A agenda do profissional neste século - A imaginação

quarta-feira, 07 de novembro de 2018

Durante muitos anos, a religião e a sociedade, a educação e todo o sistema de produção condenavam a perda de tempo com a imaginação. Considerava-se que quem imaginava estava sem fazer coisa alguma e, portanto, vivendo o ócio. Por sua vez, o ócio era condenado porque permitia às pessoas pensar naquilo que era proibido. Era uma visão pouco positiva da pessoa humana, pois a imaginava pensando sempre no que era proibido. Assim, a imaginação ficou acorrentada por muito tempo, impedindo que ideias novas surgissem e permitissem as mudanças que os tempos exigiam.

O livro de Domênico de Masi, “O ócio criativo”, vem dar força a essa imaginação aprisionada, libertando-a e tornando-a criativa. O ser humano, diz ele, tem hoje muito mais tempo que antigamente. Cada vez mais sobram horas e horas sem trabalho. Não se trata de uma falta de trabalho: na verdade, são tantas máquinas que ajudam os seres humanos que o tempo aparece. As máquinas regam a lavoura, aram, plantam, adubam, colhem e, além disso, beneficiam e empacotam os produtos, ficando a propaganda por conta dos meios de comunicação e das infovias da internet.

O tempo passou a sobrar. A imaginação passou a ser usada e exigida e, portanto, vivemos tempos imaginativos. Não vivemos uma perda de tempo, mas devemos transformá-lo em tempo criativo, em que o ato de imaginar vem colaborar com novos caminhos e soluções para problemas antigos. Fica, então, revigorado o velho ditado: quem trabalha muito não tem tempo para ganhar dinheiro. Dedicar tempo à imaginação não é mais necessário, mas o contrário, sim: imaginar o possível no tempo de que dispomos. Vejam, não é possível decretar um tempo para imaginar e outro, para não imaginar.

Há, hoje, para qualquer profissional, a necessidade de imaginar, devendo estar as empresas e as escolas bem atentas para facilitar este trabalho, estimulando-o e posicionando-o em lugar de destaque nessa sociedade do conhecimento.

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