Há 91 anos, mulheres conquistavam direito ao voto no Brasil

Apesar de elas serem maioria do eleitorado, representatividade feminina na política é pequena em Friburgo
sexta-feira, 05 de novembro de 2021
por Christiane Coelho, especial para A VOZ DA SERRA
Há 91 anos, mulheres conquistavam direito ao voto no Brasil

O dia 3 de novembro é histórico na política e na conquista dos direitos das mulheres no Brasil. Foi nessa data, em 1930, que as mulheres conquistaram o direito ao voto, mas que só aconteceu na prática em 1932, quando entrou em vigor o Código Eleitoral Brasileiro, que trouxe esse direito às mulheres. Mas nem todas podiam votar, nessa época, somente as viúvas ou solteiras com renda própria. As mulheres casadas só tinham direito ao voto, caso os maridos autorizassem.

Depois de muitos anos de lutas das mulheres para preencher seus lugares na sociedade, em 1995, ficou determinado que, pelo menos 20% das vagas de cada coligação ou partido devem ser preenchidas pelas mulheres. Com a reforma eleitoral de 2009, os recursos do Fundo Partidário passaram a ser regulados pela participação feminina nos pleitos.

Representatividade em Nova Friburgo

Mesmo com o incentivo da legislação eleitoral, a presença feminina na política ainda é pequena. Em Nova Friburgo, das 21 vagas na Câmara Municipal, apenas três são ocupadas por mulheres: Maiara Felício (PT), a vereadora mais votada nas eleições de 2020, em seu primeiro mandato; Vanderléia Abrace Essa Ideia (PP), que está em seu terceiro mandato, e Priscilla Pitta (Cidadania), em seu primeiro mandato. 

Nesse cenário, houve avanço, apesar de pequeno. A cada eleição municipal, desde de 2014, uma vaga é conquistada por uma nova mulher. Em 2014, apenas uma vereadora, em 2016, duas vereadoras e nas últimas eleições, três mulheres. Isso tudo, apesar do número de eleitoras ser maior que o de eleitores. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), dos 150.838 eleitores friburguenses, quase 80 mil são mulheres, o que representa 53% dos aptos a votar no município.            Este cenário é questionado pelas três mandatárias do legislativo. 

O que dizem as três vereadoras de Nova Friburgo 

“Somos três  mulheres ocupando esse espaço em Nova Friburgo. É um número muito baixo, até porque se temos, em nossa população um número maior de mulheres, por que na representação política não conseguimos atingir esse contingente? É um desafio estar no meio dos homens e se fazer respeitada, se fazer entendida. Temos um trabalho maior até pelas questões pessoais, de às vezes, ouvir uma colocação com cunho machista, que cai no senso comum, mas que queremos combater. O mais importante é a coragem dessas três mulheres de estarem no lugar em que estão, pensando a política como ela deve ser e colocando a voz feminina para ser ouvida, representando tantas outras”, disse a vereadora Maiara Felício (foto abaixo).

“Nós somos a maioria dos eleitores em Friburgo e minoria na Câmara de Vereadores. Temos que debater essa realidade e entender porque isso acontece. O desafio é muito grande, porque sou uma mulher combativa. Não sei ver as coisas e ficar calada. Se eu ver algo errado, eu denuncio. Para mim é difícil, porque parece que não, mas existe uma perseguição em relação à minha postura, porque acabo atingindo os homens que ali estão. E mesmo com tudo o que as mulheres conquistaram hoje, a maioria dos homens ainda é machista em relação a isso. Ver  uma mulher combativa e que não abaixa a cabeça não é comum”, observa a vereadora Priscilla Pitta (foto abaixo).

“Discriminação de mulher na política existe até hoje, mas não me importo com isso, não deixo isso chegar ao meu coração. Penso que lugar de mulher é onde ela quer estar. Eu amo estar na política, amo o que faço, faço com carinho, com arte, beleza, com amor. Penso que as mulheres devem sim se interessar por política, procurar saber a respeito e se envolver cada dia mais”, disse a vereadora Vanderléia Abrace Essa Ideia (foto abaixo).

Representatividade na prefeitura 

Já no Poder Executivo municipal, as mulheres ocupam 34% das secretarias da Prefeitura de Nova Friburgo. Das 26 pastas, nove são ocupadas por elas: Controladoria Geral, Procuradoria Geral do Município, secretarias de Educação, Finanças, Planejamento, Desenvolvimento Econômico e Gestão, Gabinete do Prefeito, Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano Sustentável, Políticas sobre Drogas, Saúde e Subprefeitura do distrito de Conselheiro Paulino.

História das mulheres na política friburguense

Em Nova Friburgo, nas décadas de 1960 e 1970, Laura Milheiro de Freitas cumpriu intensa atividade na política-partidária do município, como a primeira vereadora do Estado do Rio de Janeiro. Ela presidiu a nossa Câmara e assumiu ainda a função de prefeita durante 40 dias, em substituição a Amâncio Mário Azevedo. Na década de 1980, foram eleitas Ledir Porto, Ângela Fernandes e Irany Medeiros. Em 1992, Saudade Braga assumiu uma cadeira na Câmara de Vereadores e no início da década de 2000, foi eleita e reeleita prefeita, governando o município até 2008.

 

 

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TAGS: eleições