Apesar de ser um fenômeno climático comum, especialmente no verão, a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) está causando uma reviravolta no tempo com quedas bruscas de temperatura em pleno verão, ainda mais após semanas de intenso calor. Os friburguenses que chegaram a amargar temperaturas acima dos 35 graus no início do mês, agora enfrentam menos de 10 graus nas madrugadas e, quem diria, 12 a 15 graus durante o dia. É o inverno fora de época trazendo de volta os edredons e agasalhos de lã à cena. E além do frio, muita chuva.
A ZCAS é definida como uma longa zona de convergência de umidade, causada por corredores de nuvens que cortam o Brasil desde o sul da Região Amazônica até o Oceano Atlântico, passando pela região central do país.
A ZCAS resulta em vários dias consecutivos de frente fria e chuvas fortes, com um período mínimo de quatro dias, podendo ser o responsável por desastres naturais como alagamentos, inundações, deslizamentos de terra, entre outros.
De acordo com o ClimaTempo, condições climáticas podem ajudar a formação do ZCAS, como frente fria semi-estacionária na costa do Sudeste; Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), que é um sistema de baixa pressão atmosférica (ciclônica e horária) que se forma em torno de dez quilômetros de altitude; a Alta Bolívia, um grande sistema de alta pressão atmosférica (circulação anticiclônica e anti-horária) que se estabelece também em torno de dez quilômetros de altitude; e a presença de um cavado atmosférico em médios níveis da atmosfera, em torno de cinco quilômetros de altitude.
Fenômenos como o El Niño e La Niña, que tem escala global, também interferem na formação da ZCAS. As mudanças na circulação dos ventos em diversos níveis da atmosfera causadas pelo aquecimento (El Niño) ou pelo resfriamento (La Niña) anormal das águas da porção central e leste do Pacífico Equatorial, na costa do Peru, dificultam ou facilitam a organização da ZCAS sobre o país.
Chuva volumosa
Em Nova Friburgo, a previsão é que o mau tempo persista até a próxima segunda-feira, 26, quando o sol deve aparecer novamente. Nesta sexta-feira, 23, a quantidade de chuva pode chegar à 37.2 milímetros, com a tempestade prevista para começar às 10h e persistindo ao longo do dia. Além das chuvas, a queda das temperaturas continua repercutindo entre os moradores. No Pico do Caledônia, terça-feira, 20, por exemplo, foi registrado 9.3 graus e termômetros digitais, como o da Avenida Alberto Braune, registravam 13 graus na manhã desta quinta-feira 22.
Prevenção
Em casos de temporais e chuvas fortes, é necessário ficar atento aos alertas meteorológicos emitidos pela Defesa Civil, através dos canais de comunicação oficial. O órgão também orienta que a população evite áreas abertas durante descargas elétricas, não se abrigue sob árvores e estruturas metálicas, e mantenha atenção redobrada em locais com histórico de alagamentos e deslizamentos. Em caso de emergência, o órgão pode ser acionado pelo telefone 199 ou pelo WhatsApp (22) 2522-8182.

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