Escolas de samba prometem espetáculo e levam tradição e encantamento para avenida

Confira as letras e os enredos
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Escolas de samba prometem espetáculo e levam tradição e encantamento para avenida

Grupo A (agremiações que irão desfilar na Avenida Alberto Braune, no sábado de folia, 14 de fevereiro)

Enredo: Cocanha: Um doce sonho de um Mundo Avesso

Fome, miséria… Desespero!
Ganância desmedida,
Pesadelo
O povo trabalha sem saber
Massacrado pra sofrer
Vive pra morrer!
Porém, a imaginação não tem limite
A esperança ainda existe em mentes geniais
Criamos um país perfeito, onde alegria é direito, amar é um ideal
 
Fechando os meus olhos eu posso enxergar
Riachos de vinho, banquetes sem par
É gula, é luxúria, um povo feliz
Utópico avesso que eu sempre quis
Utópico avesso que eu sempre quis
É gula, é luxúria, um povo feliz
Riachos de vinho, banquetes sem par
Fechado os meus olhos eu posso enxergar
 
E por falar em sonhar, se a vida é grilhão
Deixo o samba me levar
De sexta a quarta-feira, é na brincadeira
Que eu vou me acabar
É festa do povo, é o povo no topo
Pelo menos uma vez
Confetes pelo chão, serpentinas pelo ar
Meu sonho ganha cores pra brilhar
É Carnaval, vem festejar!
 

Enredo: “Jurema Sagrada, o canto da ancestralidade”

Vento que sopra no seio das matas,
Nas cachoeiras e cascatas.
Rasgando o véu do anoitecer
Trovão que anuncia o seu chegar,
Filha de Tupinambá a florescer
 Cresceu Índia forte e guerreira
 Certeira é sua flecha guardiã
Em seu destino um grande amor.
Hauscar se apaixonou pela Cunhã
 
A tribo não aprovou,
Viu seu amado preso e tentou defender
 (Auê, Auê! )
Na fuga, a desilusão cravada em seu coração,
Cabocla se torna um girassol!
E o índio então chorou,
Perdeu a sua amada ao te proteger
(Auê, Auê!)
Entre a dor e a escuridão, como prova da paixão,
Ergueu monumento no império do Sol
 
Onde Jurema caiu se fez raiz
Do vinho amargo nasceu religião
Dona das Sete Matas,
Índia da Pena Dourada, A flor da purificação
Ela é sagrada lá no Catimbó
E na Umbanda é Odé Maior
Eu quero a força do seu diadema
Risco a pemba pra te ver baixar
Komorodé! Okê Okê Arô!
Tu és a filha de um Caçador
Aos pés da Jurema, Juremá
Minha escola vai cantar
Hoje a noite é em seu louvor
 
Deixa defumar! Raio de Lua!
 A fumaça vem nos proteger
Contra todo mal nesse Carnaval,
Pro amor enfim vencer!

Enredo: Babá Talabí

Arroboboi oxumare,
Arroboboi Oxumaré 
Vem no toque do adarum 
Traz magia de vodun 
Pro Globo de Ouro vencer

Ago Dangbê
Araká Asé Ogodô
Ago Dangbê
Negro forte consagrou  
Sua alma africana 
Traz saberes ancestrais 
A lembrança da savana 
Dos antigos rituais
Resistência à escravidão  
Funda seu terreiro na Bahia  
Conquista a liberdade do irmão
A sua fé, missão de vida 

Salve Babá Talabí 
e seu Orí corado 
Traz o dendê de Benin o mercador respeitado 
O pai de santo guerreiro forjado no candomblé 
Nobre africano e a força do seu axé 

Em Salvador o ilê Oxumare 
Pra consagrar, sagrado ritual  
Giram Mães baianas no xirê
Poderosa crença ancestral
Paira sobre nós um arco íris  com babalorixás
No rastro da serpente suas raízes
Emana energia dos Orixás

Enredo: Laroyê Exu, Majuba

Olodumare
Soprou o destino
O mundo alafiou
Do tabuleiro da vida
Se faz a criação
Sou vento a proteger
O tempo de tumbeiro fez sofrer
A força da África a guiar
Nem todo sofrimento é lamento
Renasce minha essência no IFÁ
 
A bença ODOYA Patacori OGUM
Chamei o rei das matas
Não sofro a mal nenhum
Meu saber vem de OBÁ
YANSA pra defender
Salve o dono da terra ATOTÔ OBALUAÊ
 
Ensinamentos
Que transcende o babalaô
Trás elementos
Natureza de yle ife
Na erva a ciência do todo ancestral
Trago a redenção fauna e flora cultural
Sou eu
A voz o caminho de ORUMILA
Sou voz e caminho de ORUMILA
LAROIÊ
Gira baiana  ya petebi
Yaba é o fundamento  Herança ...
A lei que vigora é proteje
Na defesa da história
Mojuba a quem me rege
 
Imperador guardião da  encruzilhada
É o forte nas batalhas
Demandando todo mal
Na minha escola vencedor faz merecer
Axe! *Àbọ́rú,aboru Àbọ́yẹ́!
 

Grupo Especial (agremiações que irão desfilar na Avenida Alberto Braune, no domingo de carnaval, 15 de fevereiro)

Enredo: Sob o olhar da Felicidade
Carnavalesco: Alfredo Braga
 
Salve a Nação Guiné
Kaô, meu pai Xangô!
Trazida de lá pra cá
Felicidade chegou.
Negra que o açoite não matou
Crenças que a alma protegeu
Na senzala resistiu
E a esperança floresceu.
Renasceu pela mão que a libertou
É a chama que não se apagou!
 
Pelos caminhos do Morro Queimado
Puris Coroados, irmãos da terra
Guardiões desse lugar.
No encontro dos mundos, renasce o destino
 
É a luz que me guia nesse novo caminhar.
Firma no tambor, toca o Alujá
Ponto de Orixá pra saudar meu justiceiro
 
Sacode o maracá pra purificar
A força ancestral do meu terreiro
[BIS]
 De além mar, outras nações, outras bandeiras.
Entre correntes na escuridão
Suor e lágrimas regando o chão
Brotou a raiz da evolução.
Quis o meu destino e fui ao Orum
A minha paixão é a liberdade.
Do alto do céu, sou guardiã
Emanando amor e felicidade.
Entendi que em meu nome trago emoções
 
e alimentam muitos corações, que acreditam na vitória.
Vejo daqui a alegria, orgulho em fantasia
A comunidade a festejar
50 anos de paixão!
Sou a dona da festa, vem comemorar!
Olaria vai te emocionar!
[REFRÃO]
Abre a porta e a janela!
Um novo dia raiou,
Vem cantar com amor, IMPERATRIZ…
Vermelho e branco de fé
Imperiano raiz!
 
Oxalá abençoe esse povo que diz…
Abre a porta e janela! Um novo dia raiou,
Vem cantar, sambar e ser feliz

 A minha escola é de fé
 É negra a nossa raiz!
Vem chegando a Majestade IMPERATRIZ!
 
Enredo: “Procura-se Bandoleiro Mão de Luva”
Carnavalesco: Sérgio Caetano
 
Contam, nos confins das regiões,
Que ele veio de Portugal “apaixonado” 
Mas há quem diga que isso não aconteceu
Em Minas ele nasceu
Depois migrou por estas bandas
Trazendo a cobiça no olhar
Num afã de conquistar a confiança
Então os nativos se curvaram
E fizeram, enfim, uma aliança.
 
E nesse causo
Tem mistério e magia
Tristeza e alegria, contos de arrepiar 
Assim rolava um zum-zum-zum pela cidade
Se é mentira ou verdade, Deixa o povo falar.
 
E foi assim 
O forasteiro montou seu bando 
Índios e negros em seu comando 
Pelas veredas desse chão 
Todo o tesouro encontrado ele escondia 
Numa grande ironia, uma doce ilusão 
Até que um dia ele foi capturado 
Traído, condenado, ninguém sabe, ninguém viu
Aventureiro, temido o danado, Deixou o
seu legado... Cantagalo surgiu.
 
Êh, bandoleiro! Êh, bandoleiro, ah, Mão de Luva!
HOJE A TUA HISTÓRIA É MEU TEMA
Pioneira entra em cena Pra te exaltar. 

 

 

Enredo: Fantasmagórico
Carnavalesco: Peter Muniz
 
Silêncio!
Há todo um clima de suspense no ar
A bruma esconde a noite preta...
E um calafrio a te paralisar!
Lendas ganham vida nesse ritual,
Na beira do rio, sobrenatural
E o monstro que se manifesta
No breu da floresta vai te devorar!
Alma penada, na madrugada
Desse trem-fantasma não escapa ninguém!
Será real ou ilusão?
Ou só diversão pra quem volta do além?
 
A "terra treme" ao som dos vampiros,
Que arrancam suspiros com seu batucar!
Esse arrepio é o que faz toda gente sambar
A "terra treme" ao som dos vampiros,
Que arrancam suspiros com seu batucar!
 Medo, então vá de retro, pra gente sambar!
 
Lua cheia no céu, tem mistério no ar!
Revela-se um mundo irreal
Onde um lobisomem faz a festa,
Zumbis despertam pra brincar o Carnaval
Num caldeirão, na doce travessura da imaginação,
Não tem mais pesadelo, nem Bicho Papão...
Eu visto a fantasia pra vencer!
A hora chegou,
Não dá pra correr:
A minha escola vai pegar você!
 
Quem toca o terror na Avenida,
Não teme ninguém nessa vida!
Nação Roxo e Branco, amor de verdade!

Escola do Povo! Respeita a Saudade!

 
Enredo: Candomblé
 
O berço dos Orixás, olorum mandou criar no ilé-ifẹ̀
Voa àlùkò, Oxalá chegou
Fez minha alma com honra e fé
O dono do poder e criação
Faz a morada, ọbalùfọ̀n
Akúkọ cantou! ele é de quá quá quá!
Oh... que linda gargalhada que exú vai dar
Ele é odara, morador da encruzilhada
N'ganga mavambo, lebara!
 
Kòsí ewé kòsí orixá
No panteão de angola, ketu, jeje e nagô
O onã dobra o rum nesse xirê
Pra oxóssi caçador
Nas águas de oxum, reflete lógun ẹ̀dẹ
Oyá seus ventos sopram a forja de ogun
Nanã me lava, mas quem cura a chaga é ọmọlu
O seio de yemanjá, é mãe, é yaba, alimenta meu axé
 
Obá kaô, kabecilê
Obá inã, é loci, é loci amociô
 
Trovoada vai roncar. justiça é de xangô
É de oyó o nosso protetor
A vila canta seu candomblé
Na avenida, motumbá, kolofé
 
Ké kìkì alákòró
Ké kìkì alákòró
Tem sinfonia de alagbè no meu terreiro
Ké kìkì alákòró
Ké kìkì alákòró
A minha escola é ẹgbẹ́ de macumbeiro
 

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