Hospital de campanha, que nunca funcionou, começa a ser desmontado

Governo do estado não informou o custo para desativar toda a estrutura
quinta-feira, 03 de setembro de 2020
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
A desmontagem da unidade (Fotos: Henrique Pinheiro)
A desmontagem da unidade (Fotos: Henrique Pinheiro)

Começou o desmonte do Hospital de Campanha de Nova Friburgo, erguido pelo Governo do Estado do Rio em anexo ao ginásio esportivo Frederico Sichel, do Sesi, no Prado, distrito de Conselheiro Paulino, inicialmente com a proposta de reunir 100 leitos para pacientes com Covid-19, 40 deles de UTI. A unidade não chegou a ficar pronta e jamais foi utilizada. Nesta quarta-feira, 2, a equipe de reportagem de A VOZ DA SERRA esteve no local pela manhã e constatou, ainda de forma tímida, a movimentação de  funcionários nas instalações retirando parte da estrutura.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou que o desmonte do hospital de campanha foi iniciado na semana passada. De acordo com a SES os equipamentos médico-hospitalares da unidade de campanha serão distribuídos entre as redes estadual e municipais de Saúde. Não há prazo para conclusão do desmonte.

A SES entende que o desmonte das estruturas estava previsto no contrato com a organização social Iabas, para a qual já foram destinados R$ 256 milhões. A SES contesta qualquer dívida existente com relação à logística e à desmontagem das unidades.

Uma longa e triste história

Inicialmente, o Hospital de Campanha estava previsto para funcionar a partir do dia 30 de abril. Passada a data, o governo estadual adiou por quatro vezes, até o comunicado final de que o hospital não iria sair do papel. Neste meio tempo, a SES trocou duas vezes de titular. Em julho, o ex-secretário Edmar Santos foi preso por suspeitas de irregularidades nos contratos assinados durante a pandemia de Covid no Estado do Rio. Há suspeitas de fraudes, inclusive já apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), em alguns contratos firmados sem licitação, entre eles, o de compra de respiradores, oxímetros e medicamentos e o de contratação de leitos privados. O Governo do Rio gastou R$ 1 bilhão para fechar contratos emergenciais.

Apesar da SES não confirmar o valor investido em Nova Friburgo, de acordo com o deputado estadual Filipe Poubel (PSL), em uma das suas vistorias à unidade, no Prado, informou que o projeto estava orçado em aproximadamente R$ 60 milhões aos cofres públicos. A SES informou que não tem como precisar o valor investido em cada unidade, somente que repassou inicialmente R$ 256 milhões para a OS Iabas, num total de quase R$ 700 milhões.

Rompimento com Iabas

No início de junho, o governador Wilson Witzel publicou um decreto rompendo com a organização social Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) e, consequentemente, afastou a OS da construção e gestão dos sete hospitais de campanha. Segundo o decreto, o motivo foi do rompimento foi o atraso para a conclusão das obras.  A decisão de intervir nos hospitais de campanha foi tomada após a informação de que os 500 aparelhos de ventilação mecânica que a OS comprou para o tratamento dos pacientes não eram respiradores, e sim equipamentos para anestesia, que não são indicados para pacientes com insuficiência respiratória grave. O governo estadual anunciou que pedirá à Justiça o bloqueio dos bens do Iabas para ressarcimento dos prejuízos ao erário.  

Afastamento de Witzel

Na manhã da última sexta-feira, 29 de agosto, o governador Wilson Witzel foi afastado do cargo por 180 dias. O Ministério Público, por meio da Procuradoria-Geral da República (PGR), sustenta ter provas que colocam Witzel "no vértice da pirâmide" dos esquemas de fraudes investigados no Estado do Rio.

Segundo a PGR, o Governo do Rio de Janeiro estabeleceu um esquema de propina para a contratação emergencial e para liberação de pagamentos a organizações sociais (OSs) que prestam serviços ao governo, especialmente nas áreas de saúde e educação.

Ainda de acordo com a denúncia, Witzel usou o escritório de advocacia da mulher, Helena Witzel, para receber dinheiro desviado por intermédio de quatro contratos no valor aproximado de R$ 500 mil.

Desmonte em outros municípios

O desmonte também ocorre em outras unidades, apesar da decisão judicial que obriga o Estado do Rio de Janeiro a manter funcionando os cinco hospitais de campanha erguidos para o combate à pandemia da Covid-19.     No início do mês passado, a SES informou estavam programados além da unidade de Friburgo a desmobilização e desmonte dos hospitais de campanha de Duque de Caxias e de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. 

Em nota, a SES informou que o desmonte do Hospital de Campanha de Nova Friburgo será coordenado pela Fundação de Saúde e que os equipamentos médico-hospitalares serão distribuídos entre unidades das redes estadual e municipais. Apesar de questionada, a SES não informou quanto será gasto para desmontar a estrutura.

 

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