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E o carnaval está chegando, todo cuidado é pouco

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
Estamos a três dias do carnaval, uma festa popular muito importante no calendário brasileiro. De acordo com a professora de História Juliana Bezerra, “o Carnaval tem sua origem na Antiguidade com festas aos deuses onde se permitia uma alteração na ordem social. Desta maneira, os escravos e servos assumiam os lugares dos senhores e a população aproveitava para se divertir. Ainda, segundo ela, na Babilônia, se realizava a comemoração das Saceias, onde era permitido que um prisioneiro assumisse a identidade do rei por alguns dias, sendo morto ao fim da comemoração. Já na Grécia Antiga, havia festas para se comemorar a chegada da primavera onde estava permitido que toda população, sem distinção de nascimento, participasse do evento. Celebração semelhante ocorria no Império Romano, na Saturnália, quando as pessoas se mascaravam e passavam dias a brincar, comer e beber”.
“No Brasil, ele surgiu com o entrudo trazido pelos portugueses. Este consistia numa brincadeira, quando as pessoas atiravam água, farinha, ovos e tinta umas nas outras. Por sua parte, os africanos escravizados se divertiam nestes dias ao som de batuques e ritmos trazidos da África e que se mesclariam com os gêneros musicais portugueses. Esta mistura seria a origem da marchinha de carnaval e do samba, entre muitos outros ritmos musicais. No começo do século XX, com o objetivo de civilizar a festa, a prática de lançar farinha e água foi proibida. Por isso, as pessoas começaram a importar dos carnavais de Paris e Nice o costume de jogar confetes, serpentinas e buquês de flores”.
Mas, é sempre necessário alertar as pessoas para que os folguedos carnavalescos não se tornem um problema sério, podendo comprometer esses quatro dias de lazer de maneira irremediável. Assim, nunca é demais passar alguns conselhos, que sempre ajudam nesses dias. Em primeiro lugar, sabemos que muitos aproveitam para viajar daí a necessidade de verificar se o meio de transporte disponível está em condições de enfrentar a estrada. Verificar os freios, o sistema elétrico (luzes de freio, faróis, lanternas), o nível do óleo e da água e a calibragem dos pneus é muito importante.
Outro ponto a destacar é traçar um roteiro de viagem que não seja cansativo, com paradas para descanso a cada três horas, no máximo. E ter ou o obsoleto mapa rodoviário ou os métodos mais modernos como o wazer ou o google maps. Mas, uma observação é importante, não confiar cegamente nesses dispositivos, pois nem sempre o roteiro proposto é o mais correto. E, muito importante, respeitar a sinalização das estradas, a velocidade máxima, não fazer ultrapassagens perigosas e ter em mente, sempre, que nesse período do ano, a pressa é uma inimiga da segurança.
Em segundo lugar, devemos no lembrar que estamos no verão onde o calor é intenso e isso requer uma série de cuidados. Com o sol forte, o uso de protetores solares é uma necessidade, para evitar queimaduras e a exposição intensa aos raios ultra violetas. As queimaduras podem ser graves, as do terceiro grau necessitando de internação hospitalar e o risco de câncer de pele aumenta muito em função de uma exposição prolongada. Além disso, transpira-se muito nessa época, daí a necessidade de se beber muita água, pois o risco de uma desidratação é muito alta, principalmente nas crianças e nos idosos.
Os cuidados com a alimentação também são muito importantes, pois comer em quiosques, produtos vendidos por ambulantes e em barraquinhas dispostas nos locais de passagem dos blocos, requer muito cuidado. A conservação do que é vendido, principalmente os perecíveis, nem sempre é adequada, o óleo para frituras dificilmente trocado no tempo correto e a higiene na preparação do que se vai oferecer, nem sempre seguindo a orientação segura. O risco de complicações intestinais está sempre presente e a falta de sanitários em número suficiente, um complicador a mais.
Em terceiro, apesar de mais delicado, é um assunto a ser abordado. Tantos homens e mulheres, devem ter sempre a mão uma quantidade razoável de preservativos. Os costumes mudaram, a permissividade é uma constante e, nos folguedos de Momo, essa quebra de barreiras morais que ainda persistem, são uma constante nesses quatro dias. A Aids, apesar de ter deixado de ser o terror dos anos 1990, não foi erradicada e é uma ameaça constante; mas não é só ela, pois temos assistido a um aumento crescente das doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e a blenorragia (gonorreia), essas as mais conhecidas.
E, é sabido que o Carnaval liberta os instintos, tanto é assim que era conhecido, antigamente, o aumento do número de partos, nove meses após os folguedos momescos. Com o advento dos anticoncepcionais, esse risco diminuiu, mas persiste, pois na hora h, o esquecimento da tomada da pílula pode ser fatal. Daí, a importância do preservativo.
E, um último alerta, tão importante quanto os demais. Modere o uso das bebidas alcóolicas, pois elas são fontes de problemas sérios. Uma pessoa alcoolizada perde o senso da realidade, pode se tornar agressiva, inconveniente e, principalmente, causadora de acidentes sérios, ao dirigir após consumo de álcool. Infelizmente, no Carnaval, o aumento do consumo “da marvada” é alto, pois muitos, para se divertirem, têm de estar “calibrados”.
Que todos tenham quatro dias de festas bem aproveitados, com muita saúde e muita paz. Mas, tenham cuidado, não ponham em risco a própria vida e a da família.

Max Wolosker
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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
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