Bebidas alcoólicas adulteradas: Estado amplia ações e investiga dois casos suspeitos

Entre as novidades, está a criação de um setor para monitorar e encaminhar pacientes à unidade de referência
segunda-feira, 06 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Freeepik
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 O Governo do Estado do Rio de Janeiro intensificou, desde a última sexta-feira, 3, a vigilância e o combate à circulação de bebidas alcoólicas adulteradas no estado, após a notificação de casos suspeitos de intoxicação pelo país. A Secretaria estadual de Saúde (SES-RJ) instalou uma Sala de Situação para monitorar e encaminhar possíveis ocorrências de ingestão de metanol, substância altamente tóxica utilizada por grupos clandestinos na produção fraudulenta de bebidas.

Até agora, felizmente, não há casos confirmados no território fluminense, mas a SES investiga duas suspeitas registradas em Niterói e em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos. Durante a reunião inaugural da equipe de emergência, foram traçados fluxos de atendimento à população e definidos protocolos de ação, em consonância com diretrizes do Ministério da Saúde.

O Instituto Estadual São Sebastião, na capital, foi estabelecido como unidade de referência para o tratamento de eventuais pacientes intoxicados por metanol no Estado do Rio. A unidade de saúde contará com esquema especial para atendimento imediato.

“Estamos em alerta máximo. Antecipamos medidas de forma coordenada entre as secretarias de Saúde e de Defesa do Consumidor para dar tranquilidade à população e apoiar as prefeituras nas fiscalizações. Lançamos uma cartilha que orienta os consumidores sobre como reconhecer sinais de adulteração. Qualquer irregularidade deve ser denunciada”, afirmou o governador Cláudio Castro.

Em Nova Friburgo, conforme A VOZ DA SERRA informou na edição do último fim de semana, o Sindicato da Hospedagem e Alimentação (SindTurismo) está preparando um informativo com as precauções necessárias para consumidores e comerciantes. “Estamos somando com as entidades e autoridades do setor para termos uma ação preventiva e de preservação da saúde de todos. Vamos investir em um treinamento voltado a conscientização. O objetivo é alertar sobre os riscos do comércio ilegal e orientar quanto à identificação de adulterações ou falsificações de produtos — o que evidencia o compromisso contínuo das entidades com a segurança e a legalidade no setor”, destacou o presidente da entidade, Edson Almeida, o Biá.

Sintomas e atenção nos atendimentos

A secretária estadual de Saúde, Claudia Mello, determinou que as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) recebam orientações específicas para identificar possíveis casos de intoxicação por metanol. Segundo ela, os sintomas podem aparecer entre 12 e 24 horas após a ingestão de bebida adulterada.

“As pessoas que apresentarem visão turva, desconforto gástrico ou sinais semelhantes a gastrite após consumir álcool devem procurar a unidade de saúde mais próxima. É fundamental que as equipes médicas estejam atentas ao histórico relatado pelo paciente”, destacou a secretária.

O metanol é um álcool industrial presente em combustíveis, solventes e líquidos de limpeza, sem finalidade de consumo humano. Quando ingerido, pode provocar danos graves, como cegueira irreversível e até a morte.

Estrutura laboratorial

Os protocolos também preveem fluxo específico para a análise de exames de sangue coletados em casos suspeitos. O material biológico será encaminhado ao Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen-RJ), que firmou parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para agilizar os testes. Já as amostras de bebidas apreendidas serão enviadas ao Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS/SES-RJ) emitiu alerta para os 92 municípios do estado, reforçando a necessidade de vigilância ativa. As prefeituras contarão com apoio técnico da secretaria.

Ações de fiscalização

As medidas do governo também envolvem operações conjuntas de fiscalização. No último sábado, 4, uma ação da Polícia Civil, no município do Rio de Janeiro, resultou na prisão de uma pessoa por vender bebidas fora da validade e na condução de outras oito à delegacia. Diversas garrafas com indícios de falsificação foram recolhidas e enviadas para análise.

Casos em investigação

Em Niterói, a SES-RJ notificou o primeiro possível caso de intoxicação por metanol no estado. O paciente está sendo acompanhado, e a confirmação depende dos exames laboratoriais. Até a conclusão da análise, a pasta mantém a classificação como caso suspeito. Nesta segunda-feira, 6, outra suspeita foi registrada em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos. O paciente é um homem de 37 anos, que está sendo monitorado pelas autoridades de saúde e aguardando resultados dos exames.   

Orientação ao consumidor

Como parte da estratégia preventiva, o Governo do Estado do Rio de Janeiro lançou uma cartilha educativa em parceria com a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor, o Procon-RJ e a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe). O material orienta os consumidores a identificar sinais de adulteração, como preços muito abaixo do mercado, erros de ortografia nos rótulos, lacres violados e ausência do selo fiscal.

A cartilha será distribuída em terminais de transporte, unidades dos Procons municipais e locais de grande circulação, além de estar disponível nos sites da Secretaria de Defesa do Consumidor e da Abrabe. A publicação integra as comemorações dos 35 anos do Código de Defesa do Consumidor e reforça a necessidade de atenção redobrada na hora da compra.

Risco à saúde

A ingestão de metanol é uma das formas mais graves de intoxicação por bebidas adulteradas. Além da cegueira, a substância pode causar insuficiência respiratória e falência de órgãos vitais. As autoridades ressaltam que a prevenção depende da compra em locais confiáveis e da denúncia de irregularidades.

Com o reforço das fiscalizações, a criação de protocolos médicos e o lançamento de campanhas educativas, o Governo do Estado busca evitar que o Rio de Janeiro registre casos graves como os que já ocorreram em outras regiões do Brasil.

 

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