Pivô de suspensão: um risco que pouca gente conhece

Márcio Madeira da Cunha

Sobre Rodas

O versátil jornalista Márcio Madeira, especialista em automobilismo, assina a coluna semanal com as melhores dicas e insights do mundo sobre as rodas

sábado, 16 de dezembro de 2017

“Quem entende de mecânica, não corre nas ruas.”

Essa frase, dita frequentemente por mecânicos mais experientes, refere-se muitas das vezes a uma pequena peça de fixação que fica escondida na suspensão, e que pouca gente conhece: o pino esférico, mais conhecido como pivô de suspensão.

A imensa maioria dos motoristas, ao calcular a velocidade ideal para percorrer uma curva, leva em consideração apenas a aderência disponível entre pneus e piso. Outras peças, no entanto, também trabalham sob carga quando em aceleração lateral, e podem surpreender o condutor de maneira negativa e perigosa, caso não sejam observadas as manutenções necessárias e as velocidades compatíveis.

Os pivôs são pinos articulados que basicamente prendem o cubo da roda à suspensão.  Eles fazem a ligação entre as partes suspensas, como o monobloco ou a carroceria, e as partes não suspensas, como amortecedores, mangas de eixo e cubos de roda. Em português mais claro, eles são os responsáveis por manter as rodas na posição correta, sustentando o peso do veículo, e obedecendo aos comandos do condutor.

Deste modo, toda a dirigibilidade do veículo depende da fixação e da resistência dos pivôs. Por isso eles são protegidos por uma coifa, que tem por função impedir que pequenos grãos de poeira ou qualquer partícula estranha penetre no alojamento da esfera de articulação, gerando desgastes prematuros ou folgas que prejudiquem a fixação.

Todo cuidado se justifica, porque a quebra de um pivô resulta no desligamento entre o cubo de roda e a suspensão. Em alguns casos, dependendo do formato do veículo, o amortecedor pode chegar a bater no retrovisor. Se a quebra ocorrer com o veículo em movimento, o risco de sérios acidentes é elevado. Especialmente porque a ruptura costuma estar relacionada a grandes pressões, que normalmente são fruto de altas velocidades. Na maioria dos casos, com a quebra do pivô a roda cai.

A maior parte dos veículos utiliza pivô articulado por braço de suspensão ou por bandeja. Nos dois casos a articulação ocorre em juntas de metal-borracha chamadas de silent-block, também conhecidas como buchas de bandeja. Elas devem ser substituídas em conjunto com suas braçadeiras quando apresentarem desgaste, pois provocam folgas na suspensão e geram ruídos indesejáveis. Em veículos equipados com bandeja, especialmente em casos de pivô prensado, não deixe também de substituir essa peça quando efetuar a troca do pivô. E evite peças paralelas, pois não vale a pena economizar em algo tão importante para a segurança de quem trafega.

Por todos esses fatores, o motorista deve sempre estar atento ao estado da suspensão de seu veículo, fazendo verificações periódicas e observando ruídos ou vibrações anormais. Da mesma forma, a existência dessas peças representa um motivo a mais para evitar velocidades excessivas em ruas e estradas. Ninguém, afinal de contas, quer correr riscos desnecessários quando está dirigindo.

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