Baldeação no loteamento Tiradentes agora é feita por micro-ônibus

“A VOZ DA SERRA foi um divisor de águas”, disse membro do Coletivo Vozes do Tiradentes, fazendo menção a reportagem que expôs interrupção no serviço de van por membro da prefeitura
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
O micro-ônibus usado pelos moradores (Foto do leitor Evandro Rocha)
O micro-ônibus usado pelos moradores (Foto do leitor Evandro Rocha)

 

Cerca de 50 dias após as fortes chuvas do dia 22 de dezembro de 2019, um micro-ônibus foi colocado à disposição dos moradores do Loteamento Tiradentes, pela  empresa de ônibus Faol na manhã da última segunda-feira, 10. O sistema de baldeação está previsto para funcionar até que a obra de recuperação da Rua Jerônimo de Castro, na altura da conhecida Curva da Morte, seja finalizada.

O serviço é uma conquista da mobilização popular em conjunto com o Coletivo Vozes do Tiradentes, da Associação de Moradores de Amparo e do Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil do distrito. Segundo Gorete Reis, presidente em exercício da associação de moradores (Assaman), havia uma insatisfação da população local por conta da intranquilidade com relação ao transporte. De acordo com ela, a chegada do micro-ônibus foi o primeiro passo. Nesta semana a Associação vai observar o andamento do serviço e fazer as adequações para chegar a um denominador comum. 

“O micro-ônibus chegou para operar das 8h às 20h. Hoje (ontem, 10) começou mais cedo, por volta das 6h30. Precisamos mesmo que comece mais cedo e termine mais tarde. Estamos vendo essa possibilidade. Nós conseguimos o que precisávamos, que é o veículo. Pedi para toda a população ficar de olho. Vamos anotar as dificuldades para solicitar as providências na adequação do serviço, principalmente os horários”, disse a presidente em exercício da Assaman.

Evandro Rocha, membro do Coletivo Vozes do Tiradentes ressalta a reportagem de A VOZ DA SERRA que abordou os problemas e reivindicações da população. Segundo ele, a publicação foi um divisor de águas. “Após essa reportagem nós iniciamos um novo processo. Abandonamos a van – que não funcionou – e nos mobilizamos para que viesse esse micro-ônibus. A reportagem tornou pública a nossa dificuldade. Até porque houve uma reação muita negativa. Nas redes sociais quase houve violência verbal, em que algumas pessoas disseram que isso atrapalhou o serviço da van. Na verdade nós já estávamos sem transporte, porque o serviço da van funcionou somente nos dias 9, 10 e 12 de janeiro”, disse Evandro. 

Ainda no início, a expectativa é a de que o serviço de baldeação sofra alguns ajustes, como reduzir a distância entre o local de embarque e desembarque dos passageiros do micro-ônibus, na quadra do loteamento Tiradentes, até o local de embarque/desembarque dos ônibus da linha Centro-Amparo. “Pais de crianças pequenas, idosos e pessoas com bolsas de compras, estão subindo e descendo próximo ao cemitério e percorrendo cerca de 400 metros até a Curva da Morte. Terá de ter um diálogo entre a escola e a empresa para que o serviço seja satisfatório. Há a possibilidade dos coletivos fazerem manobra em um ponto da rua mais acima, em um lote, o que reduziria essa distância em 150 metros, aproximadamente”, informou Evandro.

Nossa reportagem apurou que o proprietário do terreno já deu permissão para utilização do lote para a manobra dos ônibus. “Assim que for feita a preparação do terreno para que isso aconteça o trajeto do ônibus será estendido. É uma conquista”, comemorou a presidente da Assaman.

“Serviço de van atrapalhou”

Segundo Evandro, a reportagem do jornal também alertou a população sobre a questão do transporte na região. “Eu creio que a van foi colocada na melhor das intensões, mas atrapalhou todo o processo. A impressão que eu tenho é que a van tirou a responsabilidade da prefeitura e da empresa Faol. Se o prefeito e os diretores da empresa tem a informação de que há uma van fazendo esse serviço, é como se o problema tivesse sido resolvido. A reportagem do jornal acendeu o alerta de que teríamos que exigir da prefeitura uma atitude em relação a empresa de ônibus. Em um momento de emergência a van foi uma ideia aceitável, mas imediatamente se tornou ineficaz. A van chegou em Amparo sem motorista, o que já foi um grande susto. O subsecretário de Estradas e Rodagem seria o condutor do veículo. Essa van funcionou em horários alternativos, se tivesse um motorista, mesmo que fosse em horário comercial, seria vantajoso”, observa o morador.

Evandro afirma que, apesar da população não ter recebido uma explicação oficial, a demora para ter o serviço de transporte funcionando seria por conta de um laudo da Defesa Civil que não liberava a passagem do micro-ônibus por questões de segurança. “O que eu soube é que a Defesa Civil autorizou a passagem da van. Além disso, chegou uma informação, a qual também não foi confirmada, que a Faol não enviaria o micro-ônibus até que a rua de paralelepípedos fosse consertada. Ficamos sem essa informação oficial”, lamentou o morador.

A presidente da Assaman destacou a mobilização coletiva e deseja que os problemas sejam resolvidos para que o foco do distrito seja o turismo. “Nós temos um circuito turístico rural, temos vários empreendedores. Nosso objetivo é falar bem do nosso distrito, mostrar o que tem de positivo e trabalhar para que os problemas decorrentes da chuva de 22 de dezembro sejam solucionados. Todas as ações que acontecem em Amparo são participativas, são colaborativas, não é só a Assaman. Aqui há pessoas que participam, questionam, colaboram e fazem muitas ações positivas. É um trabalho de equipe”, concluiu.

O que diz a prefeitura

Segundo informações da prefeitura o objetivo principal do serviço especial com micr-ônibus é auxiliar a locomoção das crianças que iniciaram os estudos, além da população. A passagem não é cobrada e o veículo não passa pela Curva da Morte. O serviço será paralisado em caso de emissão de alerta da Prefeitura de Nova Friburgo por meio da Defesa Civil, em caso de chuvas fortes. No entanto, a nota não esclareceu nossos questionamentos quanto ao tempo de espera pelo serviço.

     A direção da empresa de ônibus Faol também foi consultada para se manifestar sobre o assunto, além do tempo de cerca de 50 dias para que serviço fosse implementado, mas até o fechamento desta edição, não houve resposta.

 

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