Novo capítulo

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Para pensar:

"Escute 100 vezes, pondere mil e fale apenas uma vez.”

Provérbio turco

Para refletir:

“Ofende os bons, quem poupa os maus.”

Provérbio romano

Novo capítulo

O procurador-geral do Município, Ulisses da Gama, divulgou mais um vídeo nesta quarta-feira, 29, em resposta às críticas que vem recebendo na Câmara Municipal, sobretudo por parte dos vereadores Professor Pierre e Zezinho do Caminhão, os quais citou nominalmente.

Entre uma ou outra analogia bastante característica de determinado tipo de orador, o PGM afirmou ter acionado a Comissão de Prerrogativas dos Advogados junto à 9ª Subseção da OAB, e que, “com base nela, e com o respaldo dos meus pares, tomarei as providências devidas”.

Segue

O procurador afirmou ainda que poucos dias atrás “saiu mais uma sentença referente ao tema de incorporação de gratificações”, e que o texto em questão “se baseia no parecer que foi exarado pelo procurador-geral do município”.

Ao se referir a um vídeo gravado pelo vereador Zezinho do Caminhão, Ulisses, declarou que tomará “as medidas legais cabíveis no momento oportuno”.

Em relação a ambos os parlamentares, Ulisses levantou a possibilidade de que suas posturas sejam de palanque, possivelmente motivadas por interesses eleitorais.

Anacrônico

Este colunista não é nem nunca foi candidato, e ainda assim se reserva o direito de considerar absurdo que um servidor se dê ao trabalho de sair em busca de possibilidades burocráticas que eventualmente sirvam para amparar uma recusa a prestar esclarecimentos à população a respeito de uma questão sensível, ignorando por completo tudo o que se espera de um agente público no século 21.

Como já dissemos anteriormente, é antes uma questão de decência do que de Direito.

Básico

De fato, num ambiente democrático mais amadurecido tal postura deveria bastar para que a população se mobilizasse e exigisse a exoneração imediata do servidor, por evidente desrespeito ao que de mais básico se espera da função que exerce.

Ou talvez isso nem fosse mesmo necessário, posto que um prefeito devidamente comprometido com a transparência certamente já teria se antecipado a tal mobilização.

Mas, claro, cada governo tem a PGM que merece.

Alinhados

Outra demonstração deste alinhamento foi dada na tarde desta quarta-feira, 29, quando o prefeito Renato Bravo se recusou a receber o ofício 038/2020, emitido pela Comissão de Finanças, Orçamento, Tributação e Planejamento (CFOTP) e relacionado ao processo de julgamento das contas de 2018.

A dois vereadores e uma servidora efetiva da Câmara a recusa foi justificada sob a alegação de que o processo está judicializado, o que em si chega a ser engraçado, uma vez que a intimação se deu justamente em cumprimento a decisão judicial.

Como resultado a Câmara está tendo de publicar edital para dar ciência ao prefeito de um ato que diz respeito à sua própria defesa...

Patético

Na prática é tudo muito simples: ou a pessoa se envaidece da própria competência e retidão e não se furta a debates e esclarecimentos, ou reconhece a inconsistência de seu posicionamento e busca meios de evitar a transparência e o contraditório.

Qualquer coisa diferente disso cai no patético, e se assemelha muito ao que o próprio procurador disse: “Quem não tem argumentação se utiliza da coisa vil, da coisa pueril, da coisa rasteira, da incongruência, da falta de raciocínio”.

Ora, se os argumentos são tão sólidos, por que nos privar deles?

Desnecessário

Curioso notar, por fim, que ao longo dos seis minutos da gravação não foi rebatido um único argumento da nota divulgada pela Câmara em relação à legitimidade de seu pleno funcionamento ao longo do mês de julho.

Resta evidente, a essa altura, que o Legislativo irá responder de forma muito contundente a qualquer desrespeito à convocação na próxima segunda-feira, 3 de agosto, sob pena de ter a própria imagem arranhada.

E pensar que tudo isso poderia estar sendo evitado...

Alerta

No último dia 13 de julho, Roberto Gil Mazzala Mello, que era pré-candidato a vereador em Nova Friburgo e infelizmente foi vencido pela Covid-19 nesta semana, deixou um depoimento marcante em suas redes sociais a respeito da doença e os efeitos de seus sintomas mais severos.

Como a mensagem se tornou pública, e ele próprio manifestou o desejo de conscientizar a população, a coluna entende que a repercussão de suas palavras neste espaço o deixaria feliz.

Uma pena, apenas, que a coluna não tenha visto este depoimento com maior antecedência.

Aspas

“Segundo dia de internação. É solidão, saudade, falta de ar, oxigênio, saturação baixa, remédio na veia o tempo todo, febre de quatro em quatro horas. E o fantasma da UTI te rondando o tempo todo.

Meus amigos, cuidem-se!! Máscara sempre que for à rua!!! Desde ontem passo a maior parte do dia de bruços, para respirar melhor.

Tem dias que desejamos tantas coisas! Hoje, meu desejo é só voltar a respirar bem!!!”

Fala, leitora!

“Causa-me surpresa que ninguém fique indignado e a mídia não mostre como o friburguense não está respeitando nada. Há muito tempo que tem comércio aberto, que não se usa máscara e que a prefeitura não tem fiscalizado nada. (...) Vi estupefata a dona de um hotel falar em ‘alta temporada’ e que deveriam abrir. Em um mundo totalmente fora da ordem normal, que alta temporada é essa? (...) Lojas em frente à prefeitura funcionavam à meia porta. Em várias reportagens ao vivo se via lojas semiabertas e muita, muita gente sem máscara. Cartas para esse jornal relatam que no ônibus tem gente que não usa e acha que está certa. Hoje [ontem] faleceu uma vizinha, teve problemas cardíacos e teve que ser internada no Raul Sertã. Contraiu a Covid. O que esta cidade está esperando para entender a gravidade da doença?”

Continuando

“Fui ao Centro no final de domingo… Pista de skate com gente sem máscara, gente no autoatendimento com máscara na orelha, gente nos bancos da Rodoviária Sul conversando sem máscara e muitos outros cenários fáceis de serem identificados. E nenhuma fiscalização. Em frente a uma agência bancária tinha uma idosa sentada no banco sem máscara e olhando um papel. Numa padaria havia funcionários com a máscara no queixo.

Eu pergunto: o que Nova Friburgo está pretendendo? E que administração pública é essa? Os canais de denúncia não funcionam.”

Assina a mensagem a leitora Ludmila Pereira.

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