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A coragem de ser imperfeito

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
A perfeição paira em nosso imaginário e faz com que deixemos de ser nós mesmos, dentro da nossa real existência.
É como se pensássemos em um conto de fadas, onde tudo e todos bailam ao som doce de finais sempre felizes. As linhas escritas ali soam e ecoam como verdadeiras mensagens que fortalecem a cobrança pela nossa autoperfeição.
Mas não, não somos perfeitos. Somos seres imperfeitos repletos de erros e acertos diários. Dia após dia, erramos, aprendemos e continuamos vivendo, pois todos esses pontos fazem parte do nosso ser, da nossa natureza. E isso não nos torna melhor nem pior, apenas nos torna humanos.
Existimos como um eterno quebra-cabeça e nem sempre as peças se encaixam na primeira tentativa. Vamos aprendendo, melhorando e nos aperfeiçoando, mas não nos tornamos seres não errantes que vivem em um mundo formatado e utópico, onde todos os problemas são resolvidos e a felicidade é absoluta, plena, por inteiro e em sua totalidade. Isso foge da nossa realidade.
Ser imperfeito requer acolhimento.
Acolher todas as nossas imperfeições, fraquezas e vulnerabilidades deve ser um processo natural e não algo que desperta vergonha, receio, pânico, pavor, temor, aversão. É preciso desenvolver a autenticidade, aceitando quem nós realmente somos, dando margem para que possamos crescer internamente, sem medo de mostrarmos que não somos perfeitos.
Ser imperfeito requer coragem.
Sentimos, caímos, levantamos, paramos, continuamos, fazemos boas escolhas, mas também realizamos escolhas equivocadas e isso faz parte do nosso aprendizado e processo de desenvolvimento. Nos traz maturidade e discernimento.
É como caminhar descalço na estrada de terra batida, sentindo o frescor e as pedrinhas que há na rota a ser seguida, sabendo que naquele ir e vir, podemos ser quem somos, provando o doce e o amargo dos desalinhos.
E assim, vamos construindo histórias e acumulando experiências.
Seguimos juntando cada pedaço como se fosse uma colcha de retalhos, costurando os remendos e enfatizando a importância de cada parte no curso da vida. Não nos deixando esquecer que dentro da nossa imperfeição existe o corajoso, que é quem se permite ser visto imperfeito. Sem máscaras, sem amarras. Desnudando o seu emocional, como um ser que ri e chora, falha e acerta, inventa e reinventa. Se constrói e desconstrói.
As imperfeições fazem parte de todos nós!
Respeite as suas e continue em frente.
Até a próxima quarta!

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
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