Com a chegada do inverno, o chocolate deixa de ser apenas um doce tão querido pelos brasileiros, para se transformar em um símbolo de aconchego. Seja em uma xícara de chocolate quente, em um fondue compartilhado entre amigos ou em sobremesas elaboradas, o alimento ganha destaque nas mesas e também nas vitrines de cafeterias, confeitarias e chocolaterias.
O aumento da procura durante os meses mais frios aquece o comércio e impulsiona a criatividade dos empreendedores, que apostam em receitas sazonais para atrair consumidores. Em cidades serranas como Nova Friburgo, onde as baixas temperaturas fazem parte da estação, o cenário é ainda mais favorável. O clima contribui para o aumento das vendas de bebidas quentes, bolos, brownies, tortas, entre outros.
Celebrado nesta terça-feira,7, o Dia Mundial do Chocolate reforça a relação entre a iguaria e o inverno. Embora a data tenha origem incerta, historiadores acreditam que ela faz referência à chegada do chocolate à Europa, no século XV, quando o produto passou a ser conhecido entre a nobreza e recebeu o apelido de "ouro negro", tornando-se símbolo de riqueza e poder.
Inverno fortalece o mercado
O impacto do frio sobre o consumo também aparece nos números da indústria. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) mostram que o inverno responde por quase um terço da produção anual de chocolates no país.
Em 2024, a produção brasileira atingiu 806 mil toneladas, mantendo o setor em um patamar elevado, mesmo diante dos desafios enfrentados pela cadeia produtiva do cacau. O consumo per capita também alcançou 3,9 quilos por habitante ao ano, um dos maiores índices da série histórica, indicando que o chocolate deixou de ser consumido apenas em datas comemorativas para fazer parte do dia a dia dos brasileiros.
Outro levantamento, realizado pela Kantar Worldpanel, revela que a presença do chocolate nos lares brasileiros cresceu de 85,5% em 2020 para 92,9% em 2024. No mesmo período, a frequência de consumo semanal passou de 56% para 65%, demonstrando que o alimento conquistou espaço permanente na rotina das famílias.
Muito além do sabor
Especialistas apontam que parte desse aumento no consumo está relacionada às sensações de prazer e conforto proporcionadas pelo chocolate. O cacau é rico em polifenóis, compostos antioxidantes que estimulam a produção de serotonina, neurotransmissor associado à sensação de bem-estar. Além disso, contém triptofano, aminoácido que auxilia na produção dessa substância e pode contribuir para a melhora do humor.
Essa combinação faz com que muitas pessoas associem o chocolate a momentos de relaxamento, especialmente durante os dias frios, quando aumenta a procura por alimentos mais calóricos e reconfortantes.
No entanto, nutricionistas lembram que o consumo deve ocorrer com equilíbrio. Chocolates com maior concentração de cacau costumam apresentar menor quantidade de açúcar e maior teor de antioxidantes, sendo considerados opções mais interessantes dentro de uma alimentação equilibrada.
Da bebida sagrada ao doce universal
Muito antes de conquistar o mundo, o chocolate fazia parte da cultura dos povos maias e astecas, que consumiam uma bebida preparada com sementes de cacau torradas, misturadas a especiarias, milho fermentado e até pimenta. Considerado sagrado, o cacau também era utilizado como moeda em algumas civilizações da Mesoamérica.
Com a chegada dos europeus ao continente americano, o produto foi levado para a Europa, onde inicialmente era consumido apenas pela aristocracia. Ao longo dos séculos, recebeu açúcar e leite em sua composição, tornando-se mais próximo da versão conhecida atualmente.
Foi somente após a Revolução Industrial que o chocolate passou a ser produzido em larga escala, tornando-se acessível a diferentes camadas da população e consolidando-se como um dos alimentos mais consumidos do planeta.
Preferência nacional
O mercado brasileiro continua sendo dominado por marcas nacionais. Levantamento da AtlasIntel, divulgado em abril de 2026, aponta a Cacau Show como líder absoluta da preferência dos consumidores, reunindo 40,5% das escolhas.
Na sequência aparecem Garoto (18,6%), Lacta (16,1%) e Nestlé (11,5%), marcas que possuem forte presença no varejo nacional. Já empresas voltadas ao segmento premium aparecem com participações menores, como Ferrero Rocher (3,9%), Kopenhagen (2,7%), Lindt (1,8%) e Kinder (0,9%).
O estudo também evidencia o crescimento de marcas brasileiras especializadas em chocolates de maior qualidade, como Dengo Chocolates e Brasil Cacau, que vêm conquistando espaço entre consumidores interessados em produtos diferenciados.
Chocolate brasileiro conquista o mundo
Além do sucesso no mercado interno, o chocolate brasileiro também vem ganhando reconhecimento internacional. No International Chocolate Awards de 2025, considerado uma das mais importantes premiações do setor, três chocolatarias brasileiras conquistaram medalhas de prata e bronze entre concorrentes de 14 países.
Entre os destaques está a Nugali, fabricante catarinense que se consolidou como uma das marcas brasileiras mais premiadas do mundo. Desde 2016, a empresa acumula dezenas de medalhas em competições internacionais. Em 2025, o Dragée de Cacau recebeu medalha de bronze na etapa Américas do International Chocolate Awards, reconhecimento que reforça a qualidade da produção nacional.
Tradição que atravessa gerações
Ao leite, branco, amargo, meio amargo ou com alto teor de cacau, o chocolate segue presente em diferentes momentos da vida. Seja para aquecer uma tarde de inverno, celebrar ocasiões especiais ou simplesmente proporcionar um instante de prazer, ele continua despertando memórias afetivas e reunindo pessoas em torno da mesa.
Com a chegada do frio, o doce reafirma seu protagonismo, movimentando a economia, estimulando o comércio local e confirmando que, muito além de um alimento, o chocolate faz parte da cultura e das tradições dos brasileiros.
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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