O brincar na vida adulta

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Há um tempo atrás, enquanto eu orientava um adolescente sobre desenvolvimento socioemocional, ouvi a seguinte pergunta: “Adulto brinca?”.
Isso me fez pensar e refletir sobre o quanto nós adultos separamos pouco tempo para a brincadeira.

O brincar não faz parte só da vida da criança.

O brincar também é importante na vida adulta, pois contribui para fortalecer relações, desenvolver criatividade, melhorar a saúde emocional, trazendo mais alívio para a nossa rotina.

Quando brincamos, nos percebemos mais leves, com uma grata sensação de bem estar. Nosso humor muda, nos sentimos felizes e mais fortalecidos para enfrentarmos as adversidades que chegam, e passamos a ter um olhar mais amplo a respeito dos problemas, enxergando-os por uma outra óptica.

A ansiedade acalma, a mente relaxa, o alívio chega e toma conta do corpo. Soluções surgem, os relacionamentos ficam mais saudáveis e colaborativos, a mente encontra soluções para problemas e adversidades.

Mas por quê, conforme vamos crescendo, isso vai se esvaindo, pouco a pouco, como um castelo de areia que escorre entre os dedos? Como trazer a brincadeira de volta na vida adulta?

Na infância, experimentamos inúmeros divertimentos e mergulhamos em um mundo lúdico cheio de cores, formas e sons. Os anos vão passando até chegarmos na adolescência, onde começamos a não nos permitir mais algumas dessas experimentações. A ludicidade começa, então, a perder cada vez mais espaço, ficando no fundo do mar quando nos tornamos adultos.

É como se não fosse permitido ter acesso a esse lugar que, de alguma forma, ficou estabelecido em alguma crença que só crianças podem ter essas ocasiões.

Se reconectar com o brincar é abrir uma nova dimensão para esse entendimento. Requer disponibilidade de mudanças internas, que foram moldadas há muito tempo atrás.

Reunir amigos ou familiares para jogar jogos de tabuleiro, videogame ou até mesmo jogos de cartas. Separar um instante para colorir, pintar e resgatar aqueles desenhos que foram parar no fundo do oceano. Trazer de volta as cantorias no chuveiro, onde imitávamos nossos cantores e bandas favoritas, inserindo instrumentos musicais imaginários, compondo parte das melhores horas do dia. Dançar e cantar pelo simples fato de se sentir bem, resgatando o dance e cante como se ninguém estivesse olhando, elaborando um divertido karaokê.

Reconquistar esses momentos é inserir leveza no nosso dia a dia.

 

Até a próxima quarta!

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Camilla Fiorito

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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