Entre o conforto e o desconforto do abraço

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O abraço entrelaça, envolve, aquece, acolhe, expressa, responde, cala.

Os corpos se aproximam, trazendo o encontro da pele, com intensidade ou suavidade, de forma rápida como o vento que bate à porta ou demorado como o cultivo de um adorável jardim.

Nos convida, de forma silenciosa, a refletir sobre aconchego, afago, vulnerabilidade, pertencimento, consentimento, invasão, dor, trazendo a profundidade que esse gesto singelo nos entrega a cada dia. 

A entrega do afeto parece ter o poder de trazer uma paz e conforto, que se instala em nosso corpo por aquele instante. 

O abraço apertado de quem está longe, o suave de quem precisa de delicadeza, o silencioso de quem não sabe o que dizer, o temeroso que soa como medo. Cada um na sua forma, nos envolve, despertando sentimentos que tomam conta do nosso ser. 

É o ato que nos desafia a ceder e a entender nossos limites. Um movimento natural, como o fluir de um rio tranquilo, mas também pode ser como tempestade, que inunda sem aviso, que invade sem permissão. Nessa hora, o corpo trava, o fôlego some, a mente se distancia. 

O abraço, que deveria ser um momento de conforto, reflete o desconforto, evidenciando um abismo. Fica pesado.

Desperta lembranças que foram impostas, do toque que não foi cuidado, da intimidade que foi violada. Remete à dor que ainda não foi curada, das emoções que não foram resolvidas, do passado que não quer ser revisitado. 

Mostra a ferida aberta, onde a pele arrepia, o corpo treme, o coração acelera.

Ainda tem, aquele que não quer ser abraçado. Que ao invés de afago, traz tormento. O toque causa constrangimento.

O abraço precisa ser consciente. O despertar da capacidade de observar o corpo que fala, que se aproxima, recua ou enrijece, entendendo que a sua força transborda sensibilidade de quem o oferece. 

Uma sensibilidade que está no respeito ao limite, no querer e não querer, no parar e continuar. 

No fim, o abraço é muito mais do que um simples ato de envolver os corpos. Ele é um lugar onde aprendemos a ler as percepções ocultas e nos ensina a olhar com mais atenção para o espaço do outro e para o nosso próprio espaço. Dança com empatia, em uma linguagem que vai além dos nossos olhos de ver.

Até a próxima quarta!

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Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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