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No desenrolar do ouvir e escutar

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
Ouço. Ouço o canto dos pássaros eternizar, a buzina do carro ecoar, o motor do ônibus firmar, a campainha tocar, o burburinho da conversa extrapolar, a máquina de café funcionar, a sirene dos bombeiros soar, o assobio do menino passar, as risadas espalhar, a família de micos nas árvores brincar, o bater das ondas do mar estourar, a queda d’água da cachoeira aumentar, a chave na fechadura encaixar, o disco tocar, o filme começar, o trânsito se formar, a chuva cair, o vento soprar, o ar condicionado ligar e desligar, a panela de pressão apitar.
Ouço diversos sons ao longo do meu dia, em uma ação involuntária que acontece sem eu me dar conta ou esperar.
Os barulhos vão fazendo parte da rotina, onde, com o hábito, deixamos de ouvi-los, mesmo sabendo que estão todos ali, diariamente, indo e vindo na jornada.
No desenrolar desse ouvir, surge o escutar.
O escutar atravessa o nosso interior, nos tira do centro. Nos coloca em uma posição de disponibilidade interna para si e para o outro.
Traz consciência da escuta do corpo, do silêncio, do olhar, das miudezas que ficam escondidas atrás da respiração ofegante ou silenciosa que transita o ser, desbravando para além das simples ou tortuosas palavras que saem da boca, emitindo ruídos que precisam ser sentidos na sua plenitude, para serem escutados com o coração.
Essa escuta profunda não nasce de forma rápida. Demanda preparo, como quando nos organizamos para correr em uma maratona. Precisamos de tempo, treino, prática, disciplina, espera, foco.
Me faz lembrar de um adolescente em atendimento, que me contou o quanto se sentiu reflexivo quando conversamos sobre as diferenças entre ouvir e escutar, pois percebeu o quanto escutar com profundidade evidencia empatia. Feito este que demora para entender com totalidade, mas é notado durante o desenvolvimento socioemocional, onde remodelamos a forma que enxergamos e sentimos o mundo.
Escutar também desperta ausência de superficialidade, atenção plena, observação revigorada, bagagem afinada que transborda em ações, avivando um novo significado.
A percepção se transforma de maneira latente, trazendo espaço para caminhos que são moldados através da escuta. Passamos a estar inteiro e não em uma silhueta rasa ou pela metade. As relações ficam mais conectadas, alinhadas, fortalecidas, acolhidas.
Eduque-se! Experimente escutar o outro e se escutar com sensibilidade, ativando a sua nova forma de sentir o mundo.
Até a próxima quarta!
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Contato
Site: www.camillafiorito.com.br
Instagram: @camilla.fioritoeduc

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
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