Injustiça

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Para pensar:
"Muitas pessoas são dotadas de razão, muito poucas de bom senso.”
Gustave Le Bon

Para refletir:
“Um homem de bom senso saberá criar melhores oportunidades do que aquelas que se lhe deparam.”
Francis Bacon

Injustiça

Após a publicação, na edição do último fim de semana, das 32 propostas reunidas por vereadores a partir do diálogo com profissionais liberais e empreendedores do município, o colunista começou a ver e receber diversas manifestações bastante depreciativas em relação aos parlamentares citados.

Tais manifestações defendem a intensificação do isolamento, e a coluna entende que dar espaço a todas as vozes enriquece o debate e isso é o que mais precisamos.

Todavia, muitas injustiças também têm sido cometidas, e é importante falar sobre elas.

Precisão

Desde o início da crise provocada pela Covid-19 a coluna tem mantido o entendimento de que o melhor caminho para atravessar tempos tão difíceis é estabelecendo diálogo franco e constante entre as partes, a fim de que, com base em dados confiáveis e atualizados, autoridades em saúde pública possam indicar (ou reajustar) os limites daquilo que pode (ou não pode) ser feito em favor da economia.

Se possível, analisando caso a caso, para que todas as possibilidades de trabalho que não agreguem riscos sejam devidamente aproveitadas, sob condições controladas.

Bem entendido

Ninguém aqui está defendendo flexibilização ou intensificação de quarentena, inclusive porque essa é uma avaliação que cabe a especialistas em questões sanitárias.

O que a coluna defende - e pode assegurar que com os vereadores se passou o mesmo, com a isenção de quem os critica com frequência - é que se estabeleça o diálogo maduro, em busca da maior eficiência das ações.

Em resumo: que os profissionais da saúde avaliem propostas possíveis e indiquem o que pode ou não pode ser feito, e sob quais condições.

Sem maldade

Evidentemente é possível discordar e apresentar visões diferentes, com embasamento e respeito.

Mas é justo e verdadeiro reconhecer que nem a coluna nem os vereadores se posicionaram de maneira leviana ou contrária aos interesses da saúde pública, diferentemente do que algumas vozes se apressaram a acusar.

Concorde-se ou não com as propostas, o fato é que ninguém agiu de maneira mal-intencionada.

Isso simplesmente não é verdade.

Aspas

A postura dos vereadores fica muito clara quando se observam alguns trechos do documento, posteriores à lista de propostas.

“A despeito da demandada abertura, se controlada e gradativa, da atividade econômica, deve-se priorizar a vida e a saúde das pessoas, o que paralelamente também exige adequada estrutura de atendimento pelo Poder Executivo, sobretudo mediante os multimilionários repasses da União e do Estado ao município para o urgentíssimo processo de implemento de progressivos incrementos às ações de saúde no combate ao vírus pandêmico – com testes, ampliação de leitos clínicos e CTI devidamente equipados com respiradores, equipamentos de proteção individual nas condições de segurança, medicamentos, com destaque para os específicos no combate à Covid-19, como vitamina C, materiais médico-hospitalares, demais elementos e barreiras sanitárias, à luz das recomendações emanadas pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público.”

Segue

“Ademais, além do fortalecimento das ações já tomadas (...), o município (...) deverá apresentar, a princípio, as seguintes ações semanais: divulgação de dados atualizados de estoque dos elementos essenciais ao combate à Covid-19; apresentação atualizada de cronograma concernente às medidas tomadas, inclusive em relação aos processos administrativos de aquisições de elementos e de contratação de prestadores de serviços, com respectivos números, no enfrentamento à Covid-19. Dessa forma, o cumprimento das diretrizes desse documento é de suma importância para se determinar efetiva flexibilização. Afinal, além de se levar em conta a problemática que envolve a subnotificação de casos, há que se considerar um possível aumento de contaminações contabilizadas, sobretudo se não houver essencial envolvimento da população na prevenção e a fiscalização for ineficiente. Se isso ocorrer, já deverá estar desenvolvido pelo município um prévio plano de contingência, com equipe técnica, para dar suporte aos cidadãos.”

Signatários (1)

A coluna havia citado os vereadores Professor Pierre (relator), Zezinho do Caminhão (colaborador), Johnny Maycon e Isaque Demani (apoiadores).

Além deles, cabe enfatizar que o presidente do Legislativo, vereador Alexandre Cruz, tem se esforçado por realizar diversas reuniões e abrir canais de diálogo e trocas de informação entre todas as partes afetadas pela pandemia.

Signatários (2)

Igualmente importante observar que vários vereadores agregaram medidas preventivas e de apoio à saúde antes de assinarem o documento.

Entre esses a coluna pode destacar, por exemplo, o vereador Wellington Moreira, presidente da Comissão de Saúde, e o vereador Dr. Luis Fernando, que é médico, entre outros.

Além de todos os nomes já citados, também assinam o documento os vereadores Marcio Damazio, Jânio, Carlinhos do Kiko, Alcir Fonseca, Luiz Carlos Neves, Nami Nassif, Joelson do Pote, Cascão, Vanderléia e Naim Pedro.

Agente duplo

Antes, no entanto, de elaborar listas de nomes ou compartilhar mensagens rasas e aproveitadoras a esse respeito, o friburguense deve ter noção que tem ao menos um vereador que nos bastidores defende a flexibilização em termos bem menos cuidados do que aqueles vistos no documento entregue ao prefeito, mas diante da população faz discursos em favor do isolamento.

Para quem acompanha nossa política com atenção, é fácil identificar quem tem palavra e quem não tem.

Aliás, é bem possível que o agente duplo seja o primeiro a tentar tirar vantagens da situação.

Divergências

O Fórum Popular e Sindical de Nova Friburgo enviou manifestação conjunta em favor do isolamento, assinada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe); Sindicato dos Professores de Nova Friburgo (Sinpro); Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo; Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro - RJ; Coletivo Negro Lélia Gonzalez – Nova Friburgo; Coletivo Negro Minervino de Oliveira; Sindicato dos Trabalhadores Indústrias Metalúrgicas Mecânicas Materiais Elétricos de Nova Friburgo; Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo; Sindicato dos Hoteleiro e Similares de Nova Friburgo; Sindicato dos Têxteis de Nova Friburgo; Coletivo Estudantil Nós por Nós; Associação de Moradores e Amigos de Lumiar (AMA Lumiar); Rede de Mulheres de Nova Friburgo; Associação de Moradores e Amigos de São Pedro da Serra (Amasps); Tecle Mulher; Coletivo Mulheres da Serra; Coletivo 200 anos para quem?; União da Juventude Comunista de Nova Friburgo; Corrente Sindical Unidade Classista de Nova Friburgo; Sobrado Cultural Rural; Núcleo de Base PT Militante - NF; GT FormAção Lumiar; e a Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh).

Aspas (2)

“O Fórum Sindical e Popular de Nova Friburgo posiciona-se radicalmente contrário a esse movimento da Câmara. Além de se basear em regras frouxas e facilmente contornáveis como o simples uso de máscaras e respeito genérico à distância nos postos de trabalho, as propostas colocam em perigo evidente os grupos de risco que passarão a conviver com pessoas expostas ao vírus diariamente, além de afetar esses trabalhadores e trabalhadoras que, se infectados(as) em larga escala num mesmo espaço de tempo, poderão colapsar o sistema de saúde local, o qual conta apenas com o Hospital Municipal Raul Sertã e nenhum hospital de campanha até agora. Resumindo: correremos risco de vida muito maior se os vereadores levarem adiante esse descalabro.”

Aspas (3)

“Naturalmente, compreendemos que parte da demanda por abertura vem da própria população, assustada com os efeitos econômicos da crise sanitária, mas consideramos que a solução desse problema não passa por medidas que coloquem em perigo a vida da comunidade. Antes de considerar uma irresponsável abertura cujo debate será conduzido sem intervenção popular, requeremos que as autoridades públicas façam uso de sua representatividade e recursos do mandato para organizar o atendimento aos necessitados e pressionar, especialmente o Governo Federal, a cumprir com seu papel obrigatório: liberar definitivamente o auxílio emergencial e os recursos de ajuda às micro, pequenas e médias empresas, de forma a garantir minimamente as demandas mais urgentes de setores sociais fragilizados, muitos dos quais hoje enchem as ruas ou defendem o fim do isolamento por conta de suas necessidades. A superação da crise sanitária e econômica passa, obrigatoriamente, por maior efetividade nas políticas públicas em diversos níveis, e a nulidade do Governo Federal parece não cativar a coragem de muitos vereadores friburguenses que preferem expor o povo e silenciar na luta.”

Aspas (4)

“Reiteramos ainda que em Nova Friburgo, antes de qualquer suposto debate, há situações emergentes, literalmente de vida ou morte, que parecem não constituir prioridade ao poder público: grande quantidade de pessoas passando fome, sem cestas básicas e sem sequer terem ideia de quando serão atendidas; atrasos sequentes e ameaçadores no hospital de campanha há muito prometido; as já mencionadas ruas cheias que não encontram a fiscalização necessária; a taxa de mortalidade elevada, especialmente em meio aos profissionais de saúde que atuam em estrutura sucateada.”

Aspas (5)

“Aos vereadores caberia, antes, convocar uma audiência pública virtual com as representações sociais da cidade, com área técnica e trabalhadores do SUS de Nova Friburgo para que se pense, coletivamente, as alternativas de combate à pandemia.

Consideramos portanto que o poder público tem, de imediato, a responsabilidade de resguardar as vidas humanas e sua dignidade, somando esforços para garantir o isolamento, única medida eficaz, e as próprias condições de subsistência da população nesse período. Assim, e só assim, a pandemia será abreviada e algo perto da ‘normalidade’ poderá ser discutido.”

Respostas

Os amigos Girlan Guilland, Marcelo Machado, Rosemarie Künzel, Gilberto Éboli, Manoel Pinto Faria, Gerson do Táxi, e Gilberto da Banca, estes dois últimos lá da Rua General General Osório, reconheceram corretamente nosso querido Cão Sentado, eternizado em escultura de Felga de Moraes na Praça Dermeval Barbosa Moreira.

Parabéns a todos!

Foto da galeria
Respostas (Foto: Regina Lo Bianco)
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