Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
O Natal bate as nossas portas

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
Estamos há uma semana do Natal, uma festa cheia de significados e comemorada praticamente no mundo todo. Para as religiões cristãs, ela marca o nascimento de Jesus Cristo, que segundo a tradição católica é o filho de Deus, sob a forma humana. Veio ao mundo para redimir os pecados da humanidade, fundar uma nova religião e preparar a salvação daqueles que nele acreditaram.
Mas, o Natal é muito mais, pois representa uma festa da família, um congraçamento entre as pessoas. Quando elas se reúnem podem ou não trocar presentes, ceiam juntas, se mostram contentes com a presença seja de familiares, seja de amigos. Aliás, é muito comum o famoso “amigo oculto” quando, durante um almoço ou jantar de confraternização, as pessoas trocam presentes após um sorteio prévio.
É interessante frisar que, segundo a história, Jesus nasceu numa gruta próxima à cidade de Belém, na Palestina, para onde seus pais tinham se deslocado para o recenseamento ordenado pelo imperador César Augusto. Aliás, foi um fato histórico que situou o nascimento de Jesus em um contexto real, comprovando que o relato bíblico é fundamentado em eventos concretos da época. Mas, quando José e Maria chegaram na cidade, próximo ao parto, as hospedarias estavam cheias. Daí terem achado uma gruta, que era utilizada como estábulo e o porquê de Jesus ter tido como berço, uma manjedoura.
Mas, sempre existiu dúvidas quanto ao verdadeiro dia do nascimento de Jesus. A Igreja Católica e o ocidente consideram essa data, a partir de uma teoria que aponta o papa Julius I como o seu idealizador. Igrejas orientais, incluindo as ortodoxas e a copta, comemoram o nascimento de Jesus Cristo no dia 7 de janeiro. Isso porque sabemos que, no final do século II d. C., os grandes teólogos da Igreja que debatiam sobre o nascimento de Cristo não consideravam o 25 de dezembro como o dia de tal evento. Em uma declaração, Clemente de Alexandria cita diferentes dias para o nascimento de Cristo: 15 de abril, 20 de maio, e 20 ou 21 de abril.
No entanto, existe uma explicação para a data de 25 de dezembro. Os historiadores não têm uma resposta certa, mas acreditam que a escolha do dia 25 de dezembro foi parte de uma estratégia da Igreja de enfraquecer comemorações pagãs que aconteciam nessa data. Uma dessas comemorações, o solstício de inverno, era conhecida como Dies Natalis Solis Invicti e era realizada para o Sol Invicto, um deus romano. Com o tempo, essa festa associou-se com Mitra, um deus persa que era cultuada nas terras romanas. Outra comemoração que ocorria próximo ao 25 de dezembro era a Saturnália, festa em homenagem a Saturno. Os historiadores alegam, então, que colocar o Natal no dia 25 de dezembro era uma forma de esvaziar a festividade pagã e garantir fiéis ao cristianismo. O argumento retórico era basicamente mostrar que uma pessoa não estava celebrando Mitra ou o Sol Invicto na referida data, mas sim o nascimento de Jesus Cristo. É preciso acrescentar que a palavra natal significa nascimento, daí a expressão “cidade natal de fulano”.
Claro está que, infelizmente, a conotação de ser uma data na qual o comércio fatura muito é uma realidade, principalmente a partir de meados do século XX. A própria figura do Papai Noel foi desvirtuada. Ele é um dos símbolos mais importantes do Natal; sua criação foi inspirada no bispo São Nicolau, que costumava ajudar as pessoas pobres e foi canonizado pela Igreja Católica. A primeira imagem do Papai Noel foi desenhada pelo alemão Thomas Nast, no final do século XIX. No entanto, sua figura é difundida como o bom velhinho, aquele que coloca os presentes, pedidos pelas crianças em cartas ou orações a ele dirigidas, ao pé da árvore de Natal.
Por falar em árvore de Natal, ela tem um significado especial nesse contexto. Acredita-se que tinha uma ligação religiosa com povos de origem pagã que as usavam como enfeite ou como parte de seus rituais religiosos. Ou, numa explicação religiosa, onde o formato triangular do pinheiro representaria a Santíssima Trindade. O costume de trazer árvores para dentro de casa e enfeitá-las data da antiguidade, mas começou a ser utilizada pelos cristãos por volta de 1500, com Martinho Lutero.
Nada, no entanto, diminui a grandiosidade desse acontecimento e, creio, que num mundo tão desumano como o atual, tão cheio de problemas, ser o momento ideal para uma reflexão e para que as famílias repensem sua atuação perante a formação dos seus filhos e perante a sociedade. Apesar dos regimes comunistas e socialistas trabalharem com firmeza e subliminarmente, para destruir os fortes laços familiares, a família ainda é a força motora que mantém a integridade de um país. Sem ela, seríamos um mero grupo de homens sem destino. Ou simples joguete nas mãos governantes sem escrúpulos.
Desejo aos meus leitores e a toda a equipe do jornal A Voz da Serra, um Feliz Natal, com muita saúde, paz e alegria. Ao contrário dos anos anteriores e para desespero daqueles que me seguem, estarei de volta depois do Natal.

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Deixe o seu comentário