Chegou a hora de robôs arqueológicos saírem das oficinas rumo ao Torneio Nacional de Robótica em São Paulo. Entre esta quinta-feira, 5, e o domingo, 8, e também entre os próximos dias 12 e 15, sete equipes das escolas Sesi do Estado do Rio de Janeiro, com 84 alunos entre 9 e 19 anos, estarão ao lado de mais de dois mil estudantes das redes Sesi-Senai, públicas e privadas de todo o país, disputando a etapa nacional que dará uma vaga no Torneio Mundial de Robótica em Houston, nos Estados Unidos.
De Nova Friburgo, a equipe Tucanus, da Escola Sesi, viaja nesta quarta-feira, 4, para mais essa etapa e estará entre os mais de dois mil estudantes, competindo na categoria FRC (First Robotics Competition).
Tendo a Arqueologia como tema, a equipe friburguense apresentará um robô de porte industrial, com até 55 quilos e mais de 1,5 metro de altura. Neste ano, eles participam com uma iniciativa inovadora: uma das alunas vai pilotar o robô a partir de uma guitarra Gamer, da série de jogos eletrônicos Guitar Hero. No ano passado, o técnico da equipe friburguense venceu o prêmio de melhor técnico do Brasil. O grupo de jovens de 15 a 19 anos vai disputar uma vaga no Mundial de Robótica nos EUA.
“Estar em mais uma competição com a equipe Tucanus é muito mais do que acompanhar partidas ou ajustar o robô na arena. É viver novamente a emoção de ver nossos alunos transformando esforço em resultado, desafio em aprendizado e sonho em realidade. Como técnico, carrego a responsabilidade de orientar, mas também o privilégio de aprender todos os dias com cada integrante da equipe. Competir é importante. Ganhar é especial. Mas formar pessoas, desenvolver caráter, disciplina e trabalho em equipe, isso é o que realmente nos move”, destacou Romulo Costa, instrutor da equipe Tucanus, da Escola Sesi Friburgo.
Entre os demais jovens da rede Firjan/Sesi, participam desta edição equipes das unidades Barra Mansa, Resende e Barra do Piraí na categoria FLL (First Lego League Challenge), na qual alunos de 9 a 15 anos constroem robôs com peças Lego e criam um projeto de inovação; uma equipe de São Gonçalo, na categoria FTC (First Tech Challenge), composta por estudantes do Ensino Médio e robôs de porte semi-industrial; e jovens do Ensino Médio de Friburgo, Jacarepaguá, no Rio, e novamente Resende, na categoria FRC (First Robotics Competition), com a missão de programar robôs de porte industrial, com até 55 quilos e mais de 1,5 metro de altura.
A robótica ressignificando vidas
Um dos integrantes da equipe Tucanus, o aluno Miguel Evangelista, de 17 anos, do 3º ano, era de uma escola estadual e, antes de estudar no Senai Friburgo, não sabia o que era robótica. Aos 13 anos, foi diagnosticado com retocolite ulcerativa, uma doença rara e incurável. No Senai acabou desenvolvendo interesse na robótica e no uso da engenharia na medicina.
Atualmente, ele faz curso técnico em Mecatrônica e pensa em estudar Engenharia ou Neuroengenharia para usar a tecnologia em possíveis alternativas e curas para diagnósticos como o dele. “A robótica deixou de ser apenas uma área de estudo e passou a representar um propósito de vida. Foi um divisor de águas na minha vida. Transformei minhas limitações físicas em um trampolim para voar mais alto. A robótica me deu propósito, autoestima, superação e fortaleceu minha comunicação e liderança. A robótica não apenas mudou meu futuro — ela ressignificou quem sou", destaca Miguel, empolgado com a próxima competição em São Paulo.
Para estarem entre os melhores do Brasil, os jovens do sistema Firjan/Sesi disputaram com 61 equipes, num total de cerca de 500 estudantes de escolas públicas, privadas, ONGs e equipes de independentes de todo o Rio e de outros dois estados (Bahia e Espírito Santo). Serão classificados para o Mundial nos EUA, entre 29 de abril e 2 de maio, três competidores da FLLC, cinco da FTC e quatro da FRC.

Deixe o seu comentário