Quando o sonho tropeça na realidade...

Paula Farsoun

Com a palavra...

Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Frustação pesa na gente, não é mesmo? Eis um sentimento difícil de lidar. Impõe dor, perda de expectativa, sensação de que poderia ter feito mais, perspectiva de como teria sido o que não foi, vazio e até mesmo uma comparação inconsciente e incontrolável em relação a outras pessoas.

Você já percebeu que às vezes esse sentimento chega de mansinho, sem pedir licença, e se instala como um hóspede inconveniente que não sabemos bem como mandar embora? O sentir-se frustrado com algo pode vir de pequenas coisas ou de grandes acontecimentos: o tempo que passou sem que seu desejo se realizasse, a oportunidade que escorreu pelos dedos, o plano que parecia certo e deu errado, o trabalho que não rolou, a mensagem que não foi recebida, a promessa que não foi cumprida. Não tem manual para lidar com isso.

Receber “não” da vida machuca de verdade. Em uns mais, em outros, menos. Sobretudo quando esperávamos um “sim”. Quando batalhamos por esse sinal verde, ansiamos por levantar a bandeira ao final. E por vezes só nos resta o vazio de lidar com a obrigação de superar que aquilo que desejamos, esperamos ou planejamos simplesmente não se concretiza. É o vácuo entre a expectativa e a realidade.

É engraçado como, às vezes, a frustração parece uma professora rígida. Daquelas que te fazem escrever a lição 100 vezes no quadro até aprender. Ela insiste em mostrar que nem tudo está sob o nosso controle. E isso dói. Porque a gente foi criado para acreditar que basta se esforçar que dá certo, basta querer que acontece, basta sonhar que realiza. Pois é... não basta. Não sempre...

Muitas vezes a frustração não vem do tamanho do problema, mas da expectativa que a gente alimentou antes. É como esperar um banquete e receber um prato raso de sopa fria. Não é sobre a sopa em si, mas sobre tudo o que projetamos nela. Talvez a vida seja isso: aprender a ajustar o olhar, entender que nem sempre teremos o banquete, mas que ainda assim podemos nos alimentar daquilo que nos chega.

A frustração escancara os limites da vida e os nossos também. A gente aprende, às vezes feito pancada, que não é possível ter tudo, nem agradar a todos, nem controlar o imprevisível. Mas se tem algo de bom nisso – e sempre há – é que essa sensação incômoda também pode nos movimentar. Ninguém se reinventa na zona de conforto. É a frustração que cutuca, incomoda, empurra a gente para fora da cama nos dias difíceis. O inesperado tem esse poder.

No fim das contas, talvez a frustração seja só um lembrete de que estamos vivos, tentando, arriscando, desejando. Quem não se frustra é porque não tenta nada. E aí, cá entre nós, viver sem frustrações não seria apenas sobreviver?

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Paula Farsoun

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Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

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