Empresas brasileiras necessitam de suporte

Lucas Barros

Além das Montanhas

Jovem, aspirante à advocacia criminal, Chevalier na Ordem DeMolay e apaixonado por Nova Friburgo. Além das Montanhas vem para mostrar que nossa cidade não está numa redoma e que somos afetados por tudo a nossa volta.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Muitas pessoas veem um empreendedor bem sucedido e acreditam que o caminho do sucesso está em ser dono do próprio negócio. E se você acha que ser empresário é poder desfrutar de muito dinheiro e tempo de sobra, o cenário nacional mostra diferente.

Fato é que, empreender no Brasil proporciona um enfrentamento diário e interminável de problemas que aparecem por todos os lados. Quando as coisas aparentam andar bem, surge uma nova lei que modifica toda a regulação do seu negócio e torna-se preciso se readequar. Quando há uma fidelização do público cliente, ocorre o início de uma grande crise que tira toda sua renda e é preciso reinventar-se.

E por fim, grande parte dos rendimentos fica para terceiros. Tributos, encargos trabalhistas, custos de manutenção do espaço físico, contas a pagar, aluguel, condomínio, reinvestimento no negócio e dentre outros gastos, que oneram o pequeno empresário.

Altíssimos custos tributários

Um estudo econômico realizado pelo Sage, em 11 países, trouxe um resultado que pouco surpreende: quanto menor a empresa brasileira, mais imposto proporcional é pago por ela. De acordo com o relatório, microempresas, com até cinco funcionários, pagam cerca de 65% de seu faturamento em impostos. As pequenas (cinco a 19 funcionários) pagam 42%, e as médias (20 a 199), 30%. Isso se abordarmos somente a pessoa jurídica.

Contudo, devemos lembrar que o imposto de renda é cobrado de pessoas físicas. Assim o micro e pequeno empresário que já perde parte do rendimento da empresa, mais uma vez, sofre com a alta tributação.

Falta de competitividade no mercado nacional

Além do alto custo de impostos, as empresas brasileiras têm baixo grau de competitividade no mercado nacional e vê seus lugares sendo ocupados por empresas estrangeiras dentro do seu próprio país. Um grande exemplo é Nova Friburgo, que é a capital da moda íntima brasileira e responsável por 25% da produção de lingeries do país. Fato é que, devido aos baixos custos de produção, esse mercado vem sendo ameaçado pelas empresas internacionais, em especial, as chinesas, que trazem suas mercadorias através de grandes navios e num preço de difícil competitividade.

E no nosso dia-a-dia não é difícil vermos que grande parte dos serviços e produtos que consumimos são provenientes de outros países, como o computador, celular, assinaturas de serviços de streaming, aplicativos, redes sociais, dentre muitos outros. Fatos que são explicitados em uma pesquisa realizada pela revista Forbes, e que mostram que dentre as duas mil maiores empresas do mundo, somente 1% é brasileira.

Maicon Gonçalves, professor e sócio operador do Garupa, aplicativo brasileiro de serviços de transportes, explica que grande parte dos lucros recebidos pelas empresas estrangeiras não ficam no Brasil e não valorizam a nossa economia, enfraquecendo a competitividade das empresas nacionais.

“Além das dificuldades enfrentadas através dos longos processos burocráticos e a falta de uma legislação que favoreça ao mercado interno, entendo que um ponto relevante é a falta de conscientização dos brasileiros em consumir produtos nacionais. Hoje, uma corrida, no aplicativo que gerencio, no valor de R$ 10, cerca de R$ 0,50 vai para empresa com sede em Porto Alegre-RS, e o restante fica com o motorista. Todo dinheiro fica no Brasil e fortalecendo a economia local. Enquanto isso, em outras plataformas semelhantes, o lucro da corrida, algo entre 25% e 45%, vai diretamente para os EUA ou para a China.”

Dificuldades a serem superadas

Uma pesquisa realizada pela CNI aponta que, dentre os 15 países avaliados, com características socioeconômicas e políticas internacionais semelhantes, as empresas do nosso país ganham, apenas, da Argentina no quesito competitividade; a pesquisa coloca o Brasil na penúltima colocação do ranking.

Conquistar espaços no mercado, diante de tantas dificuldades é a principal dificuldade das micro e pequenas empresas. Para mudar esse cenário é necessário, e para ontem. Não somente a capacitação do empreendedor para gestão, mas políticas públicas que fomentem a inovação e o desenvolvimento do mercado brasileiro.

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