Nossas raízes

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 08 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Às vezes, ficamos dentro de bolhas no percurso da existência que esquecemos de nós mesmos, das nossas raízes. Cheiros, comidas, músicas, falas, lugares, pessoas que nos trazem uma memória afetiva única. Mexe com o que gostávamos, com quem éramos, de como vivíamos e sentíamos o mundo.

Isso me faz lembrar de alguns dias atrás quando viajei para uma cidade no interior do Estado do Rio de Janeiro. Um lugar com uma população um pouco maior que 20 mil habitantes, que deixou acesa uma parte da minha infância.

Os sentidos foram inundados com as lembranças do cheiro da rua de terra batida, dos pastos de gado, da primeira vez que andei de bicicleta "grande", das subidas nos pés de manga e jambo vermelho, de carregar varas de bambu andando por cima de muros para pegar frutas na árvore, da fita cassete gravada nos lados A e B com a música do grupo Nenhum de Nós “Camila, Camila”, cantada pela banda Biquini. Das idas às piscinas nos dois clubes que existiam, dos banhos na cachoeira, de nomes de crianças que nunca mais tive notícias, mas que brincavam comigo quando eu passava minhas férias escolares por lá.

Essa ligação genuína que balança a memória e invade todas as formas de sentir desperta inúmeros sentimentos, assim como quando vou à minha terra natal, nossa Nova Friburgo. Esses encontros e reencontros, entre passado e presente, resgatam sonhos que foram desejados enquanto criança e transformados na vida adulta. 

Na infância, nossa visão é pura, inocente, sem maturidade para entender diversas questões, diferente daquilo que encontramos no passar do tempo. Resgatar esses momentos nos ajuda a avaliar e refletir sobre aquilo que estamos realizando, vivendo, acreditando, esperando.

Traz valor à nossa história e às experiências que nos moldaram nos ajudando à refletir sobre as nossas raízes, entendendo a nossa essência, reconhecendo o que passou e nos fortalecendo para o presente e o futuro que ainda está por vir.

Com as nossas raízes fortalecidas, como as raízes profundas e robustas de uma árvore, nossa identidade se revigora e reafirmamos quem nós somos. Esse processo é necessário para reafirmarmos toda a construção que faz parte da nossa vida, mesmo que, em alguns momentos, lembrar do nosso eu profundo possa ser doloroso, trazendo desconforto de um passado que não quer ser visitado.

Siga em frente e reconheça a sua profundidade, a sua origem!


Até a próxima quarta!

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Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Camilla Fiorito

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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