Somos todos vulneráveis aos golpes na internet

Lucas Barros

Além das Montanhas

Jovem, aspirante à advocacia criminal, Chevalier na Ordem DeMolay e apaixonado por Nova Friburgo. Além das Montanhas vem para mostrar que nossa cidade não está numa redoma e que somos afetados por tudo a nossa volta.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Abro o telefone celular. Me deparo com a mensagem de um familiar, por meio de aplicativos de conversa, mas... por meio de um número diferente que eu não registrei nos meus contatos. Estranho! Pelas mensagens ele me garante que trocou de telefone. Possível? Sim! Depois, ele me pede dinheiro emprestado para poder consertar o seu celular quebrado. Estranho! Uma mensagem com um código Pix chega às mensagens do meu Whatsapp. Na maior das boas intenções, deposito, sem sequer conferir o nome da conta. Caí num golpe!

Os tempos de quarentena tornaram o mundo mais conectado à internet e consequentemente, um paraíso para os golpistas. Quem não usou mais os aplicativos de celular para fazer compras no período de pandemia? Pesquisas apontam que mais de 13 milhões de brasileiros fizeram suas compras pela primeira vez na internet durante o ano de 2020.

O mundo está antenado e os golpes, estão aos montes nas redes. Basta dar uma curta navegada pela internet para encontrar anúncios que vão desde viagens internacionais com preços extremamente atrativos até produtos eletrodomésticos seminovos que nos parecem úteis. Em outras vertentes, golpes de vendas de carros usados em sites de “confiança” crescem e assim como em anúncios de emprego falsos. É golpe para todo lado. Até mesmo, nas redes sociais...

O engenheiro de desenvolvimento de softwares, Yuri Lisboa, explica que nos golpes cometidos através de redes sociais, os criminosos utilizam-se de artifícios aparentemente não nocivos para ludibriar as vítimas e sequestrar seus dados de forma fácil e desapercebida.

“Um exemplo disso são as famosas caixas de pergunta do Instagram, com perguntas como: ‘Como é sua rubrica?’, ‘Como é sua caligrafia’ , ‘Nome dos cachorros que já teve’ e por aí vai. Todas essas informações auxiliam os criminosos a cometerem golpes, inclusive, se passando por você, que sem perceber, acabou de passar informações importantes sensíveis de forma pública”, relata Yuri.

Como se prevenir

“É importante tomarmos cuidado ao responder ou postar algo que possa fornecer alguma informação sensível sobre a sua vida pessoal. Utilizar os recursos de Autenticação de Dois Fatores é importante e fornece uma camada extra de segurança nas suas redes sociais.”

“Sites também são usados para golpes. É necessário vermos se, primeiro, o site é confiável ou conhecido. E depois, conferirmos sempre a “URL”, na parte superior da tela. Por vezes, sites fraudulentos estão camuflados de sites confiáveis e não são o que parecem ser.”

Por exemplo, o domínio do site de A VOZ DA SERRA é https://avozdaserra.com.br/: se esse endereço estiver no começo do link, é provável de que a URL seja confiável. No entanto, se o endereço contiver algo estranho como https://avozd4serra.com.br/, com um “quatro” no lugar de um A, desconfie! Em alguns casos, um traço (-) no lugar de um ponto (.) é o suficiente para enganar.

E acredite: os golpes se reinventam a todo o momento. Somente no ano passado, de acordo com dados obtidos pelo Serasa Experian, foram mais de quatro milhões de tentativas de fraudes no Brasil. Isso quer dizer, a cada sete segundos, há uma tentativa de fraude no país. Segundo a empresa de segurança digital Kaspersky, o Brasil lidera o ranking dos países com mais mensagens fraudulentas – pishing – em todo o planeta.

Vítimas sofrem em dobro

A experiência no meio digital pode ser um grande diferencial para evitar as fraudes, especialmente para quem, desde novo, sempre usou computadores ou frequentou aulas de informática na escola. Contudo, a desigualdade no acesso à informação é um ponto chave até nesse momento. Às vezes, o golpe pode parecer óbvio para você que já usa a internet há 20 anos, mas não para quem usa há pouco tempo.

 É muito comum que encontremos pessoas ridicularizando as vítimas de fraude: “Eu jamais cairia numa ladainha dessas”; “Como você pode ser burro ao ponto de depositar um dinheiro sem antes conferir a conta?”; “Se não sabe fazer uma compra na internet, não faz” são algumas das frases geralmente escutadas por quem já se encontra debilitado por ter sofrido um cybergolpe.

Surpreende que, por vezes, a vulnerabilidade de quem cai em uma armadilha dessas chama mais a atenção do que a postura dos fraudadores. Falta empatia, às vezes. Fato é que ninguém cai em um golpe porque quer! Ninguém perde dinheiro para uma pessoa desconhecida ao bem querer! Ninguém sabe que é um golpe, até porque os criminosos não avisam antes.

Apesar de parecer óbvio, o óbvio, por vezes, tem que ser repetido incessantemente para não julgarmos a fragilidade alheia e acharmos que somos invencíveis ao ponto de não sofrermos com os cyberataques.

Todos nós estamos conectados e podemos ser tão vítimas quanto uma pessoa que acaba de entrar em um computador pela primeira vez na vida. Isso porque, é quase impossível estarmos alertas o tempo todo. Uma hora, cansamos, relaxamos, abaixamos a guarda e somos as próximas vítimas. É preciso lembrar que do outro lado da tela sempre tem alguém mais esperto que você e que pode fazer uso de tecnologias que você sequer imagina que exista.

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