Cinema não narrativo

sábado, 16 de junho de 2018

O roteirista Paul Schrader ganhou notoriedade no mundo do cinema ao escrever grandes sucessos de público e crítica, muitas delas ao lado do cineasta Martin Scorsese, uma parceria que rendeu três filmes marcantes: Taxi Driver (1976), Touro Indomável (1980) e A Última Tentação de Cristo (1988). Suas histórias também o levaram a assumir a direção, com sucesso, do filme Gigolô Americano (1980), com Richard Gere como protagonista.

Antes dessa trajetória de sucesso como roteirista, aos 25 anos de idade, em 1971, Paul lançou o livro “Transcental Style in Film”, em tradução livre “Estilo Transcendental no Filme”, e encontrou uma maneira única de mapear a progressão do cinema de arte. Criou um mapa, referência até os dias de hoje, sobre o cinema não narrativo. Este que transita pelos cinemas do americano David Lynch, do iraniano Abbas Kiarostami, do francês Robert Bresson, do dinamarquês Carl Theodor Dreyer e do japonês Yasujirô Ozu, todos contidos no círculo que tem o emblemático cineasta russo Andrei Tarkovsky no centro.

Estes cineastas forjaram novos caminhos na linguagem cinematográfica, apresentaram uma dimensão lírica para o cinema. Schrader mostrou como o uso dos planos cinematográficos realizados pelos diretores, aqueles mais longos e parados, consegue prender seu olhar para captar todas as informações visuais. Conseguiram criar uma nova realidade de tempo e espaço, algo transcendente.

Neste ano, a University of California Press está reeditando “The Transcendental Style in Film”, de Schrader, com uma nova introdução de 35 páginas do autor. Em algumas entrevistas, Paul se mostrou interessado em revisitar o livro ao perceber que havia algo maior do que suas palavras, que era na verdade parte de uma tendência maior no cinema.

"O erro que cometi com o livro foi que pensei que essa coisa chamada estilo transcendental era um fenômeno autônomo", disse Schrader em entrevista ao site IndieWire. “Eu percebi que era parte do fenômeno maior, o neo-realismo do pós-guerra, ou o que o filósofo francês Gilles Deleuze chamou de 'imagem do tempo' - a mudança na história do cinema a partir do movimento dentro do imagem sendo crítica para o deslocamento do comprimento da imagem que está sendo observada”.

A nova introdução destaca como, após a Primeira Guerra Mundial, diretores como Vittorio De Sica, Roberto Rossellini, Ingmar Bergman, Jacques Rivette e Bresson, começaram a desacelerar as coisas e a mudar a forma como o público assistia a filmes. Esses cineastas, segundo Schrader, usaram habilmente o "tempo morto", ou o que ele chama de "bisturi do tédio", e envolveram os espectadores de uma nova maneira.

Paul Schrader investigou o movimento ao redor do mundo e insere novas cineastas, mostra como os cineastas bem conhecidos se movem em três direções diferentes à medida que se afastam da narrativa. Veja na foto.

 

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