Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
O corpo e o mapa do sentir

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
O nosso corpo sente.
Chora, clama, assanha, reverbera.
É intenso, volátil, encorpado, firme, maleável, rijo, falho, sem vergonha, destemido, sereno, tímido, escandaloso, bom, leal, inquieto. É tudo e nada.
Age como uma cidade em erupção, onde o vulcão transborda dia e noite, noite e dia, sem cessar, mas também fica remoto como o lago nos verdes campos, onde o vento diminui, pouco a pouco, pairando na serenidade do olhar.
O nosso corpo fala.
Resmunga em todos os segundos. Nos pede zelo, comida, água, descanso. Avisa o tempo de parar e continuar. Evidencia os nossos profundos limites, encoraja e dá tudo de si. Se mostra, se encolhe e se guarda.
Grita, esperneia e silencia conversas que jamais poderiam estar trancadas.
O nosso corpo dá sinais.
Entender esse processo é de difícil compreensão. Manifestações são ignoradas, mascaradas, deixadas para depois, de tempos em tempos, como se fossem a última prioridade a ser vista. Porém, o cuidado não pode esperar, pois grandes sinais ficam nas sutilezas das entrelinhas não ditas.
Um tremor, uma dor, um nó, um calafrio, um ardor. São tantas as nossas sensações que formam um mapa, onde sentimos um misto de sentimentos intensos e complexos, que passa em capa pedaço, curva e parada do nosso corpo.
Mas como perceber o nosso mapa do sentir? Estamos dispostos a descortinar e a desmascarar as sensações que deixamos guardadas no nosso interior? Conseguimos ficar expostos aos olhos que nos rodeiam e nos julgam em diversos instantes? É possível deixar os caminhos percorridos mais claros e menos nebulosos, para seguirmos de forma mais fluída?
O sol precisa entrar. Para trocar névoa por luz, mofo por brisa da manhã, é preciso abrir a janela do coração, tirar os bandôs das cortinas e deixar a claridade invadir o espaço.
Trilhar pela complexidade dos dias bons e ruins, trazendo aprendizados para seguir em frente, enfrentando vales tortuosos e virtuosos, faz parte do caminhar da vida.
Hoje, 10 de setembro, é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
Cuidar dos sinais que o corpo dá, é cuidar de si mesmo. Cuide da sua mente, das suas emoções e do seu corpo.
Conversar com alguém, desenvolver a autopercepção, falar sobre o sentir e as sensações que esse processo envolve é indispensável.
Se precisar, procure ajuda responsável. Você não está sozinho!
Até a próxima quarta!
Site: www.camillafiorito.com.br
Instagram: @camilla.fioritoeduc

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
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