O Brasil poderá sofrer com o desabastecimento de combustíveis em novembro

Lucas Barros

Além das Montanhas

Jovem, aspirante à advocacia criminal, Chevalier na Ordem DeMolay e apaixonado por Nova Friburgo. Além das Montanhas vem para mostrar que nossa cidade não está numa redoma e que somos afetados por tudo a nossa volta.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Nesta semana, a Petrobras confirmou que não conseguirá atender todos os pedidos para o fornecimento de combustíveis em todo país. Segundo as empresas distribuidoras, o possível desabastecimento poderá ocorrer já no mês que vem e afetar diretamente o preço do produto nos postos.

De acordo com as varejistas distribuidoras, a gigante nacional do petróleo brasileiro cortou parte da oferta de gasolina e diesel produzido no próximo mês, decisão que foi tomada de forma unilateral.  

Em comunicado, a petroleira, por sua vez, alega que recebeu uma demanda atípica de pedidos em todo país, acima da sua capacidade de produção e dessa forma não terá condições de refino para abastecer todo território nacional com combustíveis.

Como já explicitado por mim, anteriormente, nesta coluna, no texto “Preço da gasolina aumenta mais uma vez” publicado em 12/08/2021, o Brasil não é autossuficiente em petróleo desde 2011. “Apesar de produzir mais quantidade de barris de petróleo do que consome, a capacidade de processamento e refino da matéria prima ainda não suporta a demanda nacional. Segundo um estudo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e da Coope/UFRJ, a capacidade de produção das refinarias nacionais é somente de 75%, em média.”

De acordo com as associações das distribuidoras de gasolina no país, os cortes nos pedidos feitos à Petrobras chegam a mais de 50% do volume solicitado, em alguns casos. Por sua vez, afirmam ainda que com a significativa redução há o risco de desabastecimento nacional.

Uma possível crise dentro da crise

As previsões caso um cenário de desabastecimento de combustíveis venha a acontecer no Brasil não são nada otimistas. Em primeiro lugar, caso haja falta de gasolina, assim como ocorreu durante a greve dos caminhoneiros, em 2018, o preço do combustível tende a subir. Com a falta dos derivados de petróleo nas bombas de abastecimento dos postos de gasolina, haverá muita demanda e menor disponibilidade, trazendo aplicação direta da lei da oferta e da procura, elevando assim, o seu preço repassado ao consumidor final.

Por outro lado, em hipótese ainda mais grave, a falta de diesel no país colocaria em cheque o principal meio de fornecimento de produtos básicos, os caminhões. Arroz, feijão, carne, açúcar e café estariam dentro da lista dos produtos que tenderiam a ter um novo aumento devido à sua escassez nas prateleiras do mercado.

Nova ameaça de greve dos caminhoneiros

Após uma reunião realizada no último sábado, 16, entidades que representam os caminhoneiros do país prometeram fazer uma greve no início de novembro caso o Governo Federal não atenda a lista de reivindicações por eles assinada. O encontro contou com a participação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Logística (CNTTL), do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) e da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava).

Dentre a lista de reivindicações estão inclusas a redução do preço do diesel, a revisão da política de fretes mínimos, a aprovação do novo marco regulatório do transporte rodoviário de cargas, regime especial de aposentadoria e melhorias nos pontos de descanso.

Caso a promessa de greve geral das entidades caminhoneiras seja concretizada, reflexos negativos poderão ser estendidos ao comércio durante a Black Friday, que ocorrerá no dia 26 de novembro. Prejuízos podem ocorrer numa data importante para lojas que vendem significativa parcela de seus estoques em um único dia. Nesse sentido, a greve de caminhoneiros pode gerar desabastecimento de eletroeletrônicos, principal mercadoria vendida.

Infelizmente, nesse cabo de guerra, nós, meros mortais, ficamos no meio da corda, sendo puxados para todo lado e sem poder fazer muita coisa. O que nos resta é somente aguardar dias melhores e soluções efetivas.

Lucas Barros é bacharel em Direito. Escreve às quintas-feiras.

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