Córrego do Relógio: Indefinições sobre obras revoltam moradores da Vila Amélia

Mesmo após alertas e promessas, situação permanece a mesma
quinta-feira, 19 de março de 2026
por Isabella Rodrigues (*)
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro

Passado mais de um ano desde os acidentes que resultaram na retirada do deck de madeira que cobria o Córrego do Relógio, no bairro Vila Amélia, o perigo no bairro continua e não há perspectiva de obras no local. Sem qualquer avanço por parte do poder público, moradores continuam convivendo com a insegurança e o risco iminente de acidentes.

Além da falta de cobertura do córrego ao longo da Rua Teresópolis, outra “bronca” dos moradores da Vila Amélia é o trecho próximo ao Colégio Estadual Zélia dos Santos Cortes, que permanece com parte do calçamento afundado devido às fortes chuvas. Atualmente, o cenário no local é de preocupação, pois o córrego segue sem sistema de drenagem, não há uma contenção adequada para evitar que pedestres se acidentem.

Desde a tragédia climática de 2011, o Córrego do Relógio se tornou um dos principais pontos de atenção no bairro. Ao longo dos anos, soluções emergenciais foram adotadas, mas sem continuidade ou algum reparo definitivo. O guarda-corpo de madeira, improvisado e instalado para evitar quedas, é outro motivo de críticas. Moradores afirmam que a proteção é insuficiente, principalmente para crianças, e relatam medo constante ao circular pelo trecho.

Transtornos 

Nascida e criada na Vila Amélia, Luci Sanches comenta que há 20 anos é dona de uma banca de jornais, que ficava localizada na calçada do córrego. Desde a tragédia, Luci precisou mudar o local de sua banca para a pracinha em frente a quadra de esportes do bairro. Segundo ela, mesmo com a contenção de madeira, os acidentes continuam acontecendo.

“Isso aconteceu há 15 anos e mesmo assim não encontraram uma solução. Por aqui circulam muitos estudantes da Uerj, do Sesi e de escolas. Tinha que ter mais segurança”, reclamou a moradora.

Sandra Elena, também residente do Vila Amélia há 41 anos, foi uma das acidentadas por causa das madeiras podres do deck. “Quando ainda tinha aquelas tábuas sobre o córrego eu caí e me machuquei, cortei a perna. E não foi a primeira vez que isso aconteceu, já presenciei um senhor passando pela mesma situação que eu, ficou caído no final da rua”, lembrou

 (Sandra Helena)

Além disso, o mato alto tomou conta de partes da margem do córrego, dificultando a passagem de pedestres e contribuindo para o surgimento de animais indesejados. Em alguns pontos, buracos próximos ao leito do córrego aumentam o risco de acidentes.

O que diz a prefeitura

A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras informou que o projeto de reparos na Vila Amélia foi encaminhado ao Governo do Estado, por meio da Secretaria das Cidades, e vem recebendo avaliações positivas por parte da equipe técnica estadual.
“Atualmente, estão sendo realizadas reuniões técnicas semanais para ajustes e alinhamentos do projeto, com o objetivo de atender a todas as exigências necessárias para o seu prosseguimento. O diálogo constante entre as equipes tem sido produtivo e indica avanço consistente nas tratativas. Há expectativa de que o processo caminhe para a fase de licitação em breve”, disse.

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

 
  • Foto: Henrique Pinheiro

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