O pensamento positivo influencia o cérebro ao estimular a liberação de neurotransmissores benéficos, como a serotonina e a dopamina, reduzindo o cortisol (o hormônio do estresse) e ativando caminhos neurais que promovem o bem-estar.
A ciência mostra que os 20 a 30 primeiros minutos ao acordar são fundamentais para o equilíbrio emocional e concentração no resto do dia
Esta prática melhora a saúde mental, diminuindo a depressão e a ansiedade, e fortalece o sistema imunológico, além de melhorar a saúde cardiovascular. Para desenvolver essa mentalidade, é importante praticar a gratidão, meditar e focar no presente, aceitando a realidade e transformando os pensamentos em ações concretas.
Mas, antes de aprofundar o assunto, é preciso falar de uma realidade que afeta a maioria de nós, aquela sensação que costuma se apossar do nosso cérebro ao final de cada dia: não conseguimos parar de pensar. Ou, talvez pior, não conseguimos dormir, obcecados com problemas que jorram feito cachoeira em dia de cabeça d’água.
Esse ciclo negativo se repete “ad nauseam”, e continuamos nesse treinamento insano do nosso cérebro para focar no negativo. No dia seguinte isso se repete como um padrão, automatizando esse estilo cognitivo. Hoje, a ciência mostra o quão importante é a maneira como começamos o dia e como isso pode determinar certas tendências no resto dele.
Está comprovado que os primeiros 20 a 30 minutos do dia são fundamentais para o equilíbrio emocional, nível de energia, motivação e concentração para a jornada. Ao acordar, nosso sistema nervoso central está no seu pico de maior ativação, extremamente permeável ao ambiente, ao nosso diálogo interno e ao que verbalizamos.
Especialistas sugerem: antes de sair da cama ou pegar o celular, fechar os olhos e respirar fundo, conectando-se com gratidão por tudo o que lhe parecer certo. A gratidão é incompatível com o estresse, a ansiedade ou o pensamento acelerado, pois conecta com a calma, a positividade, “aquela grandeza do eu” que é sentida no coração.
Coisas para ver e anotar
Por exemplo, à noite, antes de dormir, escreva à mão três coisas positivas que aconteceram durante o dia. Não como aumento de salário ou a confirmação de uma viagem, mas coisas simples que nos fazem sentir bem, felizes e de bem com a vida.
Induzir o cérebro a se lembrar desses momentos e capturá-los, anotando-os, substitui o viés negativo natural, também conhecido tecnicamente como “visão de túnel” — a tendência de nos lembrarmos de eventos negativos (pois têm um impacto mais intenso) por um novo estilo de pensamento que foca no positivo.
E depois, dormir com uma sensação de satisfação e de missão cumprida, levando a uma predisposição cognitivo-comportamental para um sono reparador.
Há quem, num primeiro momento, pense: “Mas, será que vou ter três coisas positivas num só dia para escrever? E se não tiver?”. Bem, que tal duas ou mesmo apenas uma coisa? Certamente você vai ter algo para anotar. Quem sabe um encontro casual com um(a) amigo(a) que não vê há tempos? A notícia de que seus exames médicos estão okay? Um passarinho passeando na sua janela? Uma criança que passou por você, te viu e sorriu? Observe ao seu redor. Quem sabe você descobre que andava às cegas por aí, desviando da vida. Então, antes de dormir, reveja seu dia e anote.
O cérebro é adaptável e moldável
Na neurociência, o pensamento positivo é visto como um fator que pode influenciar significativamente a saúde mental e física. Isso ocorre porque os nossos pensamentos estão diretamente ligados ao funcionamento do cérebro e à liberação de neurotransmissores que afetam o humor, a motivação e o bem-estar geral.
O cérebro é adaptável e moldável, um conceito chamado neuroplasticidade. Quando praticamos pensamentos positivos, fortalecemos as conexões neurais associadas a emoções e comportamentos positivos. Com o tempo, isso pode tornar mais fácil adotar uma visão otimista do mundo e lidar com os desafios de forma mais eficaz.
Pensamentos negativos crônicos ativam o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), responsável por liberar hormônios do estresse, como o cortisol. Altos níveis de cortisol podem causar problemas de saúde, como inflamação, comprometimento do sistema imunológico e até doenças cardíacas. O pensamento positivo, por outro lado, pode ajudar a regular essa resposta ao estresse, reduzindo a liberação de cortisol e promovendo um estado de calma e relaxamento.
Pensamentos positivos podem estimular a produção de neurotransmissores, como dopamina e serotonina, que são cruciais para a sensação de prazer e bem-estar. Esses neurotransmissores são frequentemente chamados de “químicos da felicidade” e estão associados a uma melhor regulação emocional e a um aumento na resiliência psicológica.
O pensamento positivo fortalece o córtex pré-frontal, a parte do cérebro responsável pela tomada de decisões e controle de impulsos. Isso facilita a capacidade de lidar com adversidades e manter a clareza mental, ajudando a pessoa a superar desafios com uma atitude mais otimista.
A prática do pensamento positivo pode melhorar interações sociais, pois quem tem uma visão mais otimista tende a ser mais empático e colaborativo, o que melhora as conexões interpessoais. Estudos também sugerem que pessoas otimistas são mais capazes de construir redes de suporte social, o que contribui para maior bem-estar emocional.
Por tudo aqui abordado, cultive o pensamento positivo!
(Fontes: La Nación)
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