Asfixiado: Como a falta de dinheiro e apoio levou o Friburguense ao colapso

Rebaixamento à Série B2 não é obra do acaso: jornalistas e gestão apontam ausência da prefeitura e de empresas como fatores decisivos para o "lamentável desfecho"
sábado, 08 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Asfixiado: Como a falta de dinheiro e apoio levou o Friburguense ao colapso

O rebaixamento do Friburguense à Série B2 levanta um debate que foge das culpas simplistas. Para analistas, jornalistas e para a própria gestão do clube, o resultado em campo é o sintoma de uma crise complexa, que envolve "asfixia financeira", a necessidade de rever conceitos internos e a dificuldade de viabilizar o futebol profissional na cidade. 

A "asfixia financeira" é apontada pelo jornalista Wanderson Nogueira como o fator previsível que levou ao "lamentável desfecho". Ele adverte que "não é hora de heróis de ocasião com fórmulas mágicas, nem de eleger um só vilão". Nogueira critica a "total separação de futebol do social" e a "total ausência da prefeitura, [que] demonstra o desprezo à institucionalidade que mantém viva a identidade da cidade". Para ele, é hora de "as grandes empresas locais serem convocadas à responsabilidade social". 

De dentro do clube, o gerente de futebol José Eduardo Siqueira, o Siqueirinha, detalha o impacto dessa falta de verba. "Desde que perdemos a condição que tínhamos até 2019, complicou bastante. A nossa forma de fazer a folha esse ano foi totalmente diferente", explica. Ele admite que o resultado fala por si, mas defende uma análise mais profunda: "Não tenho que explicar o resultado, ele fala por si só, mas é preciso uma reflexão daqui para frente, para ver se vale a pena mesmo dar essa continuidade de uma forma profissional". Siqueirinha cita a necessidade de "atrair as empresas, o lado do setor público, os investidores, as SAFs" e lamenta que, com menos apoio, "as divergências internas [sejam] maiores". 

Para o jornalista Vinicius Gastin, de A VOZ DA SERRA, é "muito mais fácil eleger culpados e apontar o dedo, reverberar clichês criados como 'é panela' ou 'não dá chance a pessoas da cidade', do que olhar de fato para a realidade". Ele lembra que "a linha é tênue entre o bom e o ruim" e que "ninguém, de fato, se importa em observar a luta diária". Gastin afirma que "o mundo do futebol mudou" e é preciso "rever conceitos internos e, obviamente, assumir responsabilidades". Ele finaliza com uma reflexão: "Vamos nos ater ao superficial... ou nos abraçar em busca de ações concretas? Quem ama o Friburguense, de verdade, não terá dúvidas para encontrar a resposta.” 

 

O radialista Rogério Albertini, por sua vez, recorda o "clube que leva o nome da cidade que, quando estava no auge... jogava em estádios sempre lotados" e onde os políticos "lá apareciam". Ele compara a situação com a de outros clubes: "O América... não sobe... O Maricá tem o apoio da prefeitura". Albertini decreta: "Sempre ouvimos dizer que o Friburguense não precisa de apoio e aí acontece esse rebaixamento... É o fundo do poço". A ideia de uma SAF também lhe parece distante: "Transformar o Friburguense em uma SAF... na quarta divisão muito impossível mesmo". 

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