Atualmente, a pergunta "Qual é o seu maior objetivo para o futuro?" tem outro significado para os jovens. Há alguns anos, a resposta mais comum, provavelmente, envolveria estabilidade, emprego fixo e a expectativa de construir uma longa carreira na mesma empresa. Hoje, essa lógica já não representa boa parte dos integrantes da Geração Z, que reúne os nascidos entre 1997 e 2010.
Sem abandonar a vontade de crescer profissionalmente, eles passaram a enxergar o sucesso por uma perspectiva mais ampla, que inclui liberdade, saúde mental, propósito e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
Essa mudança de comportamento tem sido observada por diferentes pesquisas realizadas nos últimos anos. Um levantamento da Hogan Assessments, por exemplo, que reuniu mais de 23 mil brasileiros entre os anos 2001 e 2022, mostrou que os jovens da Geração Z apresentam níveis mais elevados de ambição e curiosidade quando comparados aos millennials (nascidos entre 1981 e 1996). O resultado contraria um estereótipo comum de que os jovens estariam menos interessados em construir uma carreira sólida.
Realizações sem abrir mão da qualidade de vida
Em vez de buscar apenas promoções e cargos de liderança, muitos preferem desenvolver diferentes habilidades, experimentar áreas distintas e manter a possibilidade de mudar de rumo sempre que necessário.
Para a estudante de Administração, Maria Costa, de 25 anos, moradora de Nova Friburgo, o sucesso deixou de ser uma meta única. "Eu quero crescer profissionalmente e ter uma boa renda, mas também quero ter tempo para viajar, estar perto da minha família e fazer coisas que gosto. Não vejo sentido em conquistar uma carreira se isso significar abrir mão da minha qualidade de vida.", explicou.
Mudanças
A entrada da Geração Z no mercado de trabalho acontece em um cenário muito diferente daquele vivido por gerações anteriores. O avanço da tecnologia, o crescimento do trabalho remoto e o surgimento de novas profissões ampliaram as possibilidades de atuação e fizeram com que trajetórias lineares deixassem de ser a única opção.
Ao mesmo tempo, jovens passaram a valorizar empresas alinhadas aos seus princípios e ambientes que ofereçam oportunidades de aprendizado. A permanência em um emprego deixou de ser, por si só, um sinal de sucesso. Hoje, a sensação de evolução profissional pesa tanto quanto a estabilidade.
Novas prioridades
Outro levantamento, realizado pela YouGov com jovens latino-americanos, reforça essa mudança de prioridades. Segundo a pesquisa, 47,4% dos entrevistados afirmam priorizar ganhos financeiros em vez do crescimento na carreira. Já 43,5% disseram amar o trabalho que exercem, o menor percentual entre todas as gerações analisadas.
Grupos diversificados
Uma pesquisa inédita divulgada pela revista Veja, em 2025, e realizada pela MindMiners, também aponta que a Geração Z reúne hábitos e convicções bastante diversas. Embora compartilhem características comuns, esses jovens não formam um grupo homogêneo. Enquanto alguns sonham em empreender, outros buscam concursos públicos, desejam atuar em empresas privadas ou construir carreiras independentes na internet.
Essa pluralidade ajuda a explicar por que conceitos tradicionais de sucesso já não conseguem representar todos os jovens. Os objetivos continuam sendo os mesmos, mas sem seguir necessariamente um roteiro definido.
Em vez de abandonar a ambição, a Geração Z parece estar apenas reformulando o caminho para alcançá-la. Se antes o sucesso era medido principalmente pelo cargo ocupado ou pelo tempo de empresa, agora ele também passa pela possibilidade de construir novas possibilidades e encontrar espaço para desenvolver diferentes projetos ao longo da vida.
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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