“Fazer literatura infantil é a razão da minha vida”, costumava dizer o escritor e educador carioca Álvaro Ottoni, radicado há décadas em Nova Friburgo. Com 45 anos de carreira, dedicados à literatura infantojuvenil, ele se dividiu entre sua escrita e estar com seu público infantojuvenil, para contar histórias, ouvir a criançada, através de palestras e oficinas.
“A árvore que fugiu do quintal”, lançado em 1981 — atualmente na 25ª edição — foi a primeira obra de uma carreira produtiva com mais de 30 livros. “Meu amigo medo”, lançado em 2018, foi seu último trabalho. Em 2013, por ocasião do lançamento de seu 29º livro, participou do Programa ABZ do Ziraldo, no Canal Brasil, onde conversaram sobre sua vida e obra, comemorando o lançamento de "O menino misterioso”, em uma dinâmico e bem humorado papo com Ziraldo.
Entre os seus livros mais conhecidos estão “O peixe que não sabia nadar”, “Quando o coração recebe visita”, “O pato pastel”, “Um livro voador” e “Quem mora aqui, quem mora lá”, este ilustrado pela cantora Miúcha. O antropólogo Darcy Ribeiro, certa vez, comentou: “Os livros do Álvaro são perigosos. Lendo-os voltamos a ser crianças”. E o homenageou com o nome da sala de leitura do Ciep Nação Rubro Negra, no Leblon (Rio).
A inspiração
Um dos maiores prazeres de Ottoni era realizar oficinas para despertar o interesse por livros e escrita. E não só em crianças e jovens. Foi insistindo que conquistou adultos pouco afeitos à leitura, além de realizar workshop para professores, como “O afeto e o olhar na educação”, desenvolvido com o renomado escritor Rubem Alves, que foi apresentado em universidades e instituições educacionais pelo país afora.
“Não demorei a descobrir que a infância fantástica que tive, é diretamente responsável por fazer da literatura infantil minha razão de vida. Foram as crianças que me fizeram perder a timidez, responsáveis por apontar o que eu fazia nas escolas. Foram elas que me empurraram para o mundo fantástico da contação, ao insistirem para que eu verbalizasse o que havia lido no meu livro. Assim, trabalhando na capacitação de professores, pela Fundação Biblioteca Nacional, passei a frequentar oficinas de contação de amigos mestres da arte do contar”.
Ottoni recorda que seu encanto com a literatura começou pela poesia, que chegou a publicar no livro Cantarolando, em 1975. Não pensava ainda em escrever para crianças. Até que a tristeza pela perda da casa em que nascera e crescera, e principalmente da “sua” árvore, a mangueira que morava no quintal, o levou a imaginar. ... “Ah, se essa árvore soubesse do risco que corria, fugiria!”.
Dessa reflexão veio a inspiração para o primeiro livro a abordar o tema ecologia para crianças, no país: “A Árvore Que Fugiu do Quintal” teve várias montagens teatrais. A primeira em 1990 foi convidada para participar da ECO-92. Também foi montada por alunos de escolas pelo país afora e, a partir de 2016, adaptada como musical, tendo no elenco suas filhas, as atrizes Cacá e Elisa Ottoni. O autor também era pai de Fábio.
Agora, Álvaro Ottoni, viúvo de Angela,continua contando histórias através de sua extensa obra, na Terra e onde mais estiver. A equipe de A VOZ DA SERRA manifesta à família enlutada o seu pesar.

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