As críticas pelo desempenho dentro de campo são justas. E os resultados não deixam mentir que o desempenho foi muito aquém, resultando no rebaixamento do Friburguense para a Série B2. E, que se reforce: o torcedor tem todo o direito de criticar e cobrar por melhorias. Eis aqui um dos grandes e melhores fundamentos de uma democracia. Contudo, na busca por melhores dias e soluções, sempre será mais fácil eleger culpados, reverberar clichês criados como “é panela” ou “não dá chance a pessoas da cidade”, do que olhar de fato para a realidade e entender o contexto amplo. E o amplo, no futebol, quase sempre é atrelado ao resultado. A linha é tênue entre o bom e o ruim, a competência e a incompetência. Às vezes separada por uma bola na trave ou o descuido de um zagueiro.
Em que pesem os erros internos, as limitações e os adversários — que muitas deveriam ser aliados — que o clube enfrenta fora dos campos não podem ficar obscuros. Como também o fato de que o mundo do futebol mudou e as exigências aumentaram. Os bastidores trazem fragmentos que fogem aos olhos de quem apenas senta na arquibancada ou digita numa rede social. É preciso pensar além, rever conceitos internos e, obviamente, assumir responsabilidades. Os resultados, embora não sejam a única explicação, evidenciam a necessidade de manutenções ou mudanças.
“Nesse momento, a gente fazer uma avaliação, vem tanta coisa na cabeça, não é? Eu sei desse tempo todo que a gente levou para atuar novamente, desde o 08 de novembro do ano passado, até o dia 06 de setembro. Com toda a dificuldade de fazer a estrutura nessa volta, já que perdemos a condição, a gente tinha até de 2019, deu uma complicada. A gente voltou um pouquinho mais tarde, mesmo sabendo que a nossa forma de fazer a folha esse ano foi totalmente diferente dos últimos anos. A gente tinha uma consciência muito grande, que tinha um recorde de jovens, mas voltados para chegar em uma semifinal. Hoje a gente se encontra sendo rebaixado”, lamenta Siqueirinha, gerente de futebol do Friburguense.
A fala do dirigente, que num contexto superficial pode indicar como mera desculpa, aponta para um cenário cada vez mais ingrato e desafiador. Não é de hoje que A VOZ DA SERRA aborda o tema, aponta as dificuldades e repercute também escolhas que levam ao insucesso. Erros obviamente foram cometidos, mas dentro de um universo limitado de escolhas para se fazer de outra forma. E é exatamente a busca por esse diferente que deverá guiar o caminho na tentativa de se reerguer.
“Temos que estar fazendo uma reflexão daqui para frente, para ver se vale a pena mesmo a gente dar essa continuidade de futebol profissional, mas de uma forma profissional, onde a gente possa atrair as empresas, o lado do setor público, os investidores, essas SAFs, esse dinheiro que venha de forma que possa mesmo dar uma estabilidade de trabalho.”
Diante deste cenário, Siqueira deixa o futuro completamente em aberto. O pensar em novos passos caminha paralelamente com outras alternativas, até mesmo com a possibilidade de uma troca de comando. A tristeza pela queda para a Série B2 deve ser acompanhada de uma reflexão: basta se ater à superficialidade, criticar sem embasamento e se alimentar do insucesso para inflar egos próprios ou se unir em busca de ações concretas? Quem ama o Friburguense e reconhece a sua representatividade, não terá dúvidas para encontrar a resposta.
“É refletir bastante e ver no que a gente pode se apegar. Esse é um momento de reflexão, de colocar na mão de Deus aquilo que são propósitos, entender se é hora de investir na base, dar uma segurada no profissional. Se tiver algo forte, se é para esse grupo, se realmente tiver um projeto sério, assumir, não sei. Esse lado que eu falo que é hora de reflexão, todo esse lado de mudança, ele pode acontecer com ou sem a gente, isso depende muito do que vai aparecer no próximo ano.

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