeiro, e o feminicídio de uma cabo do Exército, em Brasília, cujo corpo foi encontrado carbonizado.
Alívio
Apesar do quadro nacional preocupante, Nova Friburgo apresenta um dado positivo: nenhum caso de feminicídio foi registrado em 2025. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam-NF), chefiada pela delegada Mariana Thomé de Moraes, atribui o resultado ao investimento contínuo em conscientização e incentivo à denúncia. Em 2024, o município registrou um feminicídio: o assassinato de uma analista do Tribunal de Contas do Estado, no distrito de Lumiar.
Como denunciar
A Deam reforça que qualquer suspeita ou violação dos direitos da mulher deve ser denunciada imediatamente. Em situações de emergência, o contato deve ser feito pela central 190, da PM. A Central de Atendimento à Mulher atua 24 horas por meio do Disque 180 e pelo WhatsApp (61) 9610-0180. Em Nova Friburgo, a Deam funciona anexa à 151ª DP, na Avenida Presidente Costa e Silva, Vila Nova. O telefone é (22) 2533-4023.
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