No próprio ritmo

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 01 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Nosso ritmo, nosso balanço, nosso movimento, nosso caminhar.

Todos nós possuímos um tempo interno que muitas vezes não é compreendido prontamente.
Sentimos a música tocar, vibrando em um compasso que somente nós mesmos percebemos. E está tudo bem! O nosso ritmo não é uma corrida competitiva, onde há ultrapassagens, manobras mirabolantes e a ordem de chegada importa mais do que o trajeto.

A execução de todo o percurso é importante, pois faz parte de quem somos e de como funcionamos. Mesmo que o mundo nos apresse e possua ao redor diversas vibrações e estações, onde comparações são realizadas inúmeras vezes e esperamos do outro uma entrega de acordo com o que sentimos e desejamos, precisamos viver e despertar a consciência de que o ritmo faz parte de cada um, singularmente. E, quando estabelecemos esse entendimento, percebemos o outro também como um ser que possui ritmo individualizado dentro das suas especificidades e sentidos.

Despertar, levantar, arrumar, organizar, sair, produzir, exercitar, sentir, descansar são ações realizadas de acordo com o nosso funcionamento, entendimento e leitura de mundo. Nos culpamos e nos cobramos por não conseguirmos nos encaixar em tudo e em todos os ritmos impostos, muitas vezes pelos outros, mas muitas outras por nós mesmos.

Respeitar a forma como nos movemos e entender o nosso próprio ritmo, seja físico, social ou emocional, requer escuta interna, entendimento do corpo e percepção.

A percepção desse movimento fica camuflada como um camaleão no meio da floresta. Ela vai se moldando pelas nossas vivências, temores, desejos, sentimentos, fazendo parte do nosso processo de evolução. Com isso, lembramos do limite do nosso corpo, da necessidade de cuidar, parar e praticar as pequenas pausas ao longo do dia.

Realizar esse processo na sociedade em que vivemos, que dá ênfase à produtividade e a entregas a qualquer custo, pode ser de difícil manejo, mas necessário.

Aceitar o nosso ritmo mesmo quando tudo vai contra a nossa melodia, é fortalecer o nosso autoconhecimento. É viver com consciência e identificar o que é essencial. Que os momentos de marcha a ré podem existir e que desacelerar é preciso, ouvindo o próprio tempo, reforçando o compromisso com a verdade de quem realmente somos.

É deixar o equilíbrio e o cuidado fazerem parte da rotina, trazendo presença tanto nos dias mais expansivos como nos mais reservados.

Perceba seus movimentos conscientes e os mostre com clareza!

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

Publicidade
TAGS:

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.