Julho Amarelo: Friburgo terá ação gratuita de testagem contra hepatites virais

Campanha reforça importância do diagnóstico precoce, da vacinação e prevenção da doença
sexta-feira, 03 de julho de 2026
por Laís Lima*
Foto: Magnific
Foto: Magnific

Julho é o mês dedicado à conscientização, prevenção e combate às hepatites virais, doenças que atingem o fígado e, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa. Em Nova Friburgo, a campanha será marcada por uma ação gratuita de testagem rápida, promovida pela Secretaria Municipal de Saúde em parceria com instituições de ensino e pesquisa, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da vacinação.

A mobilização acontecerá no próximo dia 16, uma quinta-feira, das 10h às 16h, na Praça Dermeval Barbosa Moreira, no Centro. Durante a ação, serão oferecidos gratuitamente testes rápidos para Hepatite B, Hepatite C, HIV e Sífilis. Os exames são sigilosos, realizados por profissionais capacitados e utilizam apenas algumas gotas de sangue extraídas da ponta de um dos dedos da mão, com resultado em aproximadamente 30 minutos.

A iniciativa integra a programação do Julho Amarelo, campanha nacional instituída pela lei 13.802/2019, e antecede o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho.

Testagem amplia chances de tratamento

A Secretaria Municipal de Saúde destaca que identificar precocemente as hepatites virais permite iniciar o tratamento antes do surgimento de complicações, além de reduzir a transmissão das doenças.

Como muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas por anos, a realização dos testes é considerada uma das principais ferramentas de prevenção. A orientação é que toda a população aproveite a oportunidade para conhecer seu estado de saúde e incentive familiares e amigos a fazerem o mesmo.

Além das hepatites, a ação também busca ampliar o diagnóstico precoce de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), oferecendo atendimento em um ambiente reservado e acolhedor.

Doenças silenciosas exigem atenção

As hepatites virais são inflamações no fígado causadas por diferentes vírus e podem provocar complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Entre os tipos mais frequentes estão as hepatites B e C, consideradas especialmente preocupantes por permanecer assintomáticas durante longos períodos. Sem o diagnóstico, muitos pacientes descobrem a doença apenas quando o fígado já apresenta danos importantes.

A hepatite A é transmitida principalmente pelo consumo de água e alimentos contaminados e pode ser evitada com medidas de higiene e vacinação.

Já as hepatites B e D são transmitidas pelo contato com sangue ou outros fluidos corporais contaminados. A vacina contra a hepatite B é a principal forma de prevenção e integra o calendário nacional de imunização.

No caso da hepatite C, a transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado. Embora ainda não exista vacina, a doença possui tratamento altamente eficaz, capaz de levar à cura quando iniciado precocemente.

A hepatite E também está relacionada ao consumo de água contaminada, especialmente em regiões com deficiência de saneamento básico.

Vacinação: sempre a melhor proteção

Especialistas reforçam que a vacinação é uma das medidas mais eficazes para controlar as hepatites virais, especialmente a hepatite B. A imunização dos recém-nascidos é considerada fundamental. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam que a primeira dose seja aplicada preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida, ainda na maternidade, podendo ser administrada até 30 dias após o nascimento.

Essa estratégia reduz significativamente o risco de transmissão da mãe para o bebê e protege contra futuras infecções, diminuindo também as chances de evolução para doenças hepáticas graves.

Hábitos seguros ajudam na prevenção

Além da vacinação, a prevenção envolve uma série de cuidados simples no dia a dia. Entre as recomendações estão o uso de preservativos nas relações sexuais, a realização periódica de testes rápidos, a não utilização compartilhada de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos perfurocortantes, além da adoção de boas práticas de higiene e do consumo de água tratada.

O diagnóstico das hepatites é realizado por meio de exames de sangue capazes de identificar tanto a presença do vírus quanto os anticorpos produzidos pelo organismo.

Mitos sobre doação de sangue

Um dos equívocos mais comuns é acreditar que qualquer pessoa que já teve hepatite está permanentemente impedida de doar sangue.

Na prática, existem situações em que a doação é permitida. Pessoas que tiveram hepatite até os 11 anos de idade podem ser consideradas aptas para doar. Já quem teve hepatite após essa idade poderá doar caso não apresente evidências clínicas ou laboratoriais da doença no sangue, conforme avaliação dos serviços de hemoterapia.

Parceria fortalece a campanha

A ação em Nova Friburgo é organizada pelo Programa Municipal IST/Aids e Hepatites Virais, da Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Pró-Reitoria de Extensão da UFF (Proex), o Programa de Pós-Graduação em Gestão e Administração da Assistência Farmacêutica (PPGGAFar), a Residência em Farmácia Hospitalar da UFF, o Ceatrim e o Governo do Estado do Rio de Janeiro.

A expectativa é ampliar o acesso ao diagnóstico, conscientizar a população sobre os riscos das hepatites virais e fortalecer as ações de prevenção no município, destacando que a combinação entre vacinação, testagem e informação continua sendo a principal estratégia para reduzir os casos da doença e evitar complicações futuras.

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim 

 
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