O esgotamento das redes sociais

Bia WIlcox

Bia Wilcox

Bia Willcox sempre escreveu.Professora e advogada por formação, sua grande paixão é conteúdo, texto, assuntos diversos pra trocar e enriquecer.assina a coluna Amores Cariocas na Rádio Bandnews e um blog sobre cultura e entretenimento no Portal R7

terça-feira, 07 de agosto de 2018

Dia desses me peguei num momento de exaustão e certo enjoo das redes sociais.

Enjoada de tudo: dos posts de opiniões, dos de comida, dos de viagem, dos de moda, enjoada das blogueiras, dos empreendedores e coaches, das dicas de dermatologistas, das dicas de maquiagem, da intimidade das celebridades, das selfies, das poses.  De tudo mesmo. Até daquelas frases e pensamentos de famosos. 

Acho que só não enjoei dos perfis politicamente incorretos que retratam o melhor dos seres vivos do século 21 - a criatividade na internet.

Ainda curto perfis com curiosidades, novidades e fatos históricos desconhecidos. E noticias, claro. De resto, esgotada!

 O que se passa comigo? Estou sozinha? Será que mais alguém anda apresentando sintomas parecidos? E se um dia mais à frente muitos, cada vez mais, começarem a sentir o que sinto agora? O que vai acontecer com as redes sociais? Sozinha eu acho mesmo que não estou...

Tenho falado com pessoas que já não tem mais redes sociais. Cansaram. O rapper Emicida, por exemplo, declarou que deu um tempo das redes para ter mais tempo para outras coisas.

Se trocarmos ideias com mais e mais gente, é capaz de descobrirmos que ja há muitos sofrendo de esgotamento de redes sociais - uma condição patológica própria deste tempo.

Não enjoamos de doce, de férias, e de muitos outros excessos que a princípio nos parecem incríveis? Pois é podemos enjoar do deslumbramento do Facebook ou Instagram. Hoje vemos muito do mesmo: opiniões e ódios pasteurizados, vídeos no stories do Instagram absolutamente sem significado para quem assiste, notícias que não sabemos se são verdadeiras ou falsas o que nos faz ter cada vez mais medo de compartilhar e pagar mico.

Até a vida dos outros cansa. O amor muitas vezes também fake dos casais, os check-ins em lugares maravilhosos que nem todo mundo pode frequentar. Isso tudo traz um sentimento de fadiga e certa apatia diante de imagens e sons que já nos pareceram tão extraordinários!

Quem no fundo liga? Quem tem suas vidas afetadas de verdade por tudo o que vê em suas timelines? Talvez o mundo lindo da riqueza e opulência, da felicidade extrema e da beleza e simpatia em tudo, nos faça atrofiar a nossa empatia: “tá tudo tão bem, tão perfeito... vou me compadecer de que?”

Empatia é vestir o sapato do outro e sentir o que ele sente. Mas não se pode vestir o sapato da vitrine e a vida das redes nada mais é que uma grande e eterna vitrine. Para olharmos e muitas vezes querermos ter o que está ali exposto. Quando vemos sofrimento é sempre no modelo catástrofe ou já com uma opinião as vezes extremada. 

Cansei.

Acho que a saída é pelo conteúdo. Mais conteúdo relevante, mais informação, mais dicas, mais provocação para desatrofiar o cérebro e desenvolver o pensamento crítico, mais autencidade dos humanos para aumentar a empatia no mundo. Pensando juntos, podemos mudar isso, não?

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