A queda das redes sociais num mundo globalizado

Lucas Barros

Além das Montanhas

Jovem, aspirante à advocacia criminal, Chevalier na Ordem DeMolay e apaixonado por Nova Friburgo. Além das Montanhas vem para mostrar que nossa cidade não está numa redoma e que somos afetados por tudo a nossa volta.

quinta-feira, 07 de outubro de 2021

Blackout nas comunicações

Devido a uma grande instabilidade, os sites e aplicativos do Instagram, Facebook e Whatsapp ficaram fora do ar por um período de sete horas na tarde desta segunda-feira. Usuários começaram a reclamar de falta de acesso, falha na atualização do feed e do carregamento de mensagens por volta das 12h30 (horário de Brasília), que somente retomou seu pleno funcionamento pelas 19h00.

A empresa Facebook por sua vez alega que não foi detectada nenhuma falha de segurança ou ataque hacker, mas que tudo foi proveniente de um erro interno de sistema que ocorreu durante uma configuração e atingiu os roteadores do backbone, pilar basilar que coordena o tráfego de informações na empresa.

De acordo com a Bolsa de Valores americana com negócios do ramo de tecnologia, a Nasdaq, a empresa de Mark Zuckerberg perdeu 5% de valor de mercado em apenas um dia, algo próximo aos 50 bilhões de reais.

Impactos externos

Hoje as empresas de tecnologia estão todas interligadas e de certa forma, coordenam o nosso modo de viver. O dia de segunda-feira pode nos mostrar com clareza o quão dependente somos dos serviços de comunicação, não somente para lazer, mas especialmente para trabalho, comunicação e organização pessoal.

Muitas empresas usam suas redes sociais como vitrine e como principal meio de contato como o cliente num mundo tão globalizado, sem necessariamente, possuir uma sede física em algum lugar. Contudo, com a instabilidade do grupo Facebook dessa semana, muitos empreendedores tiveram impacto direto em suas vendas e relataram prejuízos.

Por sua vez, aplicativos de comunicação como Whatsapp, têm um papel imprescindível na comunicação nos dias atuais, reduzindo as distâncias, aproximando pessoas e trazendo agilidade e fluidez em nossa rotina, conforme apontado por Patrícia Fiasca, jornalista e pós-graduada em Comunicação Integrada pela ESPM:

“Não existem fronteiras e isso ficou ainda mais evidente nos tempos de pandemia, em que tivemos que nos adaptar rapidamente a novos processos e rotinas. Nunca foi tão clara a percepção de que podemos nos comunicar com pessoas em qualquer lugar do mundo e resolver boa parte da nossa vida pelo computador ou celular, já que fazer as coisas presencialmente muitas vezes não é a opção mais viável.”

Por fim, o blackout de segunda-feira serviu para alertar o quão “viciadas” as pessoas estão em acessar as redes sociais a todo tempo. Quem não ficou abrindo os aplicativos de mensagens e de fotos, de minuto em minuto, aguardando ansiosamente o retorno à normalidade, que atire a primeira pedra. Algumas pesquisas apontam que o uso das redes sociais é a primeira coisa feita pela maior parte das pessoas logo ao acordar e a última antes de dormir.

A web-interação é uma realidade na vida das pessoas e que veio para ficar, com seus benefícios e malefícios. Contudo, torna-se necessário entendermos qual o limite entre a dependência do uso e as necessidades habituais ao dia a dia.

Quem nunca lidou com a chata situação de estar junto a um grupo e se deparar com todos, a todo tempo, usando seus smartphones? A habitualidade de postar fotos, vídeos e checar a vida alheia se tornou mais do que um hobbie, mas uma necessidade, conforme indicado pelos pesquisadores do King's College de Londres, que um quarto dos jovens ficam em “pânico” ou “chateados” se o acesso ao aparelho celular lhes for negado.

A queda dos aplicativos do grupo Facebook, nesta semana, trouxe um leve desconforto às pessoas, contudo, segunda-feira foi um dia importante para ressignificarmos algumas coisas. A primeira é que não devemos depender unicamente de uma empresa para comunicação, especialmente se tivermos um negócio. A segunda é que estamos cada vez mais dependentes (e viciados) nas redes sociais. A terceira é que o aplicativo de SMS e de discagem, em nosso celular, ainda tem utilidade e não somente servem para ocupar a memória do aparelho.

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