Exatos 15 anos após o capítulo mais triste de seus 207 anos de história, a tragédia climática de 12 de janeiro de 2011 - que deixou mais de 900 mortos na Região Serrana, vítimas de deslizamentos e enchentes - Nova Friburgo dá um passo importante para que novos acontecimentos dessa magnitude não voltem a acontecer. Em cerimônia no Teatro Municipal Laercio Ventura, foi lançado, nesta segunda-feira, 12, o projeto de construção da primeira barreira Sabo do Brasil. A iniciativa, com tecnologia japonesa, pretende evitar novos deslizamentos de encostas durante chuvas fortes.
A barreira Sabo será construída na encosta localizada atrás do Hospital São Lucas, no bairro Duas Pedras, uma das localidades severamente atingidas em 2011 quando desabaram sobre Nova Friburgo e região em uma madrugada mais de 200 milímetros de chuva. O resultado de tamanha intensidade do temporal foi um imenso e devastador rastro de destruição. O local escolhido para o lançamento também foi emblemático: o teatro municipal, na Praça do Suspiro, um dos cartões postais friburguenses, que ficou internacionalmente conhecido pelas imagens da avalanche de lama e entulho que invadiram a praça com toneladas de lama e entulhos que desceram do Morro do Teleférico com uma velocidade avassaladora. A capelinha de Santo Antônio permaneceu de pé.
A cerimônia de lançamento da barreira Sabo reuniu autoridades federais, estaduais, regionais e municipais. O evento marcou o anúncio da conclusão da licitação e o lançamento da pedra fundamental das obras do projeto Sabo, que é uma iniciativa pioneira no Brasil, com tecnologia japonesa, para retenção de fluxo de detritos. Serão adaptados corredores sinuosos ao longo da encosta para canalizar a descida de água e detritos com menor intensidade, evitando o escorregamento de massa.
A iniciativa é resultado do Projeto de Aprimoramento da Capacidade Técnica em Medidas Estruturais Frente aos Movimentos Gravitacionais de Massa com Foco na Construção de Cidades Resilientes (Projeto Sabo). A obra, orçada em R$ 15 milhões, será executada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro com recursos do Orçamento Geral da União. O recurso é proveniente do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal).
O caminho até aqui
Nova Friburgo firmou, em 15 de dezembro de 2021, um Termo de Compromisso de Participação no Projeto de Cooperação estabelecido entre os governos do Brasil e do Japão. A implantação do projeto foi direcionada ao município, notadamente, em razão da catástrofe climática de janeiro de 2011.
Os estudos e discussões sobre a implementação da barreira Sabo em Nova Friburgo tiveram início em 2013, por meio do Projeto de Fortalecimento da Estratégia Nacional de Gestão Integrada de Riscos em Desastres Naturais (Gides), com a participação de técnicos da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) firmou, ainda, um Termo de Execução Descentralizada (TED) com a Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) para o desenvolvimento dos projetos da barreira Sabo e das vias de acesso para sua construção e futura manutenção. Tais projetos foram alinhados com técnicos da Prefeitura de Nova Friburgo em reuniões recorrentes.
Desde então, profissionais da Secretaria de Infraestrutura e Obras e da Subsecretaria de Projetos e Inovações em Obras Públicas, com apoio das pastas de Defesa Civil e Meio Ambiente, têm participado de todas as etapas de planejamento da intervenção. O processo incluiu reuniões multissetoriais em Brasília, além da recepção de equipes da União, do Japão e do Estado do Rio de Janeiro em Nova Friburgo para visitas de campo, reuniões estratégicas e encontros online.
Assim, a prefeitura participou das etapas de elaboração, desde o levantamento topográfico e licenciamento ambiental até a viabilização do acesso para a construção do equipamento, mediante a instituição de servidão administrativa — medida deliberada no Joint Coordination Committee de 2023, realizado em Brasília.
Após intensa discussão técnica envolvendo as equipes municipal e estadual, além de especialistas do Ministério do Desenvolvimento Regional e do Japão, a encosta em Duas Pedras, na rodovia RJ-130 (Nova Friburgo-Teresópolis) foi eleita para receber as intervenções. A área reúne as características necessárias para a retenção de fluxos de detritos e é considerada de grande interesse estratégico para mitigar riscos ao Hospital São Lucas e aos imóveis do entorno.





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