O tão aguardado júri popular do tabelião Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos, 43 anos, terá início nesta terça-feira, 9, no Fórum Juiz Rivaldo Pereira Santos, na Avenida Euterpe Friburguense. Ele é acusado de assassinar a esposa Nahaty Gomes Mello, de 33 anos, grávida, além dos sogros Wellington Gomes Mello, de 75, e Rosemary Gomes da Cunha, de 67. O crime foi cometido em 13 de agosto de 2021, no bairro Cônego, e chocou a cidade.
A juíza Simone Dalila Nacif Lopes, titular da Vara do Tribunal do Júri, determinou que os jurados fiquem hospedados em um hotel durante todo o julgamento, acompanhados pela Justiça e pela Polícia Militar. A medida visa garantir segurança, evitar pressões externas e preservar a imparcialidade do Conselho de Sentença. O julgamento deve durar, pelo menos, dois dias.
Crime de enorme repercussão
Na noite da tragédia, o tabelião atacou a esposa e os sogros dentro da casa da família. Nahaty, que estava no sexto mês de gestação, e a mãe Rosemary morreram na hora. Wellington foi internado com ferimentos e morreu cerca de um mês depois, no hospital. A comoção tomou conta da cidade, especialmente porque Nahaty era conhecida por seu trabalho como juíza de paz, celebrando casamentos e cerimônias civis.
A repercussão do caso gerou mobilização de familiares, amigos e movimentos de defesa dos direitos das mulheres, que desde 2021 acompanham o processo e pedem a responsabilização do acusado.
Acusações
Segundo a Polícia Civil, o crime foi premeditado e ocorreu em contexto de violência doméstica. O Ministério Público sustenta que o réu agiu com frieza extrema. Ricardo Jucá responde por:
· Feminicídio (morte da esposa grávida);
· Homicídio qualificado (morte dos sogros);
· Aborto provocado por terceiro;
·Outras qualificadoras, como motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas.
Os crimes são julgados em concurso material, o que pode elevar significativamente a pena em caso de condenação. O réu está preso em uma unidade da Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), no Grande Rio. Na época da prisão, a defesa alegou que ele sofria de transtorno psiquiátrico e teria cometido os assassinatos durante um suposto surto, pedindo que aguardasse o júri em liberdade. A Justiça negou o pedido e manteve a prisão preventiva, afirmando haver risco à ordem pública.
O júri
A sessão do Tribunal do Júri deve se estender até quarta-feira, 10, com oitiva de testemunhas de acusação e defesa, debates entre as partes e, por fim, a votação dos jurados, que decidirão pela condenação ou absolvição do réu. Para garantir a segurança, além da hospedagem obrigatória, os jurados terão transporte oficial e escolta policial ao longo de todo o processo. Há expectativa de grande acompanhamento por parte da sociedade civil e de movimentos de enfrentamento à violência contra as mulheres.
O caso volta a mobilizar Nova Friburgo, que aguarda o desfecho de um dos episódios mais impactantes já registrados no município.

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